RITA LEVI MONTALCINI - A Laureada Nobel Mais Velha do Mundo


Rita Levi Montalcini, que fará 100 anos em Abril, é a laureada com o Prémio Nobel mais velha do mundo. A investigadora italiana na área das neurociências recebeu em 1986, juntamente com o seu colega americano Stanley Cohen, o Prémio Nobel da Medicina pela descoberta do factor de crescimento das células nervosas, o Nerve Growth Factor (NGF). Os conhecimentos sobre o NGF têm ajudado a encontrar novos tratamentos do cancro, Alzheimer, Parkinson e demência senil. Hoje sabe-se que o NGF intervém em inúmeros processos fisiológicos vitais, pelo que Levi Montalcini afirmou recentemente: "O NGF pode ser uma espécie de maestro na orquestra do organismo".

Transcrevo um excerto de uma entrevista em que ela explica como chegar aos 100 anos com um cérebro de 20:

"- Como vai celebrar os seus 100 anos?

- Ah, não sei se viverei até lá, e, além disso, não gosto de celebrações. No que eu estou interessada e gosto é do que eu faço todos os dias!

- E o que é que faz?

- Trabalho para dar bolsas de estudos a meninas africanas para que estudem e prosperem ... elas e os seus países. E continuo a investigar, continuo a pensar.

- E como é que está o seu cérebro?

-Igual a quando eu tinha 20 anos! Não noto diferença em ilusões nem em capacidades.

- Mas terá algum limite genético?

- Não, o meu cérebro vai ter um século, mas não conhece a senilidade... O corpo enruga-se, não posso evitar, mas o cérebro não!

- Como é que faz isso?

- Temos grande elasticidade neurológica. Mesmo quando morrem neurónios, os que restam reorganizam-se para assegurar as mesmas funções, mas para isso é conveniente estimulá-los!

- Como posso estimular o meu cérebro?

- Mantenha-o com ilusões e activo. Faça-o trabalhar e ele nunca se degenera.

- E viverei mais anos?

- Viverá melhor os anos que viver, é isso que é interessante. A chave é manter a curiosidade, o empenho, ter paixões....

- A sua paixão foi a investigação científica?

- Sim, e continua a ser.

- Existem diferenças entre os cérebros do homem e da mulher?

- Só nas funções cerebrais relacionadas com as emoções, vinculadas ao sistema endócrino. Mas quanto às funções cognitivas, não há diferença nenhuma.

- Nunca se casou nem teve filhos...

- Não. Entrei no campo do sistema nervoso e fiquei tão fascinada pela sua beleza que decidi dedicar-lhe todo o meu tempo, a minha vida!

- Qual é hoje o seu grande sonho?

- Que um dia logremos utilizar ao máximo a capacidade cognitiva dos nossos cérebros."
Assim seja! Este testemunho dito e vivido por esta especialista em sistema nervoso não pode deixar ninguém indiferente. Para saber mais sobre a vida desta interessante cientista, incluindo os hábitos alimentares frugais, à base de peixe e legumes, veja este artigo publicado no sítio da revista brasileira "Superinteressante".
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