sexta-feira, 30 de maio de 2008

MACACOS EM DIETA

A administração do parque Ohama em Sakai, perto de Osaka, no Japão, viu-se obrigada a tomar medidas para combater a obesidade dos seus macacos Rhesus. Em Junho de 2007, o parque diminuiu a alimentação diária dada a estes primatas, de 10 kg para 2 kg de comida, mas cerca de 30% dos 50 macacos parecem estar ainda com sobrepeso. A razão é que os visitantes continuam a dar comida aos animais.

Esta situação não deixa de ser caricata no país desenvolvido com menor taxa de obesidade do mundo.

Fonte: Reuters

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Manuel Uribe - duas vezes no Guinness


Considerado pelo Livro Guinness dos Recordes como o homem mais gordo do mundo, o mexicano Manuel Uribe, que chegou a pesar 560 kg, quer voltar ao Guinness. Desta vez como o homem que mais peso perdeu do mundo. Para isso conta com a ajuda de médicos que lhe prescreveram um plano alimentar que já o fez reduzir 235 kg.

Este é um caso impressionante de obesidade mórbida num homem que não se levanta da cama há seis anos. Veja o vídeo aqui.

terça-feira, 27 de maio de 2008

A DIETA DO PALEOLÍTICO


Minha coluna "Viver bem até aos 100" do suplemento de saúde do "Diário de Coimbra" de hoje:

No Paleolítico o homem era essencialmente colector e caçador. Por isso tinha uma alimentação à base de frutos frescos e secos, raízes, alguns vegetais, carne selvagem e peixe. O açúcar que comia era o da fruta mas, em dias de sorte, quando era descoberta uma colmeia, tinha direito a mel...

A dieta do Paleolítico foi referida pela primeira vez pelo gastroenterologista Walter Voegtlin, no seu livro "The Stone Age Diet", publicado na Vantage Press em 1975. Voegtlin defende nesse livro que o homem é um animal carnívoro geneticamente adaptado à dieta dos seus ancestrais que viveram há 10.000 anos. A observação da anatomia do tubo digestivo humano, incluindo o formato e o tipo de dentes, o tipo de estômago, o comprimento do intestino e o apêndice vestigial, levou-o à teoria de que a dieta ideal para a saúde e o bem-estar dos seres humanos deve ser semelhante à dos seus antepassados paleolíticos.

O interesse da comunidade científica pela alimentação pré-histórica tem vindo a crescer. Um estudo realizado recentemente na Universidade de Lund, na Suécia, mostrou que se tratava do tipo de alimentação ideal para controlar a diabetes tipo 2. Staffan Lindeberg, o médico responsável por essa investigação, tem procurado compreender os efeitos que os regimes alimentares têm na saúde humana. Algumas populações, como os habitantes das ilhas de Kitava e Trobriand, na Papua Nova-Guiné, onde não existe comida de origem agrícola, "apresentam uma notável ausência de problemas cardiovasculares ou diabetes". A explicação é simples: a agricultura tornou acessíveis os produtos que hoje nos fornecem a maior parte das calorias, como os cereais, lacticínios, gorduras, açúcares simples, etc.

Na verdade, o aparecimento da agricultura foi o primeiro acontecimento histórico a contribuir para o aumento da obesidade. Com uma fonte de alimentação estável e regular, o homem passou de nómada a sedentário, condição que ainda hoje mantém. Passou a produzir tudo o que queria, que é bem diferente daquilo que precisa. Começou a consumir alimentos mais refinados e ricos em açúcares simples que fazem aumentar rapidamente o nível de glicose no sangue. Como resposta a este aumento o pâncreas descarrega insulina. Os níveis de açúcar baixam e o cérebro interpreta esse sinal como um pedido de socorro. Surge então a sensação de fome, dando origem a um novo ciclo. Com sucessivas situações deste género, a obesidade e a diabetes vão avançando, só sendo possível intervir nestes altos e baixos glicémicos com uma resposta insulínica moderada. Para isso necessitamos de ingerir alimentos mais complexos, em vez dos refinados, mais vezes ao dia e em menor quantidade de cada vez, tal como faziam os nossos antepassados na Idade da Pedra. Isto é, precisamos na alimentação de um regresso ao passado.

sábado, 24 de maio de 2008

DIA NACIONAL DE LUTA CONTRA A OBESIDADE

Assinala-se hoje o Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade, cujo lema é "Perder Peso é Divertido". A Associação de Doentes Obesos e Ex-Obesos de Portugal (ADEXO) promove um conjunto de actividades, em diferentes cidades do país, sensibilizando a população para a problemática da obesidade.

Ver programa aqui.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

QUANTO VALE UMA BANANA

A banana é o quarto alimento mais produzido no mundo, a seguir ao arroz, trigo e milho. O seu cultivo teve início no sudeste da Ásia, mas existem ainda muitas espécies de banana selvagem na Nova Guiné, Malásia, Filipinas e Indonésia.

A bananeira é considerada a árvore dos sábios, daí o nome científico Musa sapientum L.. As bananas foram durante muito tempo desconhecidas dos europeus e Júlio Verne, no seu livro "A volta ao mundo em oitenta dias" (1872), descreve-a pormenorizadamente para a dar a conhecer aos leitores.

A bananeira é uma planta de caule subterrâneo do qual surgem folhas que crescem para fora da terra, formando o falso tronco. Cada caule falso dá um ramo de flores que, aos poucos, se vai transformando num cacho de bananas (cada cacho pode dar até 200 bananas!).

Mais de cem tipos de banana são cultivadas em todo o mundo. No Brasil as mais conhecidas são a banana-nanica, banana-prata, banana-maçã, banana-da-terra (as maiores de todas: cada fruto pode medir 30 cm e pesar 500 g), banana de S. Tomé, banana-ouro e banana-sapo.

Informação Nutricional

A banana é um fruto particularmente rico em potássio, magnésio, ácido fólico e vitamina B6. Quando está verde é constituída fundamentalmente por água e amido, daí o seu sabor adstringente. Neste estado a banana é óptima para ser usada em caso de diarreia. À medida que amadurece o amido transforma-se em açúcares simples, glicose e sacarose, o que a torna mais doce e também de mais fácil digestão. Pode, por isso, ser utilizada para resolver problemas de obstipação.

Composição Nutricional

BANANA (valores por 100 g)
Energia 95 kcal
Água 72,1 g
Proteína 1,6 g
Lípidos 0,4 g
Hidratos de Carbono 21,8 g
Fibra 3,1 g
Potássio 425 mg
Magnésio 28 mg
Ácido fólico 14 µg
Vitamina B6 0,29 mg
Cálcio 8 mg

Fonte: Porto, A. e Oliveira, L.. Tabela da Composição de Alimentos. Lisboa: Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. 2006.

terça-feira, 20 de maio de 2008

MINICHEFS DA UE


A Comissão Europeia lançou a campanha "Minichefs da UE" que fornece às crianças conselhos sobre alimentação saudável na cantina escolar ou em restaurantes, com a ajuda de 4000 chefes de cozinha europeus. É mais uma medida de prevenção da obesidade infantil. Existem 45 milhões de crianças obesas na Europa e surgem 400 mil novos casos por ano.

Imagem:http://www.minichefs.com/index.php?home

domingo, 18 de maio de 2008

A AVENTURA DE COMER


Acaba de sair um livro de humor gastronómico de Quino, o criador de Mafalda: "A Aventura de Comer" (Teorema). O livro é uma recolha dos cartunes que Quino desenhou nos últimos três anos para a imprensa argentina, principalmente para o diário "Clarín", nos quais a comida, os comilões, os empregados de restaurantes, os clientes arrogantes e as moscas na sopa são os protagonistas. Ficam duas páginas para abrir o apetite (clique em cima para ampliar):


quinta-feira, 15 de maio de 2008

ASSOCIAÇÃO MÉDICA AUSTRALIANA COMBATE A OBESIDADE


A Associação Médica Australiana (AMA) está preocupada com os números da obesidade no seu país. 50 por cento dos adultos australianos têm sobrepeso e esse fenómeno é semelhante nas crianças e adolescentes. As despesas de saúde com a obesidade e doenças associadas ultrapassa já 1,2 milhões de dólares americanos por ano, pelo que a AMA pede mais responsabilidade por parte da indústria alimentar na luta contra a obesidade. No documento AMA Position Statement on Obesity-2008, a associação deixa clara a sua posição. O problema envolve toda a sociedade (indivíduos, famílias, indústrias, governo, escolas e media) e a sua resolução exige a colaboração de todos.

A epidemia da obesidade explica-se, de uma forma simples, pelo consumo excessivo de calorias e por actividade física insuficiente. No entanto, as escolhas e os comportamentos são influenciados por múltiplos factores, que vão desde preferências individuais e força de vontade até circunstâncias culturais, económicas, científico-tecnológicas, de marketing, etc. Atendendo a tudo isto, e sem pretender desculpabilizar cada indivíduo pelo seu comportamento, a AMA propõe no seu documento medidas abrangentes e multifacetadas.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

ALIMENTAÇÃO NA TERCEIRA IDADE


Actualmente, dado o avanço do conhecimento científico e tecnológico, acredita-se que a potencial esperança de vida do ser humano se situa entre os 110 e os 120 anos. No entanto, muito poucas pessoas vivem até essa idade...

Envelhecer é um processo que começa no momento do nascimento e termina com a morte. Durante o período de crescimento, os processos de construção dos tecidos sobrepõem-se às alterações degenerativas. Quando o corpo atinge a maturidade fisiológica, a mudança degenerativa vai-se tornando superior à taxa de regeneração celular, do que resultam perdas celulares diminuindo a função orgânica e a quebra do consumo energético.

Durante o processo podem ocorrer perdas sensoriais, como diminuição da sensibilidade do paladar e do olfacto, perda de apetite, dificuldade em mastigar, azia, obstipação, intolerância à lactose, isolamento social, incapacidade física, o que faz com que este grupo etário seja vulnerável a situações de desnutrição.

A maior parte dos idosos conserva os hábitos alimentares que praticou durante toda a vida, mas serão necessárias algumas modificações de acordo com as novas necessidades que advêm do lento processo de envelhecimento. É certo que a vida se mantém com menos calorias, mas continua a exigir nutrientes reguladores (vitaminas, minerais, fibras, antioxidantes, ácidos gordos e aminoácidos essenciais) que devem sempre ser fornecidos pelos alimentos.

Uma dieta baixa em gorduras, sal e açúcar, reduzida de proteínas animais (100 g de peixe ou carne por dia, não mais), constituída principalmente por alimentos frescos e variados com quantidades significativas de vegetais crus e fruta, fortalece o sistema imunitário, torna mais lento o processo de envelhecer e mantém a pessoa mentalmente activa.

A ingestão de alimentos deve ser repartida ao longo do dia, de forma a evitar refeições demasiado próximas ou demasiado afastadas. São desejáveis intervalos com cerca de 3 horas e meia a 4 horas entre as refeições, no máximo, devendo ser pouco volumosas e muito fáceis de digerir.

O jejum nocturno não pode exceder 10 horas porque a frequência crescente de idosos que morrem durante a noite é consequência do mau hábito de quase não jantarem e de nada comerem quando vão para a cama. Surge então a hipoglicémia (baixa de glicose no sangue) que, associada à deficiente irrigação cerebral ou cardíaca, pode ser fatal. A solução está em fazer uma refeição ligeira, por exemplo chá e bolachas, antes de deitar.

As pessoas idosas geralmente sentem menos sede, mas devem beber diariamente água, chá, sumos ou outras bebidas não alcoólicas, para prevenir a desidratação. A sopa, duas vezes por dia, dá um óptimo contributo para este objectivo.

Em conclusão, os idosos têm de redobrar os cuidados com a sua alimentação e não podem descuidar a actividade física moderada (marcha), que deve ser praticada tanto quanto possível, porque melhora a circulação, ajuda a controlar a tensão arterial, aumenta o apetite e melhora o humor.

Imagem: http://www.aguamineral.com.br/imagens/agua_saude.jpg

terça-feira, 6 de maio de 2008

O BOTOX AFINAL NÃO É INÓCUO


A neurotoxina botulínica, comercialmente conhecida por Botox, e usada como cosmético no tratamento anti-rugas, afinal consegue "viajar" até ao sistema nervoso central. Esta é a conclusão de um estudo relizado no Instituto de Neurociência de Pisa, em Itália, liderado por Matteo Caleo.

Uma das razões do sucesso e da utilização do Botox em tratamentos cosméticos deve-se ao facto de os cientistas pensarem que a neurotoxina botulínica ficava localizada onde se injectava. No entanto, a descoberta de que a neurotoxina se infiltra no interior das fibras nervosas do cérebro e da medula espinal, é preocupante. Os efeitos são ainda desconhecidos, mas a FDA, organismo americano que controla a segurança dos alimentos e medicamentos, está a pôr em causa a segurança do Botox devido aos temores de que a droga possa, ocasionalmente, provocar dificuldades respiratórias e mesmo a morte. Esta preocupação é acrescida por já haver registos de 1437 efeitos adversos e 16 mortes atribuídos ao uso de Botox em pessoas, entre 1989 e 2003.

O estudo foi publicado em "The Journal of Neuroscience".

segunda-feira, 5 de maio de 2008

"O PÃO, O BIOCOMBUSTÍVEL DAS REVOLTAS"


A propósito do aumento do preço dos bens alimentares em todo o mundo, transcrevo a crónica do jornalista Ferreira Fernandes, publicada no Diário de Notícias de 27 de Abril, intitulada "O pão, o biocombustível das revoltas".
Trata-se de uma antevisão das consequências graves que esta crise alimentar mundial pode tomar, baseada na história.


"Maria Antonieta nunca disse: "O povo não tem pão? Que coma brioches!" Em Confissões, livro escrito em 1766, Jean Jacques Rousseau atribui a frase a uma "grande princesa" e nessa data Maria Antonieta tinha 10 anos e vivia em Viena.
Mas interessa-me a frase porque o estômago vazio é que dá horas às revoluções, não a falta de liberdade. O povo de Paris foi cercar o palácio Trianon, protestando pelo preço do pão, primeiro, e só mais tarde é que decidiu libertar os presos da Bastilha.

Lembro-o pelas revoltas que vão por todo o mundo, do México à Malásia, por causa da escassez de comida. Segundo o Banco Mundial, o preço dos bens alimentares subiu 83% nos últimos três anos. Para explicar o drama global, nada como a língua global: em inglês, esfomeado (hungry) e revoltado (angry) são palavras próximas na escrita e pronunciam-se de forma ainda mais parecida. Entre o engolir em seco e as barricadas vai um intervalo mais curto que uma digestão saudável.

E tudo porque o petróleo sobe a 120 dólares o barril. Subindo, incentiva a compra de biocombustíveis (sem precisar a Rainha Isabel de Inglaterra dizendo: "O povo não faz o pleno com gasóleo? Que encha com etanol!"). Logo, sobe o preço do milho e do açúcar. Não se podendo comprar tanto milho, compra-se mais arroz. O preço do arroz dispara por causa do barril de petróleo, apesar de os seus sacos de bagos não servirem para mover bielas de um motor.

Ciclo infernal. A economia é uma ciência. A ciência é uma coisa de laboratórios. Nos laboratórios há vasos comunicantes. Os vãos comunicantes explicam que nada se perde, tudo se transforma, o que esvazia daqui, enche dali. Quando uma borboleta bate as asas numa refinaria do Iémen, há uma tempestade nos arrozais da Índia. E tudo à volta do essencial, o pão.

D'Os Miseráveis, de Hugo, a Um Dia na Vida de Ivan Denissovitch, de Soljenitsin, tudo anda à volta de um pão. Quando John Ford quer contar um sonho, um símbolo de fartura, a Califórnia, pára numa cena de As Vinhas da Ira. Durante a Grande Depressão, a família de Tom Joad percorre a estrada 66 numa fuga bíblica. Numa estação de serviço (olhem, já lá está o petróleo...), os Joad não podem comprar sanduíches e imploram para levar pão seco (olha, o pão...). O sonho simbólico não vale nada comparado com aquela premência (e preeminência também) enfarinhada.

Que não se brinque com ele, o pão. Habituados que estamos que os conflitos venham de fundamentalistas saciados (com reivindicações de Club Méditerranée, com paraísos e virgens), era bom que descêssemos à terra. O pão é o biocombustível das revoltas a sério. Esse, sim, é um problema que não tem outra solução senão resolvê-lo."

Fonte da Imagem: http://www.algosobre.com.br/images/stories/historia/revolucao_francesa_bastilha.jpg

domingo, 4 de maio de 2008

COZINHA PARA CRIANÇAS NA WEB


O site http://spatulatta.com/ ensina as crianças a confeccionar receitas simples e saudáveis através de vídeos. Um dos objectivos é encorajar as crianças a comer mais vegetais e mais frutas, e a perceberem melhor a ligação que existe entre a quinta e a mesa de jantar.
Os vídeos do programa de culinária são feitos por duas meninas de 9 e 11 anos, Belle e Liv Gerasole (na foto).