A DIETA DO PALEOLÍTICO


Minha coluna "Viver bem até aos 100" do suplemento de saúde do "Diário de Coimbra" de hoje:

No Paleolítico o homem era essencialmente colector e caçador. Por isso tinha uma alimentação à base de frutos frescos e secos, raízes, alguns vegetais, carne selvagem e peixe. O açúcar que comia era o da fruta mas, em dias de sorte, quando era descoberta uma colmeia, tinha direito a mel...

A dieta do Paleolítico foi referida pela primeira vez pelo gastroenterologista Walter Voegtlin, no seu livro "The Stone Age Diet", publicado na Vantage Press em 1975. Voegtlin defende nesse livro que o homem é um animal carnívoro geneticamente adaptado à dieta dos seus ancestrais que viveram há 10.000 anos. A observação da anatomia do tubo digestivo humano, incluindo o formato e o tipo de dentes, o tipo de estômago, o comprimento do intestino e o apêndice vestigial, levou-o à teoria de que a dieta ideal para a saúde e o bem-estar dos seres humanos deve ser semelhante à dos seus antepassados paleolíticos.

O interesse da comunidade científica pela alimentação pré-histórica tem vindo a crescer. Um estudo realizado recentemente na Universidade de Lund, na Suécia, mostrou que se tratava do tipo de alimentação ideal para controlar a diabetes tipo 2. Staffan Lindeberg, o médico responsável por essa investigação, tem procurado compreender os efeitos que os regimes alimentares têm na saúde humana. Algumas populações, como os habitantes das ilhas de Kitava e Trobriand, na Papua Nova-Guiné, onde não existe comida de origem agrícola, "apresentam uma notável ausência de problemas cardiovasculares ou diabetes". A explicação é simples: a agricultura tornou acessíveis os produtos que hoje nos fornecem a maior parte das calorias, como os cereais, lacticínios, gorduras, açúcares simples, etc.

Na verdade, o aparecimento da agricultura foi o primeiro acontecimento histórico a contribuir para o aumento da obesidade. Com uma fonte de alimentação estável e regular, o homem passou de nómada a sedentário, condição que ainda hoje mantém. Passou a produzir tudo o que queria, que é bem diferente daquilo que precisa. Começou a consumir alimentos mais refinados e ricos em açúcares simples que fazem aumentar rapidamente o nível de glicose no sangue. Como resposta a este aumento o pâncreas descarrega insulina. Os níveis de açúcar baixam e o cérebro interpreta esse sinal como um pedido de socorro. Surge então a sensação de fome, dando origem a um novo ciclo. Com sucessivas situações deste género, a obesidade e a diabetes vão avançando, só sendo possível intervir nestes altos e baixos glicémicos com uma resposta insulínica moderada. Para isso necessitamos de ingerir alimentos mais complexos, em vez dos refinados, mais vezes ao dia e em menor quantidade de cada vez, tal como faziam os nossos antepassados na Idade da Pedra. Isto é, precisamos na alimentação de um regresso ao passado.
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