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HÁ SAL E SAL



O sal é um componente essencial na alimentação humana utilizado desde tempos imemoriais que nos transportam para o início da Idade do Ferro. Depois da água, o sal é o composto mais abundante à superfície da Terra.

O comércio do sal teve sempre grande importância económica, sendo causa de conflitos políticos e de guerras. Usado como objecto de troca, o nome sal (do latim sal, salis) deu origem ao termo salário, por ser utilizado para remuneração dos legionários romanos. Da passagem dos Gregos pela Península Ibérica (anterior aos romanos) ficaram os vocábulos hals, halos, donde veio o nome dado ao cloreto de sódio encontrado em depósitos naturais – halite (sal-gema).

Os termos sal e sódio são usados incorrectamente, como sinónimos. O sal é o cloreto de sódio (40% de sódio e 60% de cloro). O sódio é um nutriente essencial à vida e todas as células precisam dele para funcionarem adequadamente, desde que respeitados os limites próprios. O cloro é essencial a uma boa saúde, sendo parte indispensável no desempenho de funções vitais.

A ingestão excessiva de sal pode fazer subir a tensão arterial, aumentando os riscos de acidente vascular cerebral e doença cardíaca, provocar cancro de estômago, insuficiência renal, enxaqueca e outras cefaleias, inchaços, pernas entumescidas e turgescência de veias e capilares, além de que promove perdas de cálcio, agravando a osteoporose.

A questão que se coloca é: Quanto sal?
As necessidades de sódio variam com a idade, com o esforço e perdas através da transpiração, mas a quantidade mínima estimada para um adulto, segundo a National Academy of Sciences, é de cerca de 1,5 mg a que correspondem aproximadamente 4 g de sal por dia.

Mas há sal e sal… O simples cloreto de sódio, não se compara nem em qualidade nem em sabor, ao sal marinho tradicional extraído das salinas artesanais. Na sua constituição entram em valores médios aproximados, 77,7% de cloreto de sódio, 10,9% de cloreto de magnésio, 4,7% de sulfato de magnésio, 3,5% de sulfato de cálcio e 3,2% de diversos outros sais: sulfato de potássio, cloreto de potássio, carbonato de cálcio, brometo de magnésio, iodeto de potássio. O sal marinho tradicional é naturalmente húmido, e isto deve-se à presença do magnésio.

O sal processado industrialmente perde características interessantes, do ponto de vista nutricional, durante o processo de lavagem a que é sujeito. São eliminados componentes nomeadamente o plâncton, o krill (pequeno camarão invisível) e restos de esqueletos de pequenos animais marinhos, óptimas fontes de cálcio natural, iodo, magnésio, zinco, cobre, molibdénio… O sal refinado, porque lavado, é empobrecido e, posteriormente, “enriquecido” com aditivos químicos de compensação, em quantidades não fisiológicas, prejudiciais.

A Nutrição é importante para uma boa saúde. Uma alimentação saudável exige sal marinho artesanal, o mais velho aditivo do mundo que se conhece!
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