EMAGRECER COM MEDICAMENTOS


Estamos na época do ano em que maior preocupação há com o problema do peso, mas mais por uma questão estética do que para beneficiar a saúde. O desejável seria que essa preocupação se mantivesse ao longo de todo o ano, porque o excesso de peso relaciona-se com inúmeros outros problemas de saúde, como diabetes, doenças cardiovasculares, doenças osteoarticulares, alguns tipos de cancro, entre outros.

Emagrecer sem esforço é utópico! Perder peso fácil está sempre associado à ideia de recurso a fármacos, mas a experiência das complicações resultantes pela administração de várias fórmulas de medicamentos dietéticos, ao longo de décadas, tem posto em causa a relação benefício/risco.

Nos anos 30, o fármaco da moda para emagrecer era o dinitrofenol que ajudava o corpo a queimar as gorduras. Infelizmente, também provocava cegueira e morte. Nas décadas de 50 e 60, quem queria emagrecer tomava anfetaminas para suprimir o apetite e acelerar o metabolismo, até se concluir que as pessoas ficavam paranóicas e, quando paravam de tomar, sentiam-se deprimidas e com risco de criar dependência e problemas cardíacos. Perante tal situação, e para minimizar estas reacções adversas, a FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos , exigiu que o período de toma destes medicamentos, não fosse superior a três meses.

Actualmente, estão no mercado dois fármacos cujos princípios activos são a sibutramina e o orlistat, considerados suficientemente seguros para poderem ser receitados até um ano. Os respectivos mecanismos de acção são diferentes, mas ambos têm efeitos secundários:

-Sibutramina: está classificada como inibidor de recaptação de serotonina/norepinefrina e actua aumentando os níveis de norepinefrina e serotonina, dois neurotransmissores que ajudam a controlar o apetite. O aumento da preesão arterial é o principal efeito secundário, pelo que é desaconselhado a pessoas com hipertensão arterial não controlada;

-Orlistat: é um inibidor da lipase, enzima produzida no pâncreas que é bloqueada impedindo que cerca de 30% da gordura alimentar seja digerida, não sendo, por isso, absorvida no intestino. Os efeitos indesejáveis são produção de fezes oleosas e má absorção de vitaminas lipossolúveis (Vit. A, D, E e K). Aconselha-se, então a quem esteja a tomar orlistat, a compensar com suplementos destas vitaminas e a ter atenção à falta de vitamina B12 e ferro.

A prescrição médica de qualquer um destes dois medicamentos inclui sempre a recomendação de modificações dietéticas e comportamentais com aumento da actividade física, o que equivale a dizer que mesmo com o uso de medicamentos têm que se mudar hábitos. E é isso que custa.
A determinação de cada um mostrará qual o melhor caminho para emagrecer.

"A maior parte das pessoas que mantêm um peso saudável, só o consegue graças a um esforço consciente" (James Hill)
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