terça-feira, 26 de junho de 2007

O PESO DAS ESTRELAS


Segundo o astrofísico Mário João Monteiro, professor da Universidade do Porto, “a vida das estrelas é uma sequência de tentativas (algumas com sucesso mas outras não) de impedir que o seu peso a destrua… porque, como gasta energia a estrela ‘envelhece’, logo todas as estrelas têm um início, uma juventude (intempestiva), uma idade adulta, uma velhice e um fim. Assim ao longo da sua vida o interior da estrela vai mudando (por vezes de uma forma drástica) adaptando-se como pode ao efeito da força inevitável que é o seu peso”.Devíamos aprender com as estrelas. De facto, tal como elas, temos de impedir que o peso nos destrua... O peso excessivo representa uma sobrecarga para o coração.

As doenças cardiovasculares têm liderado, ano após ano, as causas de morte em todo mundo. Os números não deixam margem para dúvidas: 16,6 milhões de mortes por ano, dos quais seis milhões na Europa. Destes seis milhões, 50 mil ocorrem em Portugal. É muita gente!

Diz-se que as vítimas são mais homens do que mulheres, mas, entre nós, é precisamente ao contrário. Morrem mais mulheres por doença cardiovascular do que homens porque elas são, em média, mais obesas do que eles. As mulheres estão realmente mais protegidas até à menopausa, mas, a partir dessa altura, o risco aumenta drasticamente.

A maior parte dos factores de risco são bem conhecidos: não só a obesidade, mas também a hipertensão arterial, a hipercolesterolemia (colesterol elevado), o tabagismo, o stress, a ausência de actividade física… só para referir alguns.

Quando se comparam as estatísticas de saúde de 1996 com as de 2006, até ficamos animados: o número de fumadores diminuiu, há maior controlo da hipertensão arterial e da hipercolesterolemia, em parte porque se desenvolveram fármacos adequados. Mas ficamos desanimados com o aumento acentuado do número de indivíduos obesos. Em particular, é indispensável lutar contra a obesidade que anda aliada à diabetes.

Obesos e diabéticos têm um risco acrescido de virem a sofrer um evento cardiovascular, um risco que só diminui com a prática de uma actividade física regular. Esta favorece a circulação e é um precioso auxiliar na perda de peso.

Estes e outros problemas foram debatidos em Coimbra nas VII Jornadas Científicas da Fundação Portuguesa de Cardiologia – Delegação do Centro, sob o lema “Previna Hoje…Viva Amanhã!”. Cabe a cada um de nós vigiar o seu peso! A nossa esperança de vida e a nossa qualidade de vida dependem desse cuidado. Tal como as estrelas, precisamos de nos livrar do excesso de peso para vivermos mais...

domingo, 24 de junho de 2007

PELO S. JOÃO SARDINHAS NO PÃO


Sobre o tão apreciado petisco português circulam os mais variados provérbios. Por exemplo, para agradar às mulheres baixas, “A mulher quer-se pequenina como a sardinha” e, em especial para as mulheres altas “De sardinha e de mulher, da maior que houver”.

A sardinha, pequena ou grande, foi o principal alimento das classes populares em Portugal durante muitos séculos, principalmente por ser um peixe barato (um cento de sardinhas custava menos do que uma só pescada ou sável). No livro “Portugal à Mesa:1800-1850” (Hugin, 2000) Isabel Drumond Braga escreve: “…Tenha-se em atenção que a sardinha era normalmente de boa qualidade, do agrado dos estrangeiros e de grande consumo popular. Algumas mulheres vendiam sardinhas assadas sobre placas de ferro e fritas em azeite, acompanhadas de pão, nas ruas de Lisboa.” Esta tradição chegou aos nossos dias, estando bem patente nas festas dos santos populares. Quem não aprecia o cheiro, bem português, da sardinha assada nas ruas? E quem não aprecia uma sardinha, acabadinha de assar na brasa, em cima de um pedaço de broa?

Do ponto de vista nutricional, as sardinhas são muito ricas: fornecem maioritariamente proteínas de alto valor biológico (cerca de 25 por cento) e lípidos constituídos, em maior percentagem, por ácidos gordos polinsaturados do tipo ómega três. Possuem quantidades apreciáveis de vitamina A, niacina, vitaminas B6 e B12 e outros constituintes minerais como cálcio, ferro, fósforo magnésio, iodo, e sódio. Embora a sardinha seja classificada como peixe gordo, a sua gordura é bastante saudável. É recomendado o seu consumo frequente na prevenção de doenças cardiovasculares e, mais recentemente, na prevenção de doenças psíquicas e neurológicas (o peixe e os óleos de peixe são, talvez, os “alimentos para o cérebro” que mais têm sido estudados, devido à presença neles de ácidos gordos ómega três, principais constituintes da membrana celular das células nervosas).

O excelente valor nutritivo das sardinhas justifica o seu consumo ao longo de todo o ano. No entanto, a sua composição (portanto, a quantidade de gordura) varia conforme a época em que elas são capturadas. É no Verão que as sardinhas apresentam o maior tamanho assim como o teor de gordura que as tornam tão saborosas. Diz o povo que “pelo S. João pinga no pão”. Se ao pão juntarmos uma sardinha, festejaremos a chegada do Verão da melhor maneira...