sexta-feira, 31 de outubro de 2008

CULINÁRIA E COLESTEROL

O bem conhecido "chef" Hélio Loureiro, responsável pela nutrição dos jogadores da selecção nacional de futebol, é autor de uma série de livros publicados pela Texto Editores sobre culinária saudável: "Cozinha Saudável para um Coração Forte", "Cozinha Saudável para Anti-envelhecimento" e "Cozinha Saudável para Crianças e Jovens". Acaba de sair na mesma editora mais um volume dessa interessante série: "Cozinha Saudável... Colesterol".

O autor, que escreveu também obras como "À mesa com a nossa selecção" (Bertrand) e "O Cozinheiro de D. João VI" (romance na Esfera dos Livros), propõe agora várias receitas que têm em particular atenção a redução das lipoproteínas de baixa densidade (LDL), que transportam o colesterol no sangue (na figura a molécula de colesterol), e que têm comprovados efeitos na incidência de doenças cardiovasculares.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

MANOEL DE OLIVEIRA - O Cineasta mais velho do mundo


Não é só a cientista italiana Rita Levi Montalcini que tem comido bem até aos cem... Antes dela fazer cem anos em Abril do próximo ano, vai ficar centenário já a 12 de Dezembro o cineasta português, natural do Porto, Manoel de Oliveira. O seu primeiro filme, "Douro ou a Faina Fluvial" data de 1931. E o mestre, ao fim de mais de 30 filmes, continua a sua brilhante actividade cinematográfica, pois essa é a sua maneira de se manter jovem. Ouçamo-lo em dois excertos de uma entrevista ao "Diário de Notícias":

«Sinto cansaço de fazer a barba todos os dias, de levantar, vestir, tomar banho, pequeno-almoço, comer, mastigar, engolir. Tudo isso, essas coisinhas fáceis e corriqueiras mas que são sempre as mesmas. É sempre a mesma coisa, a mesma ordem, ver a televisão. Tudo isso é uma chatice». (...)

«A única coisa que me consola e onde eu posso descansar, verdadeiramente descansar, é quando estou a realizar um filme. Nem quando estou a escrever fico animado, se vem a ideia, tudo bem, mas se não vem, fico muito inquieto. Depois, quando vem a ideia, é-se feliz e escreve-se, mas é enquanto realizo que sinto a paz e o sossego. Esqueço que tenho de me levantar cedo, esqueço-me de comer, esquece-me tudo, e estou ali».

terça-feira, 28 de outubro de 2008

VINHO, GASTRONOMIA E SAÚDE

Informação recebida da Universidade do Porto:

"Vinho, Gastronomia e Saúde"
, da autoria de C. Hipólito-Reis, título editado pela Editora da Universidade do Porto, vai ser apresentado ao público hoje (28 de Outubro), às 18h00, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto, sita na Praça Gomes Teixeira (Porto). A apresentação da obra será feita por Daniel Serrão, conceituado médico, professor e investigador.

C. Hipólito-Reis analisa nesta obra as inter-relações do vinho, da gastronomia e da saúde, encarando-as como um conjunto sistémico de complementaridades em que os três elementos se relacionam em harmonia.

Cândido Hipólito-Reis é professor jubilado de Bioquímica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Interessa-se de modo especial pelo metabolismo e sua regulação e, correlativamente, pela nutrição e alimentação. Tendo sido solicitado para proferir diversas comunicações sobre aspectos biomédicos, médicos e antropológicos da utilização das bebidas alcoólicas, aí encontrou a motivação para escrever esta obra.

A entrada na sessão de apresentação da obra é livre.

Editora UP
Colecção: Série Do Saber, 6
Data de edição: Julho 2008
Nº de páginas: 460
ISBN: 978-972-8025-80-9
Preço: 35,00€
Tema: Alimentação, Medicina, Antropologia

Do prefácio do livro: «A certeza de que a vida, a sua duração e qualidade, e a saúde, em termos gerais, dependem da alimentação, o conhecimento da espantosa excelência de, pelo menos, uma certa gastronomia, dita mediterrânica, grega ou cretense, em que o vinho tem a sua parte, e a descoberta dos valores simbólicos desta actividade humana (…), abriram perspectivas novas numa área do saber humano em que a dada altura, cientificamente, tanto se empolou a alimentação racional e ao mesmo tempo, inapelavelmente, se condenava o vinho como droga geradora de desgraças orgânicas, comportamentais e comunitárias…»

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

RITA LEVI MONTALCINI - A Laureada Nobel Mais Velha do Mundo


Rita Levi Montalcini, que fará 100 anos em Abril, é a laureada com o Prémio Nobel mais velha do mundo. A investigadora italiana na área das neurociências recebeu em 1986, juntamente com o seu colega americano Stanley Cohen, o Prémio Nobel da Medicina pela descoberta do factor de crescimento das células nervosas, o Nerve Growth Factor (NGF). Os conhecimentos sobre o NGF têm ajudado a encontrar novos tratamentos do cancro, Alzheimer, Parkinson e demência senil. Hoje sabe-se que o NGF intervém em inúmeros processos fisiológicos vitais, pelo que Levi Montalcini afirmou recentemente: "O NGF pode ser uma espécie de maestro na orquestra do organismo".

Transcrevo um excerto de uma entrevista em que ela explica como chegar aos 100 anos com um cérebro de 20:

"- Como vai celebrar os seus 100 anos?

- Ah, não sei se viverei até lá, e, além disso, não gosto de celebrações. No que eu estou interessada e gosto é do que eu faço todos os dias!

- E o que é que faz?

- Trabalho para dar bolsas de estudos a meninas africanas para que estudem e prosperem ... elas e os seus países. E continuo a investigar, continuo a pensar.

- E como é que está o seu cérebro?

-Igual a quando eu tinha 20 anos! Não noto diferença em ilusões nem em capacidades.

- Mas terá algum limite genético?

- Não, o meu cérebro vai ter um século, mas não conhece a senilidade... O corpo enruga-se, não posso evitar, mas o cérebro não!

- Como é que faz isso?

- Temos grande elasticidade neurológica. Mesmo quando morrem neurónios, os que restam reorganizam-se para assegurar as mesmas funções, mas para isso é conveniente estimulá-los!

- Como posso estimular o meu cérebro?

- Mantenha-o com ilusões e activo. Faça-o trabalhar e ele nunca se degenera.

- E viverei mais anos?

- Viverá melhor os anos que viver, é isso que é interessante. A chave é manter a curiosidade, o empenho, ter paixões....

- A sua paixão foi a investigação científica?

- Sim, e continua a ser.

- Existem diferenças entre os cérebros do homem e da mulher?

- Só nas funções cerebrais relacionadas com as emoções, vinculadas ao sistema endócrino. Mas quanto às funções cognitivas, não há diferença nenhuma.

- Nunca se casou nem teve filhos...

- Não. Entrei no campo do sistema nervoso e fiquei tão fascinada pela sua beleza que decidi dedicar-lhe todo o meu tempo, a minha vida!

- Qual é hoje o seu grande sonho?

- Que um dia logremos utilizar ao máximo a capacidade cognitiva dos nossos cérebros."
Assim seja! Este testemunho dito e vivido por esta especialista em sistema nervoso não pode deixar ninguém indiferente. Para saber mais sobre a vida desta interessante cientista, incluindo os hábitos alimentares frugais, à base de peixe e legumes, veja este artigo publicado no sítio da revista brasileira "Superinteressante".

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

OFICINA DA SOPA NA FCNAUP


Informação recebida da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP):

Qual a importância da sopa para uma alimentação equilibrada? Como fazer uma sopa saudável? Que ingredientes se podem, ou não, utilizar?

Já se encontram abertas as inscrições para a "Oficina da Sopa", uma iniciativa promovida pela Faculdade de Ciências da Nutrição (FCNAUP), onde vai poder colocar estas e outras perguntas relacionadas com Sopa.

Cada oficina vai englobar uma componente teórica que durará cerca de 30 minutos. Depois de perceberem o valor nutricional da sopa e a sua relação com a saúde, os participantes seguem então para a cozinha experimental da FCNAUP, onde irão confeccionar algumas receitas saudáveis de sopas tradicionais portuguesas.

A primeira "Oficina da Sopa" (6 de Novembro, quinta-feira) vai ter lugar das 17h30 às 20h00. Já a segunda edição (15 de Novembro, sábado) decorrerá entre as 11h00 e as 13h30.

As inscrições deverão ser feitas por e-mail, para patriciapadrao@fcna.up.pt e têm um custo de 15 euros por pessoa.

Esta iniciativa, promovida pela FCNAUP, encontra-se inserida na homenagem que a Universidade presta, em 2008, a Emílio Peres, o "pai da Nutrição em Portugal". TR/REIT

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

TRANFERÊNCIA DE PESO



A propósito do "post" recente sobre "Abundância e Fome", Susana Rosa, do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, é uma das impulsionadoras do programa "Transferência de Peso", que consiste no apelo à consciência social das empresas para que transfiram, através de uma ONG, para países onde existem problemas de subnutrição, o peso a mais que os seus empregados eventualmente tenham, traduzido em euros. Ora aqui está uma ideia que parece tão curiosa como útil!

Para mais informações sobre o programa consulte o site http://www.transferenciadepeso.com/

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A carne de vaca e o cancro do cólon


O médico alemão Harals zur Hausen, virologista que recentemente foi laureado com o prémio Nobel da Medicina ou Fisiologia pelos seus trabalhos relativos ao cancro do colo do útero deu ao semanário alemão "Der Spiegel" uma interessante entrevista, publicada no número de 13 de Outubro, em que alerta para o risco cancerígeno da carne de vaca mal passada. O melhor é escutá-lo:

"Spiegel - Na Alemanha os cancros mais mortais são os do pulmão, mama, cólon e próstata. Vê aí também a acção de um vírus?

Zur Hausen - Existe uma boa probabilidade que muitos destes cancros tenham relação com vírus.

Spiegel- Todos estes cancros são, segundo os investigadores, atribuídos a alterações genéticas. Onde é que vê aqui indícios da acção dos vírus?

Zur Hausen- Tome o caso do cancro do cólon. Sabemos, a partir de dados epidemiológicos, que o seu aparecimento parece ter a ver com o consumo de carne vermelha e com os seus métodos de preparação. Se consumir muita carne de vaca mal passada, terá aí um factor de risco.

Spiegel- No entanto, é um risco que muitos não atribuem a vírus, mas sim ao processo de preparação, uma vez que se formam substâncias cancerígenas.

Zur Hausen - Desculpe. Como virologista tenho uma visão diferente. As mesmas substâncias aparecem na preparação, por exemplo, de carne de frango - mas nesta não parece ocorrer um risco acrescido de cancro.

Spiegel - Ah sim?

Zur Hausen - Na preparação da carne de vaca, há agora uma moda de deixar a carne mal passada. No interior de um bife grelhado mal passado a temperatura é, no máximo, de 60 graus. Ora eu sei dos meus estudos do vírus do papiloma que estes conseguem aguentar temperaturas de 80 graus. Os vírus polioma que provocam o cancro, por exemplo, poderão sobreviver sem problemas ao processo de confecção e de aquecimento, daí a relação.

Der Spiegel- Acredita então que na carne de vaca há vírus cancerígenos?

Zur Hausen - É perfeitamente possível. Vírus hospedados em animais frequentemente não infectam os humanos. Não se podem multiplicar no corpo humano, mas podem deslocar genes nas células humanas. Isto, juntamente com modificações genéticas, pode levar à transformação numa célula cancerosa.

Der Spiegel - Mas acha que esse perigo é mesmo sério? Suficientemente sério para passar bem os bifes que come?

Zur Hausen - É isso mesmo que faço. Desenvolvi uma certa rejeição a carne mal passada. Para o "carpaccio" não tenho apetite nenhum..

Der Spiegel- E com sushi?

Zur Hausen - Nesse caso não há problema. Os vírus do peixe crú não nos fazem mal, pois do ponto de vista evolutivo estão muito distantes de nós.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

FOME E ABUNDÂNCIA


O meu artigo sobre o Dia Mundial da Alimentação publicado hoje no Diário de Coimbra:

O Dia Mundial da Alimentação serve para lembrar a toda a humanidade a difícil situação que enfrenta quem passa fome e está desnutrido, convocando toda a gente para a luta contra a fome. O tema escolhido este ano - “A Segurança Alimentar Mundial: os Desafios da Mudança Climática e a Bioenergia” - reflecte as três grandes crises que o mundo enfrenta actualmente e que estão interligadas: os alimentos, o clima e a energia.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), de Setembro de 2008, o número de pessoas com fome subiu, em 2007, de 850 milhões para 925 milhões, por causa da subida dos preços dos alimentos. De facto, se em 2006 esses preços aumentaram 12 por cento, em 2007 aumentaram de 24 por cento e só durante os primeiros sete meses do corrente ano já subiram 50 por cento. Os biocombustíveis explicam, em parte, esta subida desenfreada dos preços dos bens alimentares assim como a coexistência paradoxal entre os valores máximos da fome e a maior produção mundial de alimentos na história da humanidade. O Banco Mundial e a Organização das Nações Unidas advertiram em Julho, durante a reunião do G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia), que a subida dos preços dos alimentos ameaça inverter todos os avanços no desenvolvimento global e lançar cem milhões de pessoas, por todo o planeta, em níveis abaixo da linha de pobreza.

Não deixa de ser estranho que, a par com a fome e desnutrição, o mundo enfrente o problema da obesidade e das doenças que lhe estão associadas como a diabetes, a hipertensão, doenças cardíacas, dificuldades respiratórias, depressão, infertilidade, etc. Ao contrário do que se pensa, a obesidade não é uma doença exclusiva dos países ricos, ela existe e tem aumentado em países em que a subnutrição é crónica em virtude da adopção de novos hábitos alimentares com base em refeições rápidas, baratas e cheias de gordura e açúcar. Veja–se o caso da Índia, que, no espaço de uma década, chegou à maior concentração de diabéticos do mundo.

Entre nós os números da obesidade não são nada animadores, temendo-se que aumentem muito nas próximas décadas. A incidência de obesidade em Portugal é estimada em 13 por cento para o sexo masculino e em 15 por cento para o sexo feminino. Prevê-se que, se nada se fizer, no ano de 2025 metade da população portuguesa seja obesa.
Na era da globalização 900 milhões de pessoas em todo o mundo são subnutridas por não disporem do mínimo para se alimentar, mas, ao mesmo tempo, o mundo tem mais de mil milhões de supernutridos. Hoje, Dia Mundial da Alimentação, é preciso lembrar isto!

Imagem:http://jovens-e-missao.blogspot.com/2007_05_01_archive.html

terça-feira, 14 de outubro de 2008

UMA HISTÓRIA SABOROSA DO MUNDO

«Sabia que:
- A pimenta já valeu mais do que o seu peso em ouro - O açúcar é o alimento que mais se vende no mundo - Winston Churchill declarou, em 1942, que o chá valia mais que as munições para as suas tropas - A produção de queijo começou no Irão há 6000 anos - Todas as cidades da América já tinham restaurantes chineses em 1880»

Não sabia? Pois estas e muitas outras curiosidades encontram-se no livro de Kenneth Kiple, "Uma história saborosa do mundo. Dez milénios de globalização alimentar", que a Casa das Letras acaba de publicar entre nós. Não demorou muito a aparecer a tradução portuguesa pois o original inglês, da Cambridge University Press, é do ano passado.

O autor, historiador, mostra neste livro um grande domínio da história da alimentação em todo o mundo. Portugal tem um grande número de entradas no índice, dado o papel que o nosso país teve na época dos Descobrimentos em trazer para a Europa novos produtos alimentares.

Uma leitura fascinante para melhor compreendermos um mundo onde a fartura coexiste com a fome...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

AZEITE AJUDA A CONTROLAR O APETITE


Um estudo recentemente publicado na revista Cell Metabolism mostra que o consumo regular de azeite faz emagrecer, porque prolonga a saciedade aumentando o tempo entre refeições. Uma equipa de investigadores das Universidades da Califórnia, de Yeshiva (Nova Iorque), nos EUA, e de Roma (Itália), liderada por Daniele Piomelli, mostraram que este efeito é devido à presença de ácido oleico. Este chega ao intestino delgado e entra nas células que o revestem por meio de um transportador chamado CD36, convertendo-se em oleiletanolamida (OEA). A OEA é transportada até ao cérebro para entrar num mecanismo natural de controle de saciedade ao nível do sistema nervoso central.

Estudos anteriores tinham já mostrado que o OEA contribui para reduzir o peso, assim como os níveis de colesterol e os triglicerídos no sangue dos animais, já que o seu consumo reduz a frequência das refeições.

Segundo os cientistas, seria possível desenvolver estratégias tanto nutricionais como farmacológicas para reforçar esse dispositivo de controlo do apetite em casos de obesidade ou noutros tipos de desordem alimentar.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

MANDOMETER: Um aparelho para emagrecer

Um aparelho usado pelo Bristol Royal Hospital for Children, na Grã-Bretanha, está a ajudar os adolescentes a perder peso, fzendo simplesmente com que eles comam mais devagar. O Mandometer é um computador ligado a uma balança que pesa a refeição do adolescente e calcula a velocidade com que ele come. Quando a comida desaparece do prato muito rapidamente, a máquina dá o alerta.

Segundo os médicos, alguns jovens comem com tanta ansiedade que os seus cérebros não têm tempo de perceber quando estão satisfeitos. "Eu costumava comer muito, muito rápido. Chegava a comer uma grande refeição em apenas três minutos. Agora, demoro mais ou menos 16 minutos", diz Laurence Willshire, 17 anos, um dos pacientes do Hospital.

"O Mandometer faz-me perguntas quando estou a comer, como por exemplo, se já estou cheio ou se ainda tenho fome. Ele diz-me quando posso comer a minha próxima garfada e avisa se estou a comer rápido demais." Laurence é um dos 120 adolescentes que participa nos testes com o Mandometer em Bristol.

Apesar de ser alto (1,82 m=, Laurence chegou a pesar 133 kg e estava a ter dificuldades em encontrar roupa que lhe servisse. Foi nessa altura que procurou ajuda no hospital de Bristol. Actualmente já conseguiu emagrecer 26 kg, tendo como objectivo chegar aos 95 kg.

O aparelho foi originalmente criado na Suécia para encorajar as doentes anoréxicas a comer mais e de forma mais rápida. A versão para ajudar no emagrecimento, que se trata de uma adaptação está a ser usada em conjunto com dieta e exercício físico num programa do referido hospital britânico. 83% dos pacientes tratados na clínica conseguiram reduzir seu índice de massa corporal.

"A obesidade é uma grande ameaça às nossas crianças e precisamos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar que elas se tornem adultos obesos", disse Julian Hamilton Shields, o pediatra responsável pelo novo processo de tratamento.

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

PRÉMIO IgNOBEL DA NUTRIÇÃO

O Prémio IgNobel, uma sátira do prémio Nobel, é entregue no Outono aos pesquisadores que fizerem as descobertas científicas mais estranhas do ano. Os prémios, criados pela revista de humor científico Annals of Improbable Research, são atribuídos para "honrar estudos e experiências que primeiro fazem rir as pessoas, e depois pensar. A ideia é premiar pesquisas raras, honrar a imaginação, e atrair o interesse do público pela ciência, medicina e tecnologia."
Foram entregues pela primeira vez em Harvard em 1991, sendo a cerimónia abrilhantada com a presença de verdadeiros laureados com o prémio Nobel, que entregam o respectivo Prémio IgNobel ao vencedor.
A estatueta do IgNobel da Nutrição foi este ano para Massimiliano Zampini, da Universidade de Trento (Itália), e Charles Spence, de Oxford (Grã-Bretanha), por "terem modificado eletronicamente o ruído de uma batata frita para enganar quem a consome, fazendo pensar que é mais crocante e fresca do que parece".

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

GOLFINHOS EM DIETA E EXERCÍCIO FÍSICO


Primeiro os macacos e agora os golfinhos...
Dezanove golfinhos do parque aquático Kinosaki Marine World - em Toyooka, no Japão - entraram em dieta rigorosa após os tratadores terem verificado que os cetáceos tinham barriga e não conseguiam atingir os alvos colocados por cima da piscina. "Ficámos intrigados pela degradação do seu desempenho e reparámos que tinham um ar mais rechonchudo", disse ao diário britânico Guardian um porta-voz do parque. Pesaram-nos e todos tinham engordado.
Pelo sim pelo não, reduziram-lhes a ração de peixe e intensificaram a actividade física.

Fonte: Jornal O Público de 02.10.2008

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

EM PORTUGAL NÃO SE COME MAL

Miguel Esteves Cardoso está de volta com o livro Em Portugal não se come mal, Assírio e Alvim (Agosto,2008). São crónicas gastronómicas em que o autor lamenta as modificações que a gastronomia tradicional portuguesa tem sofrido depois que entrou na União Europeia (UE).

«Sub-repticiamente, sem notícia nem protesto, vão desaparecendo da mesa portuguesa iguarias essenciais - algumas por causas naturais, porventura inevitáveis, mas outras por determinação burocrática, assentes na dupla-prensa com que presentemente nos comprimem os testículos e ovários e oprimem as papilas e as barriguinhas.
Um dos pesos deste instrumento da tortura gastronómica vem da empedernida pedreira de Bruxelas; a outra do férreo fascismo da mania higieno-sanitária que nos quer todos magros, altos e activos quando todo o enorme esforço civilizacional de milénios vai na direcção contrária.»


Estas crónicas cheias de humor , fazem com que eu não resista a transcrever mais alguns excertos. A propósito do que as recomendações da UE sobre toxicidade fizeram com o típico arroz de forno do Norte:

«No Porto, procurando-se o sublime arrozinho de forno, tradicionalmemnte confeccionado em tachinhos de barro, encontrar-se-á, em vez do dito arrozinho, uma longa explicação acerca do conteúdo de chumbo que há no barro e na maneira terrível como nos envenena, apesar de séculos de alegre sobrevivência.
A toxicidade terá sido descoberta por impolutos cientistas britânicos em laboratórios impecáveis. Sim, sim, apetece responder, mas quantos arrozinhos no forno comeram desde miúdos? Ou arrozes de miúdos? Ou alguma comida que preste? Meu Deus, essa gentinha apanharia cancro se comesse um brócolo nascido ao sol.»


E do capítulo "Mediterrâneo, o tanas!":
«A nossa culinária piscícola nasce por duas razões: uma mediterrânica; a outra atlântica. A mediterrânica - como a maravilhosa sopa de cação - surge por ser difícil arranjar peixe fresco (e bom) longe do litoral.
Essa é menos original e menos portuguesa e, nessa matéria, somos muito menos jeitosos que espanhóis e franceses do Sul - embora melhores do que os italianos que, sicilianos à parte, não sabem mesmo o que fazer ao peixe, benza-os Deus.
A razão atlântica é a mais luxuosa e portuguesa: é uma culinária que nasce do tédio. Era tanta a fartura de peixe e mariscos que começam a arranjar-se maneiras engenhosas de continuar a aturar as amêijoas, a pescada; as lulas; as sardinhas; até as lagostas! Mas a prova que nunca nos fartámos assim muito (acho que o português, mesmo pescador, nunca se fartou de peixinho) é que somos igualados ou suplantados em matéria de invenção culinária pelos povos atlânticos nossos irmãos e congéneres: os galegos; os asturianos; os bascos; os bretões...
Não me venham é dizer, por muito que se goste de Barcelona; da cozinha provençal; italiana ou até grega; que temos uma cozinha mediterrânica.
Não temos. O Mediterrâneo é que tem características que são comuns ao Sul continental e interior da Europa. Não tem nada a ver com o mar. E a parte beira-mar é inteiramente diferente da parte beira-oceano.
O Mediterrâneo é uma vasta latrina poluída e fechada sobre o qual urgiria, de uma vez por todas, puxar o autoclismo e começar de novo.
Isto é; se não se soubesse por onde forçosamente se daria a descarga: pobre Algarve! »


Penso que já dá para abrir o apetite. Leiam e divirtam-se!