sexta-feira, 27 de junho de 2008

Curso de Verão 2008 na APN

Informação recebida da Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN):

A APN está a organizar um Curso de Verão subordinado ao tema “Aprenda a ir às compras e traga saúde consigo”, destinado ao consumidor em geral, a realizar em duas partes (25 de Julho e 1 de Agosto) nas instalações da APN (Rua João das Regras nº 284 - R/C 3, 4000-291 Porto).

Programa

PARTE 1 - 25 de Julho das 17h às 19h30

Por onde começar...quando vamos ao supermercado
Dra. Sílvia Cunha
Nutricionista

Cuidados a ter na aquisição de alimentos frescos
Dra. Célia Craveiro
Nutricionista

A importância da leitura do rótulo nos alimentos pré-embalados
Dra. Helena Real
Nutricionista


PARTE 2 - 1 de Agosto das 17h às 19h30

Alimentos refrigerados e congelados - o que verificar?
Dra. Tânia Cordeiro
Nutricionista

Como escolher alimentos no âmbito de uma alimentação saudável?
Dra. Ana Martins
Nutricionista


Que alimentos devem ser guardados para ocasiões especiais?
Dra. Joana Maranhas
Nutricionista

Boletim de inscrição aqui.
Custo de Inscrição
Inscrição na PARTE 1 do curso: 12€
Inscrição na PARTE 2 do curso: 12€
Inscrição nas duas partes do curso: 20€

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Bettina Brentano e a imagem corporal


Transcrevo um "post" muito interessante sobre a imagem corporal do Professor Rui Baptista, publicado no blogue "De Rerum Natura" (na foto Bettina Brentano, que foi amiga de Goethe e de Beethoven):

A imagem corporal é o desenho que formamos na nossa mente do nosso próprio corpo”. Shilder (1980)

O estudo sobre a imagem corporal é transversal a fronteiras da psiquiatria, da psicologia e de todo o conhecimento que ao corpo diga respeito até porque a preocupação exagerada com os actuais padrões do mundo da beleza feminina pode levar a distúrbios alimentares, como a anorexia nervosa ou a bulimia, que sem tratamento adequado, e em tempo devido, podem ter o desfecho trágico de uma morte anunciada.

Como docente, sempre que tinha que abordar esta temática com os meus alunos dava o seguinte e simples exemplo da distorção mental do corpo. Dizia eu, se repararem, as representantes do chamado belo sexo (e, porque não confessá-lo, alguns representantes do chamado sexo forte) quando recebem das mãos do fotógrafo o envelope que contém as suas fotografias, mesmo que favorecidas pelas luzes do estúdio, a primeira coisa que dizem ao vê-las é: “”Ai que mal que eu fiquei!”

Passado pouco tempo, há como que uma “habituação” entre a fotografia e “o desenho formado na mente do corpo” , e o fotografado reconhece não ter ficado tão mal quanto isso. Minha falecida mãe, tida como uma bonita mulher, a partir da idade de sexagenária só muito a contragosto se deixava fotografar sem que eu compreendesse o porquê da sua relutância. Hoje tenho como motivo possível o facto de a fotografia, em que se começava a notar o efeito da passagem dos anos, não corresponder já à imagem guardada da juventude.

Através de uma prosa que fui rebuscar entre os papéis que me merecem guarida, aproprio-me de um texto de rara beleza transcrito por João Bénard da Costa, homem de uma invejável e multifacetada cultura, da autoria da escritora alemã Bettina Brentano (1785-1859):

“Contava ela que no colégio em que andava não havia espelhos e, por isso, não fazia ideia como era.
Até que um dia, tinha eu 13 anos, fiquei estarrecida quando, sentada com as minhas irmãs ao pé da minha avó, vi o grupo inteiro reflectido num espelho. Reconheci imediatamente todas, menos uma estranha rapariga com olhos de fogo, muito corada e com umas grandes tranças pretas. Nunca a tinha visto, mas fui logo atraída para ela. Em sonhos já tinha amado uma pessoa parecida com aquela. E havia qualquer coisa na expressão dela que me comoveu tanto que os meus olhos se encheram de lágrimas. E disse de mim para mim que tinha de seguir aquela criatura, prometer-lhe fidelidade e confiança. Se lhe fizer um sinal, sei que ela responde. Se me levantar, ela virá ter comigo. Nesse momento sorrimos as duas. Só nessa altura tive a certeza que, no espelho, tinha visto a minha própria imagem” (“Os filmes da nossa vida”, O Independente, 14 de Outubro de 1994; estes textos foram reeditados em livro).

Em jeito de remate certeiro, João Bénard da Costa deixa-nos a seguinte e valiosa análise: “Há quem interprete este passo como manifestação de narcisismo. Nada disso. Do que se trata é de espelhismos: fidelidade à imagem própria, como primeiro preceito corroborativo da verdade, da vida, da beleza e do amor”.

A leitura deste breve texto autobiográfico de Bettina Brentano prova-nos que uma boa peça literária pode cativar e perdurar mais do que a leitura de enfadonhas páginas de tratados sobre temas de natureza científica, mesmo para as pessoas que a eles se dedicam profissionalmente. Haverá uma outra maneira de definir a imagem corporal de uma forma tão intensa, tão duradoura e tão bela como esta?

terça-feira, 24 de junho de 2008

PROVÉRBIO DO OVO INSÍPIDO


O título de cima é o título de um belo trecho do livro "Pequeno Tratado do Sal", do químico francês Pierre Laszlo (Teorema, 2006), que é também autor da "Palavra das Coisas" saído na Gradiva. O autor parte de um provérbio português sobre o ovo sem sal e tenta interpretá-lo. Aliás, ele fez um prefácio especial para a edição portuguesa onde lembra que Portugal rima com sal (Fernando Pessoa usou-a na "Mensagem": "ó mar salgado, quanto do teu sal / são lágrimas de Portugal!") e onde afirma que, no tempo dos Descobrimentos, "o sal de Setúbal era o melhor sal do mundo". Vale a pena ler a sua prosa sobre o nosso provérbio:

"Diz um provérbio português: "ovo sem sal, não faz bem nem mal": Como em muitos outros provérbios, as assonâncias ajudam a memorizá-lo: sem-bem e sal-mal.

Retirado do seu contexto, este provérbio tem um aspecto enigmático: que um ovo cozido sem sal não faça nem bem nem mal, que ele seja de efeito neutro, a dar crédito a esta sabedoria popular ancestral, deixa-nos frios ou desconcertados.

Mas a virtude de um provérbio reside no seu implícito tal como na metáfora que ele exprime. Aqui o ovo é geralmente considerado como representativo de um alimento: um prato insípido não pode fazer mal, enquanto um alimento, pelo facto de ser salgado, pode causar dano. Pode também entender-se este provérbio de outra maneira que é valorizar uma dieta sem sal.

Mas o ditado tem certamente um sentido muito mais vasto, uma vez que o sal simboliza de forma geral aquilo que dá sabor ou picante à existência. Por isso devemos apreciá-lo sobretudo num sentido moral: viver sem emoção ou paixão é viver sem risco, no simples dia-a-dia, sem disso retirar satisfação nem desgosto.

Esta interpretação mais alargada fortalece-se com aquilo que o ovo (e pensemos nos ovos da Páscoa) simboliza - a fertilidade e o ser vivo: uma vida sem paixão é seguramente muito monótona!"

segunda-feira, 23 de junho de 2008

VIVER MAIS SEM TER DE COMER MENOS



Eis uma boa notícia para quem queira perder peso sem sacrifícios: Cientistas da Universidade de S.Paulo (USP) conseguiram diminuir o aproveitamento energético dos alimentos em cobaias.
O estudo, coordenado por Alicia Kowaltowski, professora do Departamento de Bioquímica da USP, que será publicado em breve na edição impressa da revista "Aging Cell", consistiu em tratar os animais com uma droga que diminui o aproveitamento energético das mitocôndrias.

A mitocôndria (foto) é uma organela celular que converte a energia dos alimentos em energia química sob a forma de adenosina trifosfato (ATP), na presença do oxigénio, através de um processo chamado respiração celular. Esta forma de obter energia é vital para as actividades celulares.
Segundo Alicia Kowaltowski, "o mecanismo conhecido por desacoplamento mitocondrial permite diminuir a síntese de ATP mantendo a mesma quantidade de alimento”.
Para sintetizar o ATP, a mitocôndria gera um gradiente de protões – isto é, fica mais positiva do lado de fora do que no interior. Este gradiente serve como fonte de energia para a síntese de ATP. “O dinitrofenol, a droga que utilizámos, diminui esse gradiente de protões, deixando que alguns deles voltem para dentro da mitocôndria sem que haja síntese de ATP."

O dinitrofenol é conhecido há muito tempo e, na década de 1930, já era utilizado para emagrecimento. No entanto, apesar de eficaz, o seu uso era controverso porque a dose terapêutica estava muito próxima da dose tóxica.

O que fizemos foi utilizar o dinitrofenol numa dose muito menor para mostrar que a diminuição do aproveitamento de energia da mitocôntria é capaz de prevenir os efeitos do envelhecimento”, afirmou Alicia. Na verdade, além de aumentar em cerca de 10% a longevidade, o tratamento reduziu os índices ligados à síndrome metabólica, conjunto de factores de risco cardiovascular que inclui diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia e obesidade.

Assim como os humanos, os camundongos tendem a engordar quando envelhecem. Os que foram tratados com o dinitrofenol, no entanto, ganharam menos peso à medida que envelheciam, apesar de comerem a mesma quantidade do que os outros”, afirmou.

Falta agora a aprovação da comunidade científica para que seja possível a comercialização desta droga que é um autêntico dois em um: controla o peso e o envelhecimento ao mesmo tempo.

Fonte: Agência FAPESP
Imagem:http://blogdochorik.blogspot.com/2007/10/se-fosse-s-o-dna.html

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Diabetes Tipo 1 - Estudo TRIGR

A Diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença auto-imune que resulta da destruição permanente das células beta do pâncreas produtoras de insulina. Ocorre normalmente na infância e os doentes necessitam de terapêutica com insulina para o resto da vida.

As causas da DM1 estão a ser investigadas há anos e acredita-se que alguns factores ambientais aumentem o risco em pessoas geneticamente susceptíveis. Se estes factores ambientais forem identificados e eliminados, será então possível diminuir o número de crianças com DM1. É com base neste pressuposto que surgiu o estudo TRIGR (Trial to Reduce IDDM in the Genetically at Risk) coordenado pela Universidade de Helsínquia e que está a ser realizado com crianças de 15 países: Austrália, Canadá, República Checa, Estónia, Finlândia, Alemanha, Hungria, Itália, Luxemburgo, Holanda, Polónia, Espanha, Suécia, Suiça e EUA. O recrutamento de famílias para o estudo TRIGR terminou em 2006 com 2160 crianças que vão ser acompanhadas até completarem 10 anos de idade.

O TRIGR iniciou devido a duas constatações simultânias: os bebés alimentados ao peito tinham menos DM1, ao mesmo tempo que se provava a relação entre a Diabetes e o aleitamento com fórmulas infantis à base de leite de vaca. As proteínas do leite de vaca são as primeiras macromoléculas estranhas ao organismo que o bebé tem contacto. Estudos recentes em animais que usaram fórmulas infantis hidrolizadas (fórmulas em que as proteínas são fraccionadas por processos químicos), demonstraram níveis baixos de desenvolvimento da DM1. Evidências sugerem que nos seres humanos poderá acontecer o mesmo.

A explicação, segundo o Prof. Michael Dosch do TRIGR Scientific Advisory Committee, é a seguinte: "parece que sistema imunitário dos bebés com risco genético de DM1 é menos maduro e incapaz metabolizar eficientemente proteínas alimentares estranhas. Isto leva a uma reacção em cadeia que termina com a destruição autoimune das células produtoras de insulina."

quinta-feira, 19 de junho de 2008

EMAGREÇA COM PAUL McKENNA


Um amigo meu começou a emagrecer, desde que pôs em prática algumas regras que viu em programas e vídeos do inglês Paul Mckenna. Disse-me que a principal mudança que fez foi reduzir a rapidez com que comia habitualmente. Poisa sempre os talheres entre garfadas, mesmo a comer a sopa. Resultado come muito menos do que comia antes, não fica com fome e aprendeu a apreciar o sabor da comida.

É mais uma achega para quem queira perder peso. Nunca são demais! Veja o vídeo de Paul McKenna, "I can make you thin" aqui.

terça-feira, 17 de junho de 2008

A DIABETES GESTACIONAL

A Diabetes Gestacional (DG) ocorre em 2 a 5 por cento de todas as mulheres grávidas. É definida como qualquer grau de intolerância aos hidratos de carbono reconhecida pela primeira vez durante a gravidez e surge mais frequentemente no terceiro trimestre de gestação. Pode permanecer ou desaparecer após o parto.

O risco de desenvolver DG está mais aumentado em mulheres que apresentem um ou mais dos seguintes factores:
-idade > 35 anos;
-IMC>30 kg/m2;
-antecedentes de DG;
-quatro ou mais partos;
-história familiar de diabetes (parentes directos);
-maus antecedentes obstétricos (2 ou mais abortamentos);
-história de macrossomia fetal (peso ao nascer superior a 4 kg)

A complicação materna mais frequente é a hipertensão no decurso da gravidez. Quanto ao recém-nascido, tem risco aumentado de nascer com peso excessivo e sofrer traumatismos no parto, entre outros. A hiperglicemia materna aumenta igualmente o risco de morte fetal in útero.

O tratamento passa pela limitação do consumo de hidratos de carbono, principalmente os de assimilação rápida, e exercício físico. Nos casos em que a alimentação e o exercício não são suficientemente eficazes no controle glicémico, o tratamento é realizado com insulina. No entanto, alguns endocrinologistas, equacionam a possibilidade do tratamento da DG poder ser feito com antidiabéticos orais.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A SÍNDROME METABÓLICA


A Síndrome Metabólica (SM), também conhecida por Síndrome X ou Síndrome de Resistência à Insulina, é a doença metabólica mais comum da actualidade e também a que tem maior responsabilidade na ocorrência de eventos cardiovasculares.Caracteriza-se pela associação, no mesmo individuo, de obesidade central e dois ou mais dos factores de risco seguintes: trigliceridos aumentados, baixos níveis de colesterol – HDL (colesterol "bom"), hipertensão arterial e hiperglicemia de jejum. Apesar das causas da SM serem complexas, sabe-se que esta patologia anda invariavelmente associada a uma dieta desequilibrada e a um estilo de vida sedentário.

O maior entrave para o estudo epidemiológico da SM e das suas complicações reside no facto de a sua definição ainda não ser unânime. Na tentativa de uniformizar os parâmetros que definem a SM, a International Diabetes Federation (IDF), propôs uma definição, resultado da fusão das três últimas da OMS, do Grupo Europeu de Estudo sobre Resistência à Insulina (EGIR) e do Adult Treatment Panel III (ATP III).

Os novos critérios propostos para o diagnóstico da SM incluem:

-Obesidade central, definida como perímetro da cintura igual ou superior a 94 cm para homens e 80 cm para mulheres europeus, e alguns outros níveis com especificidade étnica para chineses, japoneses e sul-asiáticos;
-Trigliceridos, a partir de 150 mg/dl;
-Colesterol - HDL, menos de 40 mg/dl, em homens, e menos de 50 mg/dl, nas mulheres;
-Elevação da pressão arterial acima de 130/85 mmHg;
-Hiperglicemia em jejum, definida como glicemia igual ou maior que 100mg/dl.

Daqui se conclui que a obesidade leva ao desenvolvimento da SM, pelo que a perda de peso é a melhor medida de intervenção que melhora todos os factores de risco. A mudança de hábitos de vida com alimentação saudável e prática de exercício físico regular impõem-se nestes doentes.

Imagem:http://www.msd-brazil.com/msdbrazil/patients/sua_saude/diabetes/diab02.html

segunda-feira, 9 de junho de 2008

PRODUTOS NATURAIS NÃO SÃO INOFENSIVOS


Os produtos naturais não são inofensivos, alerta Fernando Martins do Vale, Professor de Farmacologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Plantas
"O efeito terapêutico das plantas é conhecido desde a Antiguidade. Mas é preciso não esquecer que também há muitas plantas venenosas. Dois exemplos: a cicuta, que matou o filósofo Sócrates, e a Ephedra sinica (na imagem), que é proibida na Europa, mas que ainda se consegue encontrar."

Descontrolo
"Quando um produto é classificado como suplemento alimentar, não passa sequer pelo Infarmed. E os chamados produtos naturais de venda livre têm uma regulamentação simplificada a nível da União Europeia. Os casos que se vão sabendo de toxicidade são a ponta do icebergue, porque a maioria dos doentes não refere ao médico que está a tomar certos produtos."

Regulamentação
"Há que submeter os produtos naturais ao mesmo exame de controlo de qualidade e aos testes da relação eficácia/toxicidade a que são obrigados os produtos farmacêuticos. Porque também são medicamentos."

Depuralina
"Deveria continuar suspensa, pois no seu anúncio omite a possibilidade de anafilaxia (alergia grave) verificada nos casos noticiados. Essa omissão pode fundamentar um pedido de indemnização por parte das vítimas."

Termino deixando mais um alerta: é comum confundir "suplementos nutricionais" com "suplementos alimentares". A grande diferença é que os primeiros estão sujeitos ao controlo exigido para os medicamentos, enquanto os segundos não são sujeitos a qualquer controlo.


Fonte: Rubrica "Palavras Cruzadas", Revista "Visão" (08.05.08)

Imagem:http://www.herbies-herbs.com/pages/herbuses-2.html

sábado, 7 de junho de 2008

A Dieta de Hitler


"Diz-me o que comes, dir-te-ei quem és". Adolf Hitler, o Fuehrer da Alemanha nazi, era vegetariano, mas um vegetariano algo estranho. Ele dizia que os elefantes eram o animal mais forte porque não comiam carne e acreditava que os judeus tinham venenos na barriga graças à sua alimentação de carne. O livro "The Sex Life of Food" de Bunny Crumpacker (New York: Thomas Dunne Books, 2006) esclarece-nos sobre a dieta do ditador:

"Começava o dia, segundo conta o seu mordomo, com oito biscoitos, dois copos de leite quente e uma tablete de chocolate amargo, cuidadosamente partida em pedacinhos. O almoço era a sua refeição preferida e começava sempre com uma sopa de legumes. No livro "The Woman who Lived in Hitler's House", Pauline Kohler, uma das suas criadas, listou os ingredientes da sopa Berchtesgaden: cebola, aipo, salsa, batatas, nabos, cenouras, nozes, maçãs, água, farinha e sal. Depois da sopa vinha peixe com molho de manteiga (apesar de os elefantes não comerem peixe - nem aliás biscoitos, nem chocolate, nem molhos de manteiga), batatas salteadas e uma taça de nozes. O jantar era uma refeição simples, talvez apenas puré de batata, ou uma salada de tomate.

Como muitos vegetarianos, Hitler era viciado em chá. Bebia chás de ervas e infusões à base de flores e cascas. Também bebia café - grandes quantidades de café, 16 ou mais chávenas por dia, e depois ficava agitado sem conseguir dormir. Adorava doces e muitas vezes comia 1 kg de chocolates - com mais cafeína - num só dia. Comia enormes quantidades de manteiga - 250 g por dia - e ovos".


Há dietas vegetarianas mais equilibradas. De qualquer modo, o facto de Hitler ser vegetariano, não quer dizer que ser vegetariano é mau. Entre os adeptos desse estilo alimentar encontram-se Paul McCartney, Madonna, Leon Tolstoy, Albert Schweitzer, George Bernard Shaw e Mahatma Gandhi.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

OBESIDADE-Prevenção e Terapêutica

Acaba de sair mais um livro sobre obesidade, desta vez com a coordenação de Alberto Galvão Teles, José Pedro Lima Reis e Teresa Dias, membros da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), intitulado "Obesidade-Prevenção e Terapêutica" (Presença).


"Considerada pela Organização Mundial de Saúde como a epidemia do século XXI, a obesidade é uma doença que, não obstante os crescentes esforços envolvidos no seu combate, continua a ganhar terreno de forma preocupante. Este texto baseia-se nas conclusões da Conferência de Consenso, organizada por peritos da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, e debruça-se sobre temas como a definição, classificação e riscos da obesidade, analisando ainda a sua prevenção e tratamento e incluindo dois capítulos dedicados à obesidade nas crianças e adolescentes.
Um documento de referência que constitui também uma proposta de melhoria de qualidade de vida."


Fonte notícia e imagem: http://www.presenca.pt/

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O GENE DA LONGA VIDA

Um dos encantos turísticos usado para publicitar Limone sul Garda é o facto de a sua população ter "o gene da longa vida". Limone sul Garda é uma comuna na província de Brescia, região da Lombardia, na Itália, com cerca de mil habitantes. O património genético de que tanto se orgulham baseia-se num gene identificado em 1979 pelo Dr. Cesare Sirtori, o ApoA-1 Milano, que resulta de uma mutação natural da apolipoproteína A1 existente na HDL humana (o "bom" colesterol, que está associado à protecção cardiovascular). A apolipoproteína ApoA-1 Milano presente no sangue dos habitantes de Limone sul Garda induz uma forma saudável de HDL que baixa o risco de arterosclerose e de outras doenças cardiovasculares.

Por esta razão Limone sul Garda não só atrai turistas como cientistas de todo o mundo, que pretendem estudar a origem do "tesouro" genético da população, que permaneceu isolada durante séculos. Só em 1930 se construiu a primeira estrada, pelo que o acesso se fazia de barco, atravessando o lago de Garda, ou a pé, após uma grande e árdua travessia das montanhas.

As populações isoladas despertam verdadeiras paixões entre os cientistas da vida uma vez que são laboratórios com grandes dimensões. Recebem poucos forasteiros, o que faz com que as famílias acasalem entre si ao longo de séculos. É esta a explicação da origem e conservação de um precioso património genético que permite estudar a hereditariedade de qualquer gene sem quaisquer interferências.

Segundo os investigadores que reconstruíram a árvore genealógica dos habitantes que possuem a referida mutação, a sua origem remonta a 1780. Os camponeses Cristoforo Pomaroli e Rosa Giovanelli foram os pais do primeiro bebé a nascer com ela. Este bebé deixou como herança a sua "semente" genética, que se perpetuou por casamentos entre "primos" mais ou menos próximos.

Isolar a ApoA-1 Milano, produzi-la sinteticamente e administrá-la de forma segura a doentes cardiovasculares é agora o objectivo de muitos investigadores. A ideia óbvia consiste em tornar-nos mais parecidos com aquela população favorecida. Com a ApoA-1 Milano poderemos talvez viver bem até aos cem...

Imagem: http://www.hotelilma.it/gardalake.php/p-itx4/Vacanze.htm
Vale a pena ver mais fotos: http://www.hotelilma.it/gardalake.php/p-itx4x59/Vacanze_Foto_gallery.htm

terça-feira, 3 de junho de 2008

ACTIVIDADE FÍSICA IDEAL


Praticar uma actividade física com regularidade é a melhor forma de gastar as calorias em excesso, tensão acumulada e combater o stresse.
Para tirar benefícios do exercício físico deverá "queimar" de 700 a 2000 calorias por semana em actividade aeróbica moderada. Os desportos que consomem mais gorduras são os aeróbicos (longa duração e intensidade moderada) como as caminhadas, o jogging, a natação, o ténis, a ginástica...

Andar de forma acelerada (6 km/hora) "queima" aproximadamente 80 calorias por quilómetro. Para "queimar" 700 calorias numa semana precisará de andar cerca de 9 quilómetros ou 90 minutos.

Para "queimar" 2000 calorias (o ideal) precisará andar cerca de 25 quilómetros ou caminhar 5 horas por semana.
No final da caminhada é sempre bom fazer alguns exercícios de alongamento.

Fonte:"Saúde em Revista", Edição 2008

segunda-feira, 2 de junho de 2008

ENTREVISTA PROFESSOR FERNANDO PÁDUA

Fernando de Pádua é um dos cardiologistas mais conceituados em Portugal. Professor catedrático de Medicina Interna e de Cardiologia da Faculdade de Medicina de Lisboa, Fernando Pádua conta com um trabalho de mais de 50 anos a difundir ensinamentos de vida saudável.
Recebeu recentemente o Prémio Nacional de Saúde 2007 pelo "pioneirismo e dedicação do trabalho de promoção e prevenção, que contribuiu inequivocamente para a obtenção de ganhos em saúde".

Transcrevo partes de uma entrevista sua, publicada na revista "Saúde em Revista", edição 2008.

Saúde em Revista-Qual a razão de Portugal ainda apresentar níveis altos de AVC?
Fernando Pádua-Entre nós as doenças cardiovasculares têm melhorado. Nós esquecemo-nos que a educação para a saúde deve começar na tenra idade. A industrialização faz com estejamos mais parados e o marketing televisivo, que há uns anos nos fez bem (nossa Luta Nacional contra a Hipertensão Arterial), está-se a tornar ameaçador sobretudo para as crianças. Os programas infantis estão cheios de publicidade a bebidas com chocolate, bebidas gasosas e a "junk-food", todas as asneiras da comida, o que nos está a tornar obesos. Estamos cada vez mais gordos e preguiçosos! (...)

SR-Quem são realmente os inimigos do coração?
FP-A gordura, o sal e o tabaco são, de facto, os principais inimigos do coração, responsáveis pela subida da pressão arterial, do enfarte do miocárdio e dos acidentes vasculares cerebrais. Devemos comer aquilo que gostamos, mas com mais saladas, fruta e menos doces, aumentar o exercício físico, subir escadas, andar a pé e em especial, não fumar.

SR-É verdade que já há crianças pré-hipertensas?
FP- (...)O ideal é termos tensão abaixo de 12, tudo que é daqui para cima somos nós que fabricamos, por isso pelo que comemos e bebemos há cada vez mais crianças pré-hipertensas, obesas ou pré-diabéticas. Como dizia o mestre Paul White: "doença ou morte antes dos 80 é culpa do homem, não é de Deus nem da Natureza".
(...)Todos nós, pela industrialização, andamos cada vez menos. Veja um exemplo que é comum a muitos portugueses: saímos de casa, entramos no elevador, depois entramos no carro que por sua vez pára mesmo à porta do escritório. Aí subimos de elevador e sentamo-nos em frente ao computador. O que quer dizer que dentro dos factores de risco cardiovascular quando falamos de tensão , diabetes, entre outros, o mais importante é realmente a falta de exercício físico. (...)

SR-Quer dizer que vamos no mau caminho?
FP-Aos 10 anos os miúdos já têm excesso de peso. Não há doença nenhuma genética que mude em poucos anos. A doença dos pezinhos é genética, a hipercolesterolémia familiar também é genética, agora tudo isto que nós temos é devido à mudança dos nossos hábitos, são os nossos comportamentos que estão em causa. Ou nós nos voltamos para as crianças e falamos com elas apresentando as coisas como elas são, dizendo: se comeres doces e fritos vais elevar os níveis de açúcar e colesterol, se não fizeres ginástica correspondente ao que comes, vais engordar; se fumas vais ter problemas nos pulmões. No fundo trata-se de dar aos miúdos o poder de decisão, o que não é difícil, pois eles já decidem sobre a playstation que querem ter ou a roupa que querem vestir.(...)


SR- Por isso a sua grande aposta está agora nos sub-20?
FP- Nós levamos 20 anos a estragarmo-nos. Aos 20 vem um reforço deste estragar pois os jovens sentem-se mais livres, mas gozam a vida com demasiados excessos. Se formos analisar os miúdos de 20 anos vamos constatar que quase todos eles já têm colesterol a mais, já têm pré-hipertensão e excesso de peso. Quase todos fumam, e nesta fase parar de fumar é um grande sacrifício! A lesão arterial na aterosclerose tem factores aceleradores como é o caso da hipertensão, do tabagismo e da hipercolesterolémia- os "assassinos" da população portuguesa.


Os homens ainda continuam a ser os mais atacados pela doença coronária, as mulheres começam agora a ter mais este problema mas vão com 10 anos de atraso. A sua fase de protecção hormonal ajuda muito a que tenham os problemas mais tarde, com excepção das mulheres fumadoras que passam logo para as estatísticas dos homens.

SR-Isso quer dizer que a prevenção na escola não funciona?
FP- Nem na escola nem em parte nenhuma se pensou nas crianças nestes termos. Tudo deve ser ensinado na escola: estilos de vida, riscos de doença, tabaco, álcool, sexo e sida. Mas os problemas não são só do tabaco, é que na escola há miúdos que levam atestado para não fazer ginástica e desporto e para piorar têm hábitos alimentares errados. Enfrentar o problema das doenças do coração só depois dos 20 anos é como ir escondendo todas as asneiras feitas dos 0 aos 20 anos e só então as querer remendar. A nossa prevenção já é secundária, chegamos tarde demais às coisas.

(...)O que se pede às pessoas é que elas emagreçam meio kg por mês, o que dá 6 kg por ano e andem a pé uma hora por dia, o que faz 30 horas por mês! Quanto ao tabaco, esse sim, deve ser totalmente abolido.

Uma atitude inteligente é comer o dobro das coisas que não se gosta e metade das que se gosta. Mas come-se de tudo. As pessoas não sabem que quando nos sentamos à mesa são necessários 20 minutos para que o cérebro receba influxo de que entrou comida no estômago, que foi digerida, que passou para o intestino, entrou no sangue, a glicemia subiu. Se comermos à pressa, o estômago até pode estar cheio, mas a mensagem ainda não chegou ao cérebro e nós continuamos a comer...porque ainda não passou a fome.

SR-As consequências do tabaco são maiores para os homes ou para mulheres?
FP-Uma mulher que fume e tome a pílula está dez vezes mais sujeita a sofrer de doenças cardiovasculares. A pílula com o tabaco aumenta a probabilidade de trobose. Os acidentes vasculares cerebrais em mulheres jovens são quase sempre da associação do tabaco e da pílula. Mas mesmo sem pílula, a mulher que fume perde dez anos de vida, como os homens.

80 por cento das doenças que enchem os hospitais são derivadas dos factores de risco tão nossos conhecidos como: os erros da dieta, o sal, o açúcar, o álcool, o tabaco, a falta de actividade física e a gestão do stress. Já há pessoas a chegar aos 120 perfeitamente activas e lúcidas, ainda não sabemos qual é o limite... por mim eu só peço para chegar aos 120 anos (risos).