Pular para o conteúdo principal

ALIMENTOS PORTUGUESES NA "ARCA DO GOSTO"

A " Arca do Gosto" é um projecto do movimento internacional Slow Food que tem por objectivo a preservação de alimentos e sabores em perigo de extinção devido à sobreposição das práticas industriais relativamente às artesanais. Esta iniciativa teve início em 1996 e estão catalogados cerca de 750 produtos de dezenas de países. De Portugal, estão guardados na "Arca do Gosto" quatro produtos: a broa de milho de Rio Frio (Arcos de Valdevez), a laranja de Ermelo (Arcos de Valdevez), a alheira de Mirandela e o queijo de Serpa.

As laranjas de Ermelo têm a casca fina, poucas sementes e são muito doces. A sua cultura é ancestral. Consta que foram os monges da Ordem de Cister, no século XIII, que levaram para Ermelo a tradição do cultivo da laranja.

O segredo da broa de Rio Frio reside no facto de ser feita com o milho regional, de sabor único, por um processo de fabrico lento e totalmente artesanal. A farinha é moída em moinhos de água (para moer 30 quilos de farinha são necessárias cinco horas) e a broa é cozida em forno de lenha (para cozer oito a dez broas de quilo e meio, são precisas três horas).

A alheira de Mirandela é um enchido tradicional fumado que deve o seu nome ao alho. A sua origem remonta ao séc.XV e está ligada à presença dos judeus em trás-os-montes. A perseguição a que estavam sujeitos pelos cristãos, obrigava-os a exibir sinais exteriores do cristianismo, mantendo, no entanto as práticas judaicas na intimidade do seu lar. Proibidos de comer carne de porco pelos preceitos da fé judaica, eram facilmente identificáveis porque não faziam enchidos. Inventaram então uma chouriça feita com frango, carne de caça e pão, que pendurada à lareira de forma idêntica ao fumeiro dos cristãos, enganaria qualquer vizinho delator.
Com o tempo, foi introduzida carne de porco na sua confecção, mas o sabor original agora preservado pela "Arca do Gosto" diz respeito à alheira confeccionada com os ingredientes originais, de forma artesanal, no seio das famílias transmontanas.

O queijo de Serpa, é um queijo amanteigado, obtido por esgotamento lento da coalhada após a coagulação do leite cru de ovelha, estreme, por acção de uma infusão de cardo. O sabor único deriva do processo artesanal do seu fabrico e das características atribuíveis ao leite, que é resultado da forma tradicional de maneio das ovelhas.

A "Arca do Gosto" é um catálogo e um recurso para todos os interessados em recuperar raças autóctones e aprender a verdadeira riqueza de alimentos que a terra oferece. Ver os critérios de selecção dos produtos aqui.
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Leite sem lactose não é para diabéticos

Ontem de tarde, durante a consulta de atendimento a diabéticos, um dos utentes pôs-me a questão se o leite sem lactose seria o melhor para os diabéticos. A dúvida faz todo o sentido uma vez que a lactose é o açúcar natural do leite. No entanto, este leite foi criado para pessoas intolerantes à lactose, que não digerem bem o leite por deficiente produção de lactase, a enzima necessária ao desdobramento da lactose.

Então porque é que é que o leite com 0% lactose não é bom para diabéticos?

A lactose é um hidrato de carbono complexo (dissacárido) formada por duas moléculas de hidratos de carbono simples, a glicose e a galactose (monossacáridos). O leite com 0% lactose não tem, de facto lactose, mas tem os seus constituintes, a glicose e a galactose, que são açúcares simples que fazem subir a glicémia (glicose no sangue) mais facilmente. Quem prova este leite não tem dúvidas: ele é mais doce e foi por isso que o referido doente estranhou e me apareceu com o pacote de leite sem lactose na mão…

COUVE LOMBARDA SALTEADA

Ontem para o jantar fiz couve lombarda salteada com bifinhos de peru grelhados.  É um prato super fácil de fazer que se prepara em 15 minutos.

INGREDIENTES (para quatro pessoas)
Meia couve lombarda
1 cenoura
2 colheres de sopa de azeite
2 dentes de alho
sal marinho q.b.

Depois de lavar a couve, corte-a em juliana. Descasque e rale a cenoura. 
Numa frigideira coloque o azeite e os alhos picados até estes começarem a fritar. Junte a couve, a cenoura e um pouco de sal. Deixe cozinhar cerca de oito minutos mexendo com frequência (se gostar da couve mais cozida deixe cozinhar mais tempo). Está pronto! 

Acompanhei com bifinhos de peru grelhados, temperados com pimenta, pouquíssimo sal, mas com muito sumo de limão. 

Esta couve também fica bem a acompanhar qualquer tipo de peixe.
Experimentem!

O segredo de cozinhar bróculos verdes e nutritivos

Do livro "A cozinha é um laboratório" (Fonte da Palavra, 2009) transcrevo alguns conselhos para bem cozinhar os brócolos evitando, dentro do possível, perdas de nutrientes e o desenvolvimento de cores e aromas indesejáveis: "Corte-os apenas na altura de serem introduzidos na água quente. Além de os cortar em pedaços, dê um golpe longitudinal nos pedúnculos. Estes cortes têm como objectivo acelerar a cozedura, dado aumentarem a área de exposição à água quente. Adicione os brócolos à água a ferver, com o lume no máximo. Para minimizar a perda de nutrientes e ter a melhor cor final, não use muita água, nem pouca... no meio é que está a virtude! Deixe o recipiente destapado nos primeiros minutos. Cozinhe-os durante apenas cerca de 5 minutos (ficam mais estaladiços e com uma cor mais bonita). Se não os for consumir logo, passe-os por água muito fria mal sejam tirados do lume, para parar todo o processo. Como melhor alternativa, coza os brócolos em vapor. O resultado será ainda melh…