sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

NATAL À MESA


O Natal está à porta!
No dia 24, as famílias reúnem-se para a consoada, vindas de todos os lados do país e do mundo, para virem comer os saborosos bolinhos de bacalhau, os filetes de polvo, o bacalhau cozido com batatas, ovo e couve portuguesa, regados com o melhor azeite caseiro guardado especialmente para este dia. Seguem-se as sobremesas postas numa enorme mesa pródiga de belas iguarias: rabanadas, filhoses, fritinhas de abóbora, velhoses, broínhas, aletria, arroz doce, mexidos, formigos, azevias, sonhos, cuscurões,... sem esquecer o bolo-rei que os adultos acompanham com um cálice de vinho do porto. No dia 25, numa mesa cheia de frutos secos e cristalizados, come-se o perú assado recheado ou leitão ou cabrito, devidamente guarnecidos. A mesa das sobremesas mantém-se, mas sugiro que acrescentem frutas frescas porque desenjoam e ajudam a digestão.

Natal é tempo de festa e devemos vivê-lo à nossa boa maneira regional. Dias de festa são dias de fartura à mesa. Não se preocupe demasiado com a balança, porque não são os excessos cometidos em dois dias que são responsáveis por aumento significativo e sustentado de peso. Mas lembre-se, a partir do dia 26, resista a comer o que sobrou. Congele os restos porque corre o risco de prolongar os excessos gastronómicos até ao dia de ano novo, e aí tudo se pode complicar.

Termino com votos de BOAS FESTAS e com uma receita de cuscurões (fritas próprias para comer nesta época).


CUSCURÕES
Sal marinho q.b. Raspa de limão q.b. Canela em pó q.b. Erva doce q.b. Vinho branco 1 dl Azeite q.b. Canela q.b. Farinha 1 kg Açúcar q.b. Ovos 3 uni. Banha 125 g

Preparação

Numa tijela, misture todos os ingredientes envolvendo-os bem. Amasse até obter uma massa homogénea e elástica. Estenda bem a massa, esta deve ficar bem fina e corte em rectângulos. O segredo está no fritar, que deve ser numa quantidade pequena de azeite e deve-se movimentar o cuscurão com a escumadeira para ele crescer.
Polvilhe com canela e açúcar.

domingo, 16 de dezembro de 2007

ALIMENTOS, NUTRIÇÃO, ACTIVIDADE FÍSICA E PREVENÇÃO DO CANCRO: Perspectiva Global


Um dia depois de ter postado sobre alimentação e prevenção de cancro chegou às minhas mãos o livro "Food, Nutrition, Physical Activity, and the Prevention of Cancer: a Global Perspective", produzido pelo World Cancer Research Fund e pelo American Institute for Cancer Research.
Mais de 7000 trabalhos científicos, que estabelecem relações entre dieta, actividade física, sobrepeso e risco de contrair cancro, estão na base das conclusões apresentadas neste livro. Estas conclusões reuniram o consenso de um painel de 21 especialistas de renome mundial, que analisaram trabalhos de pesquisa nesta área realizados ao longo de décadas.

O objectivo do World Cancer Research Fund Global Network é " ajudar as pessoas a fazer escolhas que reduzam o risco de desenvolver cancro". Transcrevo as 8 recomendações principais:

1 - Gordura Corporal: Estar, tanto quanto possível, dentro do peso adequado para a altura. O Indice de Massa Corporal (IMC) de um adulto médio deve situar-se entre 21 e 23;

2 - Actividade Física: A actividade física deve ser diária. Limitar actividades sedentárias como ver televisão, por exemplo.
A actividade física moderada equivale a 30 minutos de caminhada por dia;

3 - Alimentos e bebidas que promovem o aumento de peso: Limitar o consumo de alimentos com densidade energética elevada (com muita gordura e/ou açúcar). Evitar bebidas açucaradas nas quais se incluem os sumos de fruta. Este tipo de alimentos e bebidas têm contribuído para o aumento global da obesidade;

4-Alimentos de origem vegetal: Comer mais alimentos de origem vegetal. Um regime alimentar que inclui elevado e variado consumo de alimentos vegetais protege de vários tipos de cancros. Talvez porque os vegetais são alimentos ricos em variadíssimos nutrientes, em fibras e têm baixa densidade energética;

5-Alimentos de origem animal: limitar o consumo de carnes vermelhas e evitar a carne processada (enchidos e fumados). O consumo de carne vermelha não deve ser superior a 300 g por semana;

6-Bebidas alcoólicas: limitar o consumo de bebidas alcoólicas. Existem fortes indícios de que o consumo excessivo é responsável por diversos tipos de cancro;

7-Conservação, processamento e preparação: Limitar o consumo de sal para não exceder 5 g diários (corresponde a 2 g de sódio). Minimizar a exposição às aflotoxinas produzidas pelo bolor. Não comer os alimentos que ganharam bolor (pão, feijão, frutas...).
Existem fortes suspeitas de que o sal e alimentos conservados pelo sal são provavelmente causa de cancro de estômago e que os alimentos contaminados com aflotoxinas (produzidas pelos bolores) são uma das causas de cancro do fígado.

8-Suplementos alimentares: As necessidades nutricionais devem ser garantidas exclusivamente pelos alimentos (excepção apenas em algumas situações de doença ou de dieta desadequada). O elevado consumo de suplementos dietéticos pode ser protector, mas também pode ser causa de cancro.

Termino com a transcrição de duas recomendações especiais, que se referem à amamentação e a pessoas que sobreviveram ao cancro:

-Alimentação ao peito: As mães devem alimentar os seus bebés exclusivamente ao peito até aos seis meses (exclusivamente significa só leite materno, sem outro alimento ou bebida, incluindo a água). A amamentação protege ambos, a mãe e a criança.

-Sobreviventes do cancro (inclui todos, mesmo os que se encontram na fase activa do tratamento): Devem seguir as 8 recomendações para a prevenção do cancro. Pode haver, no entanto, situações específicas em que estes conselhos não se aplicam momentaneamente, pelo facto do tratamento comprometer a função gastrointestinal.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

ALIMENTAÇÃO E PREVENÇÃO DE CANCRO


Investigações que têm envolvido cientistas de todo o mundo em pesquisas e estudos acerca da relação alimentos, nutrição e cancro permitem afirmar que as práticas alimentares de cada um são importantes quer na diminuição do risco (protecção contra cada tipo de cancro), quer na possibilidade do seu aumento.
Todos os dias o nosso organismo é sujeito a "agressões" de várias origens - alimentos, poluentes atmosféricos, radiações, microorganismos, entre muitos outros.

Conhecem-se cada vez melhor os mecanismos agressores que lesam as células, mas também, para nossa sorte, dispomos de meios de defesa atentos que evitam a sua degenerescência. Na luta entre agressores e protectores, sempre presentes em tudo o que se come e bebe, está a natureza das pessoas e as vulnerabilidades induzidas por factores não alimentares. Quando se herda susceptibilidade para ter cancro e/ou se sofrem múltiplas agressões ambientais, mais cuidado e atenção se deve dar à forma como se come.

Os conhecimentos actuais permitem definir algumas regras para reduzir, a sério, a frequência e gravidade de muitos cancros:

-Limitar o consumo global de gorduras e alimentos muito gordos - fritos, folhados, assados com gordura, cremes e molhos gordos para temperar e barrar - além de outras substâncias gordas mais agressivas como gorduras vegetais hidrogenadas que estão presentes num grande número de alimentos processados industrialmente - bolos, bolachas, biscoitos, alimentos infantis, cremes vegetais para barrar o pão, etc, etc - (ler rótulos atentamente!);

-Aumentar substancialmente, no maior número de refeições, o consumo de hortaliças, legumes frescos e frutos em natureza muito coloridos e não esquecer três "branquinhos" importantes - alhos, cebolas e maçãs;

-Cereais e produtos cerealíferos completos são tidos como mais interessantes, do ponto de vista da prevenção do cancro, do que os seus equivalentes muito embranquecidos e espoados;

-Refrear o apetite, isto é, não comer demais e reduzir o mais possível o sal;

-Reduzir a utilização de alimentos fumados ou conservados em salmoura nitrosa. Os fumados impregnam-se de compostos altamente cancerígenos, por isso deve rejeitar-se a tripa dos enchidos e a camada superficial negra do presunto. É salutar comer em simultâneo frutos citrinos ou quivis, produtos hortícolas de cor verde escura, chá verde, azeitonas ou azeite porque na sua constituição entram substâncias que neutralizam a acção maléfica dos alimentos fumados.

-Consumir com moderação bebidas alcoólicas e preferir vinho tinto às principais refeições pela riqueza em compostos fenólicos antioxidantes. Não esquecer que existe uma forte relação entre o consumo elevado e regular de cerveja e bebidas alcoólicas destiladas com carcinomas da boca, laringe, pulmão, esófago, cólon, recto, relação essa muito potenciada nos que também fumam exageradamente.

Em conclusão: o cancro torna-se mais raro em pessoas que adoptam, desde cedo, um tipo de alimentação variada e equilibrada, mantendo o seu peso dentro de valores desejáveis, complementada com actividade física e hábitos de vida saudáveis sem fumo e sem álcool.

domingo, 9 de dezembro de 2007

QUILOS DE INVERNO


O Inverno começa daqui a poucos dias e é uma época propícia ao ganho de peso. Os dias pequenos, frios e chuvosos convidam mais ao sofá, e o sofá convida mais a comer. Sim, herdámos, sem nos darmos conta, o péssimo hábito americano de comer enquanto vemos televisão. E agora, tal como eles, temos nas mãos a batata quente do excesso de peso e obesidade na população.

Mas, voltando ao sofá... O que habitualmente se come no sofá vem num pacote e o que vem num pacote está, salvo raríssimas excepções, carregado com dois dos três ingredientes: gordura, sal ou açúcar. Os três pilares da alimentação má que pode levar ao excesso de peso e obesidade. Atenção, portanto, aos pacotes! Até porque comer de um pacote implica só parar quando já não há mais no pacote. E depois... estamos sentados no sofá, ou seja inactivos fisicamente. Resultado: calorias em excesso vão para o "armazém" sob a forma de gordura. Agora multiplique-se isto por 90 dias, o tempo que dura o Inverno. O resultado pode ser desastroso. Pense nisto! No Inverno proteja-se dos kilos, não leve pacotes para casa, coma de forma sensata só às refeições, ande a pé, ao ar livre e aproveite o sol de Portugal.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

GORDURAS TRANS


Consumir alimentos gordos em excesso é um dos erros alimentares mais comuns e mais perigosos que se pratica nas sociedades modernas. A indústria usa e abusa da gordura para tornar os alimentos mais apetitosos e "inventou" uma gordura, que permite prolongar o tempo de vida dos alimentos, mas que é particularmente perigosa para a saúde. Refiro-me às gorduras trans ou gorduras hidrogenadas que são saturadas artificialmente com átomos de hidrogénio. A designação "trans" tem a ver com a disposição dos átomos de carbono na cadeia do ácido gordo. Assim, quando um ácido gordo tem uma ou mais ligações não saturadas (ligações duplas), as cadeias de carbono podem ter a disposição de “cunha” (cis) ou “sela” (trans).


A maioria dos ácidos gordos presentes nos alimentos tem a configuração cis, mas durante o processo de hidrogenação para transformar os óleos vegetais (que são líquidos à temperatura ambiente) em sólidos, ou por aquecimento dos alimentos ricos em gordura, formam-se ácidos gordos trans.

Os ácidos gordos trans aumentam o colesterol total e estão presentes principalmente nas margarinas vegetais de mesa e cozinha, natas para o café e fritos, bolos, gelados, bolachas e pão elaborados com margarinas deste tipo. A proliferação de restaurantes de comidas rápidas e o elevado consumo de alimentos embalados tem provocado um aumento significativo do consumo deste tipo de gorduras na população. A título de exemplo, a ingestão estimada de ácidos gordos trans nos EUA é de 8 a 13 gramas por dia em média, mas para os que se alimentam principalmente de comidas rápidas, a ingestão pode chegar aos 30 gramas por dia. Os efeitos negativos sobre o perfil lipídico verificam-se com ingestões de 20 a 40 gramas por dia.

O modo como podemos identificar os alimentos que contêm este tipo de gorduras é através da leitura dos rótulos, uma vez que estas não existem nos alimentos naturais. A nomenclatura utilizada na rotulagem é “gordura vegetal hidrogenada” ou “gordura vegetal parcialmente hidrogenada”. Sempre que um alimento contenha na lista de ingredientes qualquer destas inscrições, sabemos tratar-se de uma gordura trans prejudicial à saúde.