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"SUPER VEGAN ME"


Para se perceber melhor o título deste post, temos que voltar a 2004, ano em que Morgan Spurlock realizou um filme-documentário intitulado "Super Size Me". O documentarista submeteu-se durante dois meses a uma alimentação exclusivamente no McDonald's, para provar que o "fast-food" era prejudicial à saúde.
Entre nós, um jovem jornalista da Visão, submeteu-se recentemente a uma dieta vegetariana radical durante dois meses. João, de 1,77m de altura iniciou a experiência "Super Vegan Me" com 68 kg, tensão arterial normal e análises com valores próprios de um jovem saudável. A supervisão médica ficou a cargo da Dra Isabel do Carmo.

O primeiro dia como vegetariano (…) comi muesli integral e frutos exóticos, com leite de soja, amêndoas e uma bolacha com doce de morango. Gostei (…), o leite de soja (um dos meus maiores receios) foi uma agradável surpresa. Os primeiros tempos foram de descoberta, boas surpresas e algumas desilusões.(…)”

(…)”Nos primeiros quatro dias, emagreci dois quilos. O que me assustou. Parti para a aventura com 68 quilos, e a continuar a este ritmo desapareceria. Mas, depois da primeira semana, o meu peso estabilizou e apurei o método para não passar fome. Aprendi a manejar a soja, e a cozinha tornou-se na divisão da casa onde passava mais tempo. Comecei a fazer as refeições para levar para o trabalho, uma vez que, na cantina, não me safava. Apesar de haver uma opção vegetariana, esse prato incluía sempre queijo ou natas, ou seja, derivados animais proibidos.”

“Os primeiros tempos de acerto, na cozinha, originaram algumas aberrações culinárias. Algo que os meus amigos não estavam dispostos a partilhar,(…) a mesa foi dividida, numa espécie de apartheid gastronómico. (…) pelos meus olhos desfilou um cortejo de queijo da serra, brie, alheira, linguiça caseira e um cento de piadas dirigidas à minha condição. (…) os petiscos carnívoros ficaram prontos a comer, enquanto eu cozia fusilli, cortava tomate, batata, cebola e maçã, a que juntava agrião, amêndoas, orégãos e alcaparras. (…)
“(…) À medida que as primeiras semanas corriam, o tempo dilatava. Parecia estar a comer vegetais há meses, (…)

”(...) Admito a possibilidade de ter consumido outros derivados animais, durante os dois meses, por falha involuntária na inspecção do rótulo (…) Estava a aguentar-me bem – e a coisa, afinal, não era tão complicada como supusera. No entanto, à sexta semana, comecei a contar os dias para me libertar da experiência.“

“(…) Mas há o outro lado da moeda. Quanto ao meu organismo, deixei de sentir o peso excessivo do almoço, que pede uma sesta e o desapertar do cinto. Uma refeição vegetariana é mais digestiva e harmoniosa para o corpo, isenta de enfartamento. E, por exemplo, os meus intestinos nunca foram tão felizes. Contudo, os resultados das análises revelaram-se desanimadores, o que é normal – não tomei qualquer suplemento, e o cuidado com o equilíbrio nutricional passou para segundo plano com o avançar do
calendário."

Para a médica Isabel do Carmo, a dieta a que me submeti «apresenta carências, uma vez que a evolução do ser humano sempre se fez como omnívoro».

"Não quis ser um “case study” nem provar coisa alguma. Também não o fiz para melhorar a saúde, ou por motivos espirituais ou de compaixão pelos animais. Quis, apenas, testar-me e relatar as alterações drásticas no meu quotidiano. Findos os dois meses, resgatei a liberdade de comer o que me apetece. Mas fiquei fã da comida vegetariana –desde que não confeccionada por mim. “

Conclusão: a alimentação humana para ser saudável deve ser maioritariamente de origem vegetal. No entanto, necessitamos de uma alimentação variada e sem restrição de qualquer grupo de alimentos. Tomemos como referência a "Roda dos Alimentos" e fixemo-nos nas proporções de cada grupo. Só assim asseguramos uma alimentação sem excessos nem carências.
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