FOME E ABUNDÂNCIA


O meu artigo sobre o Dia Mundial da Alimentação publicado hoje no Diário de Coimbra:

O Dia Mundial da Alimentação serve para lembrar a toda a humanidade a difícil situação que enfrenta quem passa fome e está desnutrido, convocando toda a gente para a luta contra a fome. O tema escolhido este ano - “A Segurança Alimentar Mundial: os Desafios da Mudança Climática e a Bioenergia” - reflecte as três grandes crises que o mundo enfrenta actualmente e que estão interligadas: os alimentos, o clima e a energia.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), de Setembro de 2008, o número de pessoas com fome subiu, em 2007, de 850 milhões para 925 milhões, por causa da subida dos preços dos alimentos. De facto, se em 2006 esses preços aumentaram 12 por cento, em 2007 aumentaram de 24 por cento e só durante os primeiros sete meses do corrente ano já subiram 50 por cento. Os biocombustíveis explicam, em parte, esta subida desenfreada dos preços dos bens alimentares assim como a coexistência paradoxal entre os valores máximos da fome e a maior produção mundial de alimentos na história da humanidade. O Banco Mundial e a Organização das Nações Unidas advertiram em Julho, durante a reunião do G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia), que a subida dos preços dos alimentos ameaça inverter todos os avanços no desenvolvimento global e lançar cem milhões de pessoas, por todo o planeta, em níveis abaixo da linha de pobreza.

Não deixa de ser estranho que, a par com a fome e desnutrição, o mundo enfrente o problema da obesidade e das doenças que lhe estão associadas como a diabetes, a hipertensão, doenças cardíacas, dificuldades respiratórias, depressão, infertilidade, etc. Ao contrário do que se pensa, a obesidade não é uma doença exclusiva dos países ricos, ela existe e tem aumentado em países em que a subnutrição é crónica em virtude da adopção de novos hábitos alimentares com base em refeições rápidas, baratas e cheias de gordura e açúcar. Veja–se o caso da Índia, que, no espaço de uma década, chegou à maior concentração de diabéticos do mundo.

Entre nós os números da obesidade não são nada animadores, temendo-se que aumentem muito nas próximas décadas. A incidência de obesidade em Portugal é estimada em 13 por cento para o sexo masculino e em 15 por cento para o sexo feminino. Prevê-se que, se nada se fizer, no ano de 2025 metade da população portuguesa seja obesa.
Na era da globalização 900 milhões de pessoas em todo o mundo são subnutridas por não disporem do mínimo para se alimentar, mas, ao mesmo tempo, o mundo tem mais de mil milhões de supernutridos. Hoje, Dia Mundial da Alimentação, é preciso lembrar isto!

Imagem:http://jovens-e-missao.blogspot.com/2007_05_01_archive.html
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