sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

NATAL À MESA


O Natal está à porta!
No dia 24, as famílias reúnem-se para a consoada, vindas de todos os lados do país e do mundo, para virem comer os saborosos bolinhos de bacalhau, os filetes de polvo, o bacalhau cozido com batatas, ovo e couve portuguesa, regados com o melhor azeite caseiro guardado especialmente para este dia. Seguem-se as sobremesas postas numa enorme mesa pródiga de belas iguarias: rabanadas, filhoses, fritinhas de abóbora, velhoses, broínhas, aletria, arroz doce, mexidos, formigos, azevias, sonhos, cuscurões,... sem esquecer o bolo-rei que os adultos acompanham com um cálice de vinho do porto. No dia 25, numa mesa cheia de frutos secos e cristalizados, come-se o perú assado recheado ou leitão ou cabrito, devidamente guarnecidos. A mesa das sobremesas mantém-se, mas sugiro que acrescentem frutas frescas porque desenjoam e ajudam a digestão.

Natal é tempo de festa e devemos vivê-lo à nossa boa maneira regional. Dias de festa são dias de fartura à mesa. Não se preocupe demasiado com a balança, porque não são os excessos cometidos em dois dias que são responsáveis por aumento significativo e sustentado de peso. Mas lembre-se, a partir do dia 26, resista a comer o que sobrou. Congele os restos porque corre o risco de prolongar os excessos gastronómicos até ao dia de ano novo, e aí tudo se pode complicar.

Termino com votos de BOAS FESTAS e com uma receita de cuscurões (fritas próprias para comer nesta época).


CUSCURÕES
Sal marinho q.b. Raspa de limão q.b. Canela em pó q.b. Erva doce q.b. Vinho branco 1 dl Azeite q.b. Canela q.b. Farinha 1 kg Açúcar q.b. Ovos 3 uni. Banha 125 g

Preparação

Numa tijela, misture todos os ingredientes envolvendo-os bem. Amasse até obter uma massa homogénea e elástica. Estenda bem a massa, esta deve ficar bem fina e corte em rectângulos. O segredo está no fritar, que deve ser numa quantidade pequena de azeite e deve-se movimentar o cuscurão com a escumadeira para ele crescer.
Polvilhe com canela e açúcar.

domingo, 16 de dezembro de 2007

ALIMENTOS, NUTRIÇÃO, ACTIVIDADE FÍSICA E PREVENÇÃO DO CANCRO: Perspectiva Global


Um dia depois de ter postado sobre alimentação e prevenção de cancro chegou às minhas mãos o livro "Food, Nutrition, Physical Activity, and the Prevention of Cancer: a Global Perspective", produzido pelo World Cancer Research Fund e pelo American Institute for Cancer Research.
Mais de 7000 trabalhos científicos, que estabelecem relações entre dieta, actividade física, sobrepeso e risco de contrair cancro, estão na base das conclusões apresentadas neste livro. Estas conclusões reuniram o consenso de um painel de 21 especialistas de renome mundial, que analisaram trabalhos de pesquisa nesta área realizados ao longo de décadas.

O objectivo do World Cancer Research Fund Global Network é " ajudar as pessoas a fazer escolhas que reduzam o risco de desenvolver cancro". Transcrevo as 8 recomendações principais:

1 - Gordura Corporal: Estar, tanto quanto possível, dentro do peso adequado para a altura. O Indice de Massa Corporal (IMC) de um adulto médio deve situar-se entre 21 e 23;

2 - Actividade Física: A actividade física deve ser diária. Limitar actividades sedentárias como ver televisão, por exemplo.
A actividade física moderada equivale a 30 minutos de caminhada por dia;

3 - Alimentos e bebidas que promovem o aumento de peso: Limitar o consumo de alimentos com densidade energética elevada (com muita gordura e/ou açúcar). Evitar bebidas açucaradas nas quais se incluem os sumos de fruta. Este tipo de alimentos e bebidas têm contribuído para o aumento global da obesidade;

4-Alimentos de origem vegetal: Comer mais alimentos de origem vegetal. Um regime alimentar que inclui elevado e variado consumo de alimentos vegetais protege de vários tipos de cancros. Talvez porque os vegetais são alimentos ricos em variadíssimos nutrientes, em fibras e têm baixa densidade energética;

5-Alimentos de origem animal: limitar o consumo de carnes vermelhas e evitar a carne processada (enchidos e fumados). O consumo de carne vermelha não deve ser superior a 300 g por semana;

6-Bebidas alcoólicas: limitar o consumo de bebidas alcoólicas. Existem fortes indícios de que o consumo excessivo é responsável por diversos tipos de cancro;

7-Conservação, processamento e preparação: Limitar o consumo de sal para não exceder 5 g diários (corresponde a 2 g de sódio). Minimizar a exposição às aflotoxinas produzidas pelo bolor. Não comer os alimentos que ganharam bolor (pão, feijão, frutas...).
Existem fortes suspeitas de que o sal e alimentos conservados pelo sal são provavelmente causa de cancro de estômago e que os alimentos contaminados com aflotoxinas (produzidas pelos bolores) são uma das causas de cancro do fígado.

8-Suplementos alimentares: As necessidades nutricionais devem ser garantidas exclusivamente pelos alimentos (excepção apenas em algumas situações de doença ou de dieta desadequada). O elevado consumo de suplementos dietéticos pode ser protector, mas também pode ser causa de cancro.

Termino com a transcrição de duas recomendações especiais, que se referem à amamentação e a pessoas que sobreviveram ao cancro:

-Alimentação ao peito: As mães devem alimentar os seus bebés exclusivamente ao peito até aos seis meses (exclusivamente significa só leite materno, sem outro alimento ou bebida, incluindo a água). A amamentação protege ambos, a mãe e a criança.

-Sobreviventes do cancro (inclui todos, mesmo os que se encontram na fase activa do tratamento): Devem seguir as 8 recomendações para a prevenção do cancro. Pode haver, no entanto, situações específicas em que estes conselhos não se aplicam momentaneamente, pelo facto do tratamento comprometer a função gastrointestinal.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

ALIMENTAÇÃO E PREVENÇÃO DE CANCRO


Investigações que têm envolvido cientistas de todo o mundo em pesquisas e estudos acerca da relação alimentos, nutrição e cancro permitem afirmar que as práticas alimentares de cada um são importantes quer na diminuição do risco (protecção contra cada tipo de cancro), quer na possibilidade do seu aumento.
Todos os dias o nosso organismo é sujeito a "agressões" de várias origens - alimentos, poluentes atmosféricos, radiações, microorganismos, entre muitos outros.

Conhecem-se cada vez melhor os mecanismos agressores que lesam as células, mas também, para nossa sorte, dispomos de meios de defesa atentos que evitam a sua degenerescência. Na luta entre agressores e protectores, sempre presentes em tudo o que se come e bebe, está a natureza das pessoas e as vulnerabilidades induzidas por factores não alimentares. Quando se herda susceptibilidade para ter cancro e/ou se sofrem múltiplas agressões ambientais, mais cuidado e atenção se deve dar à forma como se come.

Os conhecimentos actuais permitem definir algumas regras para reduzir, a sério, a frequência e gravidade de muitos cancros:

-Limitar o consumo global de gorduras e alimentos muito gordos - fritos, folhados, assados com gordura, cremes e molhos gordos para temperar e barrar - além de outras substâncias gordas mais agressivas como gorduras vegetais hidrogenadas que estão presentes num grande número de alimentos processados industrialmente - bolos, bolachas, biscoitos, alimentos infantis, cremes vegetais para barrar o pão, etc, etc - (ler rótulos atentamente!);

-Aumentar substancialmente, no maior número de refeições, o consumo de hortaliças, legumes frescos e frutos em natureza muito coloridos e não esquecer três "branquinhos" importantes - alhos, cebolas e maçãs;

-Cereais e produtos cerealíferos completos são tidos como mais interessantes, do ponto de vista da prevenção do cancro, do que os seus equivalentes muito embranquecidos e espoados;

-Refrear o apetite, isto é, não comer demais e reduzir o mais possível o sal;

-Reduzir a utilização de alimentos fumados ou conservados em salmoura nitrosa. Os fumados impregnam-se de compostos altamente cancerígenos, por isso deve rejeitar-se a tripa dos enchidos e a camada superficial negra do presunto. É salutar comer em simultâneo frutos citrinos ou quivis, produtos hortícolas de cor verde escura, chá verde, azeitonas ou azeite porque na sua constituição entram substâncias que neutralizam a acção maléfica dos alimentos fumados.

-Consumir com moderação bebidas alcoólicas e preferir vinho tinto às principais refeições pela riqueza em compostos fenólicos antioxidantes. Não esquecer que existe uma forte relação entre o consumo elevado e regular de cerveja e bebidas alcoólicas destiladas com carcinomas da boca, laringe, pulmão, esófago, cólon, recto, relação essa muito potenciada nos que também fumam exageradamente.

Em conclusão: o cancro torna-se mais raro em pessoas que adoptam, desde cedo, um tipo de alimentação variada e equilibrada, mantendo o seu peso dentro de valores desejáveis, complementada com actividade física e hábitos de vida saudáveis sem fumo e sem álcool.

domingo, 9 de dezembro de 2007

QUILOS DE INVERNO


O Inverno começa daqui a poucos dias e é uma época propícia ao ganho de peso. Os dias pequenos, frios e chuvosos convidam mais ao sofá, e o sofá convida mais a comer. Sim, herdámos, sem nos darmos conta, o péssimo hábito americano de comer enquanto vemos televisão. E agora, tal como eles, temos nas mãos a batata quente do excesso de peso e obesidade na população.

Mas, voltando ao sofá... O que habitualmente se come no sofá vem num pacote e o que vem num pacote está, salvo raríssimas excepções, carregado com dois dos três ingredientes: gordura, sal ou açúcar. Os três pilares da alimentação má que pode levar ao excesso de peso e obesidade. Atenção, portanto, aos pacotes! Até porque comer de um pacote implica só parar quando já não há mais no pacote. E depois... estamos sentados no sofá, ou seja inactivos fisicamente. Resultado: calorias em excesso vão para o "armazém" sob a forma de gordura. Agora multiplique-se isto por 90 dias, o tempo que dura o Inverno. O resultado pode ser desastroso. Pense nisto! No Inverno proteja-se dos kilos, não leve pacotes para casa, coma de forma sensata só às refeições, ande a pé, ao ar livre e aproveite o sol de Portugal.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

GORDURAS TRANS


Consumir alimentos gordos em excesso é um dos erros alimentares mais comuns e mais perigosos que se pratica nas sociedades modernas. A indústria usa e abusa da gordura para tornar os alimentos mais apetitosos e "inventou" uma gordura, que permite prolongar o tempo de vida dos alimentos, mas que é particularmente perigosa para a saúde. Refiro-me às gorduras trans ou gorduras hidrogenadas que são saturadas artificialmente com átomos de hidrogénio. A designação "trans" tem a ver com a disposição dos átomos de carbono na cadeia do ácido gordo. Assim, quando um ácido gordo tem uma ou mais ligações não saturadas (ligações duplas), as cadeias de carbono podem ter a disposição de “cunha” (cis) ou “sela” (trans).


A maioria dos ácidos gordos presentes nos alimentos tem a configuração cis, mas durante o processo de hidrogenação para transformar os óleos vegetais (que são líquidos à temperatura ambiente) em sólidos, ou por aquecimento dos alimentos ricos em gordura, formam-se ácidos gordos trans.

Os ácidos gordos trans aumentam o colesterol total e estão presentes principalmente nas margarinas vegetais de mesa e cozinha, natas para o café e fritos, bolos, gelados, bolachas e pão elaborados com margarinas deste tipo. A proliferação de restaurantes de comidas rápidas e o elevado consumo de alimentos embalados tem provocado um aumento significativo do consumo deste tipo de gorduras na população. A título de exemplo, a ingestão estimada de ácidos gordos trans nos EUA é de 8 a 13 gramas por dia em média, mas para os que se alimentam principalmente de comidas rápidas, a ingestão pode chegar aos 30 gramas por dia. Os efeitos negativos sobre o perfil lipídico verificam-se com ingestões de 20 a 40 gramas por dia.

O modo como podemos identificar os alimentos que contêm este tipo de gorduras é através da leitura dos rótulos, uma vez que estas não existem nos alimentos naturais. A nomenclatura utilizada na rotulagem é “gordura vegetal hidrogenada” ou “gordura vegetal parcialmente hidrogenada”. Sempre que um alimento contenha na lista de ingredientes qualquer destas inscrições, sabemos tratar-se de uma gordura trans prejudicial à saúde.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

PRODUTOS BIOLÓGICOS PORTUGUESES


A criação da marca "PT bio" é uma das iniciativas da Semana Nacional da Agricultura Biológica, Semana Bio, que decorreu entre 17 e 25 de Novembro. Este ano, a aposta da organização foi dar mais informação aos consumidores sobre os produtos de agricultura biológica, sobre as vantagens e importância de consumir bio.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

SLOW FOOD


Depois de tanto ouvir falar de "slow food" resolvi investigar para saber melhor o que é. Eis, resumidamente, o que descobri: O termo slow food é oposto a fast food, e fast food todos sabemos que está associado a hamburgueres, pisas e a tudo o que são alimentos de consumo rápido. O "Slow Food", representado por um pequeno caracol, é um movimento internacional, iniciado em Itália por Carlo Petrini há 21 anos. A filosofia Slow Food opõe-se à uniformização dos sabores, como acontece no fast food, e defende a necessidade de informação do consumidor. Protege identidades culturais ligadas a tradições alimentares e gastronómicas; defende alimentos e comidas que possam estar em extinção devido à sobreposição das práticas indústriais relativamente às artesanais; protege processos e técnicas de cultivo herdados por tradição e também espécies vegetais e animais, domesticas e selvagens, que estejam em risco de extinção.

Esta filosofia, activa em centenas de países, está bem presente nas palavras do seu fundador:
“O Slow-food estuda, defende e divulga a tradição agrícola e gastronómica em qualquer parte do mundo para deixar o prazer de hoje à geração futura. Defende a biodiversidade e o direito das populações à sobrevivência alimentar e bate-se contra a homologação dos sabores, agricultura massiva e manipulação genética.”

O Slow Food pretende que cada um de nós redescubra o prazer de comer. É importante entender a origem da nossa comida, quem a faz e como é feita.

O Slow Food organiza eventos nacionais e internacionais como o Salone Del Gusto (a maior feira de comida e vinhos de qualidade do mundo) organizada bienalmente no Centro de Exposições Lingotto em Turim, Itália; Cheese uma feira bienal organizada na região de Piemonte, e Slowfish, uma exibição anual em Genova dedicada à pesca sustentável. Organiza a cada dois anos o evento Terra Madre, onde se realiza uma reunião entre pequenos produtores agrícolas e chefes de gastronomia de todo o mundo.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

FEIRA DA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

Realiza-se este fim-de-semana a primeira Feira da Alimentação Saudável em Condeixa, por iniciativa da Câmara Municipal local. O programa pode ser consultado aqui.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

GRELINA - A HORMONA DO APETITE


Compreender o aumento descontrolado da massa gorda numa pessoa superobesa é, actualmente, um dos temas mais estimulantes no campo da investigação médica.

Os investigadores trabalham no sentido de entender os mecanismos que regulam o armazenamento de energia sob a forma de gordura e o modo como ocorre o aparente descontrolo desses mecanismos que levam à superobesidade.

Em 1999 um grupo de cientistas japoneses, Kojima e colaboradores, descobriu uma hormona produzida no estômago - a grelina - que parece estar implicada na regulação do apetite. Esta descoberta poderá ter sido a ponta do novelo que nos levará à etiologia da obesidade.

A grelina é uma hormona produzida no estômago que envia sinais ao cérebro provocando sensação de fome. A sua produção aumenta à medida que se aproxima a hora da refeição ou simplesmente pela visão ou odor da comida. Enquanto comemos, outros mecanismos entram em acção para diminuir gradualmente o apetite, fazendo chegar ao cérebro a informação de que já estamos a ficar cheios. A primeira fase deste processo ocorre no estômago e intestino delgado, que começam a distender-se enviando impulsos nervosos ao cérebro induzindo a sensação de saciedade. Ao mesmo tempo produzem-se hormonas a nível intestinal que são também enviadas ao cérebro aumentando a sensação de satisfação.

A liberação endógena de grelina encontra-se reduzida após ingestão alimentar, voltando progressivamente aos valores basais próximo do término do período pós-prandial. Estudos prévios envolvendo libertação dessa hormona, em humanos, mostram que são os tipos de nutrientes contidos na refeição, e não o seu volume, os responsáveis pelo aumento ou decréscimo pós-prandial dos níveis plasmáticos de grelina. Estas observações sugerem que a contribuição da grelina na regulação pós-prandial da alimentação pode diferir com o macronutriente predominante no conteúdo alimentar ingerido. Sua concentração plasmática está diminuída após refeições ricas em hidratos de carbono e está aumentada após refeições ricas em proteína animal e lipidos.

Com esta descoberta foi dado mais um passo para compreendermos o mistério do aumento desenfreado de massa gorda num superobeso. A investigação médica caminha no sentido de desenvolver novos tratamentos preventivos e regimes para combater o aumento epidémico da obesidade e de todas as desordens com ela relacionadas.

domingo, 18 de novembro de 2007

PREVENIR A DOENÇA DE ALZHEIMER


Estudo francês do Institut National de la Santé et de la Recherce Médicale
Dieta rica em ómega-3, fruta, vegetais e peixe pode reduzir risco de demências
16.11.2007 - 10h00 PUBLICO.PT


Uma dieta que contenha ómega-3, fruta, vegetais e peixe pode prevenir o risco de Alzheimer e de outras demências em 60 por cento, de acordo com um estudo de investigadores franceses do Institut National de la Santé et de la Recherce Médicale, publicado esta semana na revista da American Academy of Neurology, “Neurology”.

Os responsáveis pela investigação estudaram, ao longo de quatro anos, os hábitos alimentares de mais de oito mil pessoas, todas com mais de 65 anos e residentes nas cidades francesas de Montpellier, Dijon e Bordéus.

Todos os participantes foram submetidos a testes para excluir possíveis sinais de demência já existentes e completaram um questionário sobre os seus hábitos alimentares, exames que foram repetidos a cada dois anos.

No início do estudo nenhuma das pessoas tinha Alzheimer ou outra demência. Passados quatro anos, 183 dos participantes tinham desenvolvido Alzheimer, enquanto outros 98 desenvolveram outros tipos de demência.

Olhando para os hábitos alimentares dos pacientes, os investigadores foram capazes de estabelecer uma relação entre o tipo de alimentos ingeridos habitualmente e este tipo de doenças.

A equipa descobriu que as pessoas que tinham uma dieta rica em óleos que continham ómega-3, como o óleo de canola, linhaça ou de nozes, tinham menos 60 por cento de probabilidades de desenvolver uma demência, e os que comiam regularmente fruta e vegetais menos 30 por cento.

Consumir frequentemente peixe - pelo menos uma vez por semana - é outro ponto positivo para evitar este tipo de doenças, em 35 por cento, concluíram também os investigadores, apesar de terem afirmado que isto só se aplica a pessoas que não tenham predisposição genética.

"Tendo em consideração que a maioria das pessoas não têm o gene ApoE4 (que aumenta o risco de Alzheimer), estes resultados são muito importantes para a saúde pública", disse um dos autores do estudo, Pascale Barberger-Gateau.

"No entanto, é necessário aprofundar a pesquisa para que se identifique a quantidade e a combinação ideal de nutrientes antes de implementar recomendações nutricionais", acrescentou o investigador.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

DIA NACIONAL DO NÃO FUMADOR - 17 NOVEMBRO


O Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia - Delegação Centro, Professor
Polybio Serra e Silva, convida todos a estar presentes nas comemorações do "Dia Nacional do Não Fumador".

De acordo com o Programa que anexamos, iremos comemorar o Dia Nacional do Não Fumador no dia 17 de Novembro de 2007.

Como mesmo todos juntos seremos poucos para lutar contra o flagelo universal que é o tabagismo contamos consigo para, juntamente connosco, no Dolce Vita às 15h ou, mais tarde, às 18h, no Pavilhão Multidesportos, nos ajudar a passar a mensagem: “ Uma maçã por um cigarro = a Melhor qualidade de Vida “.

Como temos a certeza de que o poderemos abraçar num ambiente despoluído, desde já agradecemos a sua presença.

Cumprimentos muito amigos

Polybio Serra e Silva

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

BOAS NOTÍCIAS...


Luis Sardinha - Presidente do Instituto do Desporto de Portugal (IDP)

O governo parece finalmente ter despertado para o problema do excesso de peso dos portugueses...
Foi anunciado pelo presidente do Instituto do Desporto de Portugal (IDP), Luis Sardinha, que o orçamento de Estado para 2008 prevê a redução do IVA cobrado nos serviços relacionados com actividade física e desporto (passa de 21 para cinco por cento). “Não tinha sentido que o IVA cobrado para estarmos sentados a ver futebol fosse de cinco por cento e que um serviço relacionado actividade física e desporto, como os ginásios, fosse de 21 por cento”, vincou o presidente do IDP.

Esta é uma óptima medida no âmbito da prevenção. Falta agora tratar daqueles que já têm obesidade instalada e que não estão abrangidos pela gratuitidade da cirurgia bariátrica. Refiro-me à comparticipação dos medicamentos para tratar a obesidade e à colocação de mais nutricionistas nos centros de saúde para darem apoio consistente a estes doentes. Em Portugal há dez mil doentes com obesidade mórbida muito avançada. A obesidade não é uma questão estética, é uma doença crónica!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

CIRURGIA BARIÁTRICA

Foi anunciado ontem que o Serviço Nacional de Saúde vai comparticipar na totalidade as cirurgias de colocação de banda gástrica. Deixo-vos alguns videos que mostram técnicas cirúrgicas utilizadas no tratamento dos casos de obesidade mórbida.



Até agora, o montante comparticipado por cada cirurgia era inferior a 50 por cento do custo total da intervenção.





Os hospitais públicos vão aumentar o número de cirurgias bariátricas, a realizar em pacientes com Índice de Massa Corporal superior a 40 (obesidade mórbida), mas a prioridade são os que têm IMC igual ou superior a 50. Os pacientes com IMC igual ou superior a 35 são também abrangidos por cirurgia gratuita se tiverem indicação médica para tal.

O IMC calcula-se dividindo o peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A MODA DOS ALIMENTOS ENRIQUECIDOS


A rápida evolução que as ciências da alimentação e nutrição têm vindo a sofrer nas últimas décadas veio modificar os hábitos de comer, que passaram a estar estreitamente ligados à prevenção e cura de doenças. Os investigadores identificaram vários compostos bioactivos (nomedamente, compostos de origem vegetal, designados por fitoquímicos) com efeitos na saúde, que têm sido aproveitados pela indústria alimentar para aumentar a venda dos seus produtos. Por outro lado, cada vez mais gente se preocupa com o que ingere de modo a prevenir enfartes, tromboses e cancros, entre outras terríveis patologias, acrescentando assim anos à sua vida.

Com o objectivo da nutriprevenção e nutriterapêutica, há hoje leite enriquecido com ómega-3, cálcio, vitamina D, isoflavonas de soja, margarinas com fitosteróis, água com fibras, iogurtes para baixar o colesterol, ovos com ómega-3 que são adicionados na ração dos aviários, etc. Enfim é tal o número de produtos que proliferam nas prateleiras dos supermercados que temos de perder algum tempo à procura de um litro de leite de vaca que pastou na Natureza, uma dúzia de ovos postos por galinhas “normais” ou um um pacote das velhas bolachas “Maria”. A questão é: haverá realmente alguma vantagem em consumir alimentos enriquecidos?

De facto, nenhum destes produtos consegue substituir os alimentos próprios da época, frescos ou bem conservados, e variados todos os dias. Os alimentos tal como nos chegam da Natureza podem fornecer todos os nutrientes que necessitamos. O leite, por exemplo, sempre conteve cálcio em quantidade suficiente para satisfazer as nossas necessidades diárias. Só em situações muito especiais poderá haver vantagem num complemento deste mineral. Uma coisa é certa: se o cálcio for a mais, o organismo terá de o excretar, caso contrário, a sua lenta deposição por todo corpo, faria com que virássemos estátuas. Felizmente os rins trabalham para eliminar o cálcio excedentário, mas existe, nesse caso, a possibilidade de formação de cálculos.
Para baixar o colesterol, enriquecem-se os alimentos com fitosteróis, moléculas de origem vegetal que têm de facto uma acção benéfica, embora muito pequena, na redução de uma baixíssima percentagem de colesterol. Não se sabe, no entanto, qual a sua acção e comportamento ao adicioná-los aos iogurtes e à margarina.
A quantidade de ácidos gordos ómega-3 adicionada ao leite ou às bolachas, para prevenção cardiovascular, fica muito aquém do que é necessário e falta provar se têm o mesmo efeito dos que são ingeridos quando se come peixe gordo (sardinha, salmão, atum, cavala, etc.), o “ambiente” natural dos ácidos gordos ómega-3.
Os produtos enriquecidos podem ser uma alternativa pontual, desde que haja uma orientação da dieta alimentar por um profissional, mas é sempre melhor fixar as nossas escolhas nos alimentos frescos, simples e variados. A absorção dos nutrientes deve ser feita através dos alimentos onde existem naturalmente, devendo ser máximo o cuidado com os excessos.

É útil fazer nutriprevenção e nutriterapêutica, mas de uma forma orientada e com base em alimentos da época. Acima de tudo, não devemos permitir que a propaganda da indústria alimentar nos faça optar por alimentos enriquecidos de vantagens discutíveis mas com preço indiscutivelmente mais elevado.

domingo, 4 de novembro de 2007

UM PRATO DE LENTILHAS...


O homem conhece e utiliza leguminosas na sua alimentação, desde a Antiguidade. A lentilheira, por exemplo, é uma das mais antigas plantas cultivadas,conhecida dos egípcios e persas, pelas suas sementes nutritivas e suas ramas que dão boa forragem e adubo verde.
As leguminosas são alimentos vegetais que nascem em vagens como as favas, ervilhas, feijões, grão de bico, soja e lentilhas. Este texto dá particular ênfase às lentilhas porque o seu consumo entre nós está pouco difundido. O seu valor nutricional é indiscutível, pelo que devemos consumi-las com alguma regularidade. Transcrevo uma história curiosa que se passou com Diógenes de Sínope, filósofo grego (413 a.C.-323 a.C.) que segundo consta, vivia numa pipa ou barril e tinha como únicos bens um alforje, um bastão e uma tigela (que simbolizavam o desapego e auto-suficiência perante o mundo).

“Estava Diógenes a jantar seu costumeiro prato de lentilhas, quando Arístipos se aproximou. Arístipos, de Cirene, era também filósofo, adepto do prazer como único bem absoluto na vida. Para poder levar uma vida confortável, passava a vida a bajular o Rei.
Disse, então, Arístipos a Diógenes: —Se aprendesses a bajular o Rei, não precisarias reduzir a tua alimentação a um prato de lentilhas.
Por sua vez, Diógenes retrucou: — E tu, se tivesses aprendido a satisfazer-te sempre com um prato de lentilhas, não precisarias de passar a tua vida a bajular o Rei.”


A subsistência de Diógenes, ao que parece, foi garantida por lentilhas que comeu durante anos e que foram base da sua alimentação. De facto, um prato de lentilhas fornece um elevado teor de proteínas ricas em lisina (aminoácido essencial), de fácil assimilação, hidratos de carbono, fibra solúvel, cálcio, ferro e algumas vitaminas do grupo B o que lhes confere valor nutritivo inestimável.

Aconselho vivamente o consumo regular de lentilhas, bem como de todos os outros elementos do grupo das leguminosas, em pratos tradicionais ou como base de sopas enriquecidas com nabos, cenouras e hortaliças, dando largas à criatividade. Relembro que o consumo de leguminosas é óptimo para quem queira perder peso devido à natureza dos hidratos de carbono, de absorção lenta, e pela presença de proteínas que prolongam a saciedade. Em termos calóricos, uma batata do tamanho de um ovo equivale a 4-5 colheres de sopa de leguminosas depois de cozinhadas.

Fica uma sugestão de "Creme de Lentilhas com Cogumelos Selvagens e Azeite Virgem" (10 pessoas) do Chefe Jerónimo Ferreira:

200g lentilhas
200g Cogumelos de estufa
200g de Cogumelos selvagens
2 cebolas
2 alhos francês (em juliana)
1/2 dl de Azeite Virgem extra
2 litros de água ou caldo de legumes

Fazer um refogado ligeiro com a cebola, o alho francês, os cogumelos e o azeite. Juntar as lentilhas (demolhadas duas horas antes) e água ou o caldo de legumes. Deixar cozinhar até ficar tenro. Servir em taça de consomé.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

"RITUAL DO DIA" NA RTP


Numa altura em que os portugueses engordam a olhos vistos e em que o governo parece adoptar uma postura autista em relação a tudo isto, eis que surge timidamente um novo espaço diário produzido na RTP intitulado "Ritual do dia". Trata-se de uma pequena rubrica de 60 segundos, a emitir nos cinco dias úteis da semana às 10 horas, antes do início da "Praça da alegria". Segundo a notícia "serão transmitidos conselhos relativamente aos hábitos e rotinas menos saudáveis dos portugueses, visando assim alterá-los, no sentido de melhorar a sua qualidade de vida.
As informações serão de cariz simples, mas validadas cientificamente, e pretendem fomentar no quotidiano da população todo um conjunto de práticas relacionadas com uma alimentação mais correcta e equilibrada, com o despertar da motivação para o exercício físico e com o combate ao stresse."

É uma boa iniciativa, mas peca por tardia e também pelo horário...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

NUTRIFORMAÇÃO

A Fundação Portuguesa de Cardiologia-Delegação Centro em parceria com a Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra organizaram um Workshop com o tema "Maneira de Confeccionar os Alimentos", que se vai realizar no dia 31 de Outubro pelas 18H00 na livraria Almedina-Estádio Cidade de Coimbra. Deixo-vos o programa e o modo de inscrição.





Inscrições através dos números 239 838 598; 962 038 875/6; Fax-239 827 996 ou por E-mail: fpc-centro@netcabo.pt da Fundação Portuguesa de Cardiologia.

sábado, 27 de outubro de 2007

ANOREXIA NERVOSA


A indústria da moda que tem nas últimas décadas criado estereótipos de beleza feminina dando particular ênfase à magreza, pareca agora querer contribuir para minimizar os efeitos que tem causado em milhares de adolescentes. Falo da anorexia nervosa que afecta raparigas adolescentes, com idades compreendidas entre os 13 e os 25 anos. O medo excessivo de engordar faz com que mantenham uma restrição alimentar quase total e que recorram frequentemente a laxantes, diuréticos e clisteres sempre que tentadas pela comida ou quando a magreza conseguida não corresponda ainda à imagem ansiada. A restrição alimentar continuada leva a situações graves de desnutrição que no extremo conduzem à morte.

A foto exibida nas ruas de Milão, durante a semana de moda que ali decorria, é de uma campanha da responsabilidade da marca de moda Nolita que teve a intenção de chocar o público alertando-o para um problema que se tem vindo a agravar em todas as sociedades. O fotógrafo Oliviero Toscani usou uma imagem demolidora do corpo subnutrido de uma modelo francesa, Isabelle Caro de 26 anos, que sofre de anorexia desde os 13.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A FOME POR DENTRO


Transcrevo uma pequena parte de um artigo publicado na revista Quo espanhola intitulado "Abre os olhos e fecha a boca." O texto dá-nos a conhecer, de uma forma muito simples, os mecanismos da fome.
"Não depende só do que nos ensinaram os nossos pais. Algumas hormonas trabalham por sua conta para produzir apetite. Cada vez se sabe mais acerca delas.

Hipotálamo-É o regulador da fome e da saciedade no cérebro. Cientistas das Universidades de Vigo e de Santiago descobriram uma proteína capaz de bloquear a hormona grelina, que avisa o hipotálamo quando é hora de comer. Poderá comercializar-se em 2008.

Serotonina-Mensageiro que actua sobre neurónios que inibem a fome.

Gosto muito-Quando provamos algo que gostamos, produz-se uma descarga de dopamina, neurotransmissor associado com o prazer. Quando a visão e o olfato o detectam de novo, o cérebro recorda o prazer.

Quando faz falta-A leptina adverte da necessidade de nutrientes. Está relacionada com a quantidade de tecido adiposo no organismo. No entanto, às vezes, falha. Daí que os obesos, ainda que tenham muito tecido adiposo, podem continuar com fome.

Já não posso mais-Produzido no intestino, o peptideo YY3-36 é conhecido como a hormona anti-fome. Os seus níveis no sangue mantêm-se altos entre refeições.

A culpada-A grelina, também chamada hormona da fome, produz-se no estômago. Quando está vazio, "lembra" que é hora de comer.

Insulina-As pessoas com níveis altos experimentam uma grande sensação de fome que as leva a uma ingestão excessiva de alimentos.

Marian Benito, 04.09.2007

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

SOJA COMBATE SINTOMAS DA MENOPAUSA



Menopausa é a interrupção fisiológica dos ciclos menstruais, devida à cessação da secreção hormonal (estrogénio) pelos ovários. Manifesta-se por uma série de alterações de natureza física, fisiológica e psicológica que se fazem sentir mais ou menos intensamente e que dependem, em grande parte, da alimentação e do estilo de vida adoptados.

Os afrontamentos, ondas súbitas de calor e suores, descrito pelas mulheres dos países ocidentais não têm eco do outro lado do mundo. Os cientistas repararam que a maioria das chinesas e das japonesas, cuja alimentação é particularmente rica em soja, não conhecem sequer a palavra afrontamento.

A explicação parece ser a presença, na soja, de uma molécula quimicamente semelhante ao estrogénio - a isoflavona -que por se ligar aos mesmos receptores do estrogénio faz atenuar os sintomas da menopausa.

A confirmar tudo isto, Santiago Palácios, presidente da Sociedade Espanhola de Menopausa, afirma que "as isoflavonas de soja reduzem os afrontamentos em 30 a 50 por cento, previnem a perda de massa óssea, reduzem o colesterol total, o colesterol LDL e os trigliceridos, melhoram a memória verbal e não têm efeitos secundários".

A comunidade médica europeia e norte-americana está rendida aos efeitos benéficos da isoflavona de soja, fitonutriente também designado fitoestrogénio, no combate aos sintomas da menopausa.

Sugestão: Rebentos de soja, quer na sopa, quer como ingrediente de uma boa salada mista ou juntamente com outros legumes salteados com azeite e alho, são muito agradáveis. Nutricionalmente fornecem, além da isoflavona, proteínas de boa qualidade sem perigo de colesterol associado.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

ALIMENTAÇÃO MEDITERRÂNICA


O interesse pela alimentação mediterrânica nasce nos anos 50 quando Ancel Keys, investigador americano, verifica que os povos dos países banhados pelo mar Mediterrâneo tinham baixa incidência de doenças cardiovasculares. Em 1959 publica uma primeira versão do livro "How to eat well and stay well, the mediterranean way" (Como comer bem e manter-se são à maneira mediterrânica), onde divulga uma forma aprazível e saudável de comer afinada ao longo de milénios de aperfeiçoamento empírico.

A alimentação mediterrânica, como padrão, refere-se à maneira que Keys encontrou nos anos 50 e 60, e que, ainda hoje é seguida por algumas comunidades da bacia oriental do Mediterrâneo do Sul da Itália, França, Grécia, Catalunha e Portugal.
Os traços comuns que caracterizam as variedades da alimentação mediterrânica podem resumir-se da seguinte forma:

-dia alimentar constituído por 4 a 5 refeições, ajustadas ao esforço físico a desempenhar;
-elevado consumo de pão, alimentos cerealíferos e leguminosas secas;
-produtos hortícolas e frutos em natureza sempre diferentes conforme a época;
-consumo moderado de carne, peixe e ovos;
-vinho traçado com água para acompanhar a refeição;
-consumo elevado de chá e infusões de ervas;
-um bom pequeno-almoço para começar o dia;
-o almoço 'maior' do que o jantar;
-refeições tranquilizantes e apaziguadoras;
-culinária simples e de pouco tempo de lume;
-azeite para temperar e, para cozinhar, também a banha;
-consumo modesto de lacticínios, mais frequente sob a forma de queijo e iogurte;
-durante todo o ano consumo de alhos, cebolas, frutos secos, azeitonas e sementes;
-os dias de festa bem diferentes dos dias comuns, com muita variedade e fartura.

Este modelo alimentar nutricionalmente rico,completo e equilibrado contribuiu, desde há milénios, para propiciar uma velhice sadia.

É importante não trocar estes conceitos válidos praticados desde sempre entre nós, por novos padrões e estilos de vida importados de países com nenhuma tradição de alimentação saudável.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO


Comemora-se hoje o Dia Mundial da Alimentação sob o tema "O Direito à Alimentação". Este tema definido pela FAO, organismo das Nações Unidas para a agricultura e alimentação, "demonstra o crescente reconhecimento da comunidade internacional à erradicação da fome e da pobreza no mundo e à intensificação do desenvolvimento sustentável”.

O objectivo das comemorações do Dia Mundial da Alimentação, que iniciaram há 27 anos, é conseguir a atenção do mundo para fome e insegurança alimentar que afectam 800 milhões de pessoas. No entanto, a ameaça da obesidade no mundo desenvolvido, faz dela tema para a maioria das comemorações um pouco por todo o país.

Relembro hoje o meu professor Dr. Emílio Peres, comunicador carismático, que desapareceu prematuramente em Outubro de 2003. Transcrevo um pequeno texto da sua autoria intitulado "O Elogio da Sopa", publicado na revista de Alimentação Humana, em 1997.

"A sopa, tal como a nossa tradição a concebe, é soberba manifestação da cultura mediterrânica por duas razões: pelo modo como se confecciona, e pelo facto de conjugar variados alimentos, predominantemente de origem vegetal. Desde logo, a fervura em mais de sete minutos destrói agentes prejudiciais à saúde que possam, eventualmente, estar nos vegetais e na água. Depois, a fervura em mais de nove minutos, a cerca de 100ºC, destrói, inactiva ou abranda os efeitos de factores anti-nutritivos, tóxicos e alergizantes de ocorrência natural. Quanto ao valor nutricional a sopa é imbatível. O caldo nem se limita a ser harmonizador metabólico, nem a mero veículo de nutrimentos. É autêntica tisana medicinal!(...)"

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

A NOVA RODA DOS ALIMENTOS


A primeira "Roda dos Alimentos" foi criada em 1977 para a campanha de educação alimentar "Saber comer é saber viver" e é uma imagem ou representação gráfica que serve de guia para a escolha alimentar diária.

A nova Roda dos Alimentos é composta por 7 grupos de alimentos de diferentes dimensões, os quais indicam a proporção com que cada um deles deve estar presente na alimentação diária. Os algarismos em frente a cada grupo representam as porções diárias recomendadas, mas dependem das necessidades energéticas individuais.

Assim, as crianças de 1 a 3 anos devem guiar-se pelos limites inferiores e os homens activos e rapazes adolescentes pelos limites superiores; a restante população deve orientar-se pelos valores intermédios.

Quanto é uma porção?

CEREAIS e DERIVADOS, TUBÉRCULOS - 4 a 11 porções/dia
Uma porção é igual a:
1 fatia fina de broa (70g)
1 pão de trigo ou mistura (papo seco) (40g)
1 e 1/2 batata - tamanho médio (125g)
5 colheres de sopa de cereais de pequeno-almoço (35g)
6 bolachas - tipo Maria / água e sal (35g)
2 colheres de sopa de arroz / massa crus (35g)
4 colheres de sopa de arroz / massa cozinhados (110g)

HORTÍCOLAS - 3 a 5 porções/dia
Uma porção é igual a:
2 chávenas almoçadeiras de hortícolas crus (180g)
1 chávena almoçadeira de hortícolas cozinhados (140g)

FRUTA - 3 a 5 porções/dia
Uma porção é igual a:
1 peça de fruta - tamanho médio (160g)

LACTICÍNIOS - 2 a 3 porções/dia
Uma porção é igual a:
1 chávena almoçadeira de leite (250ml)
1 iogurte líquido ou 1 e 1/2 iogurte sólido (200g)
2 fatias finas de queijo (40g)
1/4 de queijo fresco - tamanho médio (50g)
1/2 requeijão - tamanho médio (100g)

CARNE, PESCADO e OVOS - 1,5 a 4,5 porções/dia
Uma porção é igual a:
Carnes / pescado crus (30g)
Carnes / pescado cozinhados (25g)
1 ovo - tamanho médio (55g)

LEGUMINOSAS - 1 a 2 porções/dia
Uma porção é igual a:
1 colher de sopa de leguminosas secas cruas (ex: grão de bico, feijão, lentilhas) (25g)
3 colheres de sopa de leguminosas frescas cruas (ex: ervilhas, favas) (80g)
3 colheres de sopa de leguminosas secas / frescas cozinhadas (80g)

GORDURAS e ÓLEOS - 1 a 3 porções/dia
Uma porção é igual a:
1 colher de sopa de azeite / óleo (10g)
1 colher de chá de banha (10g)
4 colheres de sopa de nata (30ml)
1 colher de sobremesa de manteiga / margarina (15g)


BEBIDAS
Embora a água seja a melhor bebida para satisfazer a sede, pode também recorrer-se a outras bebidas que não contenham adição de açúcar, álcool ou cafeína. Os sumos de fruta naturais e os chás sem cafeína (camomila, cidreira, limão, tília...) são exemplos destas bebidas.

O café, alguns chás e refrigerantes contêm cafeína, substância estimulante cuja ingestão deve ser limitada a um máximo de 300mg por dia. No caso de crianças e adolescentes o seu consumo está desaconselhado

Teores médios de cafeína (mg)
1 Café cheio (125mg) 1 Refrigerante de Cola (46mg)
1 Café médio (115mg) 1 Chávena de Chá (36mg)
1 Café curto (104mg) 1 Descafeínado (2mg)

As bebidas alcoólicas contêm por definição, álcool etílico ou etanol. O seu consumo é totalmente desaconselhado a crianças, jovens, grávidas e aleitantes.

Os adultos saudáveis podem consumi-las com moderação a acompanhar as refeições principais (almoço e jantar).

terça-feira, 9 de outubro de 2007

DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO-16 de OUTUBRO


INSCRIÇÕES ABERTAS PARA A SESSÃO INFORMATIVA - DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO

A Sessão Informativa surge no âmbito da comemoração do Dia Mundial da Alimentação que se assinala no dia 16 de Outubro. As inscrições estão abertas até 10 de Outubro, na Divisão de Habitação Social (Centro Cultural e de Congressos de Aveiro) de Segunda a Sexta-feira, das 9.30 às 12.00 horas e das 14.00 às 16.00 horas; no Gabinete de Intervenção Local (Urbanização de Santiago) às Terças-feiras, das 14.00 às 17.30 horas e Quintas-feiras, das 09.00 às 12.30 horas, ou nas Juntas de Freguesia.

Organizada pela Câmara Municipal de Aveiro esta iniciativa conta com o apoio do Hospital Infante D. Pedro – Aveiro; Liga dos Amigos do Coração – Aveiro; Juntas de Freguesia; Irmãs Auxiliadoras da Caridade e Florinhas do Vouga e destina-se aos moradores residentes em habitação social, sendo extensível à comunidade em geral.

A sessão informativa sobre os benefícios de uma alimentação saudável será acompanhada de rastreios de despiste dos factores de risco das doenças cardiovasculares – medição da tensão arterial, glicémia, colesterol, peso e índice de massa corporal.

Programa:

14.50 horas – Sessão de Abertura – Miguel Capão Filipe – Vereador da Câmara Municipal de Aveiro;

15.00 horas – “A Importância da Alimentação no Tratamento da Diabetes” – Isabel Albuquerque – Hospital Infante D. Pedro – Aveiro;

15.20 horas – “A Alimentação e as Doenças Cardiovasculares” – Rogério leitão – Liga dos Amigos do Coração – Aveiro;

16.00 horas – Intervalo

16.10 horas – “Como Comer para Viver Melhor” – Luciana Cipriano – Câmara Municipal de Aveiro;

16.30 horas – Debate – Moderador – Adriano Almeida – Câmara Municipal de Aveiro

Das 14.30 às 17.30 horas – Realização de Rastreios:

- Despiste dos factores de risco das doenças cardiovasculares – medição da tensão arterial, glicemia e colesterol;

- Peso e Índice de Massa Corporal.

EXPOSIÇÃO "MENINOS GORDOS..."


O Museu Antropológico da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em parceria com o Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo dos Hospitais da Universidade de Coimbra tem o privilégio de acolher a exposição "MENINOS GORDOS: CONTAR UMA HISTÓRIA ATRAVÉS DA FAIANÇA" entre os dias 28 de Setembro e 14 de Dezembro de 2007 no seguinte horário: 2ª a 6ª feira das 9H30 às 12H00 e das 14H30 às 17H00; último fim-de-semana de cada mês das 14H00 às 18H00.

Esta exposição conta a história de dois irmãos, Ana e Mateus Perrero, nascidos em Piemonte (norte de Itália) que devido à obesidade extrema de ambos (Ana pesava 129 quilos e Mateus 201 quilos) e a sua altura muito superior à média (1,37m e 1,52m) foram exibidos como atracções de feira e de circo por toda a Europa.

Estiveram em Portugal, na corte de D.Maria II, em 1842 e a passagem pelo norte do país destes dois irmãos "belos, gigantes e gordos" causaram tanto espanto e admiração que deram origem a várias peças de faiança inspiradas na sua história: pratos, canecas e paliteiros, hoje peças raras de colecção que marcaram para sempre a sua passagem entre nós.

Algumas destas peças fazem agora parte da exposição "MENINOS GORDOS: CONTAR UMA HISTÓRIA ATRAVÉS DA FAIANÇA" que pode ser vista em Coimbra, mas que já foi apresentada no Museu Alberto Sampaio (MAS) em Guimarães, Museu de Olaria em Barcelos, Museu Municipal de Esposende e Museu Nacional Soares dos Reis no Porto.

Associado a esta iniciativa realiza-se um Ciclo de Conferências:

*17 de Outubro de 2007, 14h 30m

*Os “excessos da natureza” e a paixão do coleccionador*
Manuel Laranjeira Rodrigues de Areia, Departamento de Antropologia, Universidade de Coimbra

*15h 15m*

*Meninos gordos: todos diferentes todos iguais*
Dírcea Rodrigues, Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, Hospitais da Universidade de Coimbra

*22 de Novembro de 2007, 19h

*Meninos Gordos: contar uma história através da faiança*
Isabel Maria Fernandes, Directora do Museu de Alberto Sampaio - Guimarães

*28 de Novembro de 2007, 14h 30m

*Quando a gordura começa a deixar de ser formosura*
Irene Vaquinhas, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra

*15h 15m

*Escola de pais, saúde de filhos*
Júlia Figueiredo, Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, Hospitais da Universidade de Coimbra

5 de Dezembro de 2007, 14h 30m

*Actividade Física, sedentarismo e obesidade. Que relações?*
Jorge Mota, Centro de Investigação em Actividade Física, Saúde e Lazer, Faculdade de Desporto da Universidade do Porto

*15h 15m

*Do saltar à corda à PlayStation: obesidade infantil numa perspectiva biocultural*
Cristina Padez, Departamento de Antropologia, Universidade de Coimbra

Entrada livre
Local - Departamento de Antropologia - Anfiteatro 1
FCTUC, Tel. 239 829 051

terça-feira, 2 de outubro de 2007

MODOS DE COMER - UM POUCO DE HISTÓRIA...


Transcrevo um texto,de Gérard Apfeldorfer, acerca da evolução do modo de comer da nossa civilização comparativamente com outras civilizações e outras épocas. A alimentação não é só o que se come, é também como se come. Vale a pena ler...

"A boa educação, na nossa sociedade e na nossa época, requer que tomemos as refeições sentados numa cadeira, em frente de uma mesa, com talheres, pratos e copos. Mas se tivéssemos vivido na boa sociedade romana, teríamos achado lícito comer languidamente reclinados. Nos países árabes, convém comer acocorados ou sentados no chão, e com os dedos. O uso do garfo ocidental que nos parece tão natural, apenas surgiu no século XVI e foi introduzido na Europa, pela influência dos florentinos, aliás como o uso de lavar as mãos antes de ir para a mesa. E mesmo assim, nesta época, o utensílio apenas servia para apanhar os pedaços de alimento na travessa, sendo os mesmos consumidos com os dedos.

O emprego de talheres está longe de ser anódino. Em primeiro lugar, as sensações produzidas pelos alimentos e o seu sabor, diferem consoante sejam consumidos com os dedos ou com um objecto de madeira, de plástico ou de metal. Facto que cada um poderá ter verificado no momento em que, num avião ou numa cadeia de restauração rápida, terá tentado desfrutar um daqueles deliciosos preparados semi-industriais com a ajuda de talheres de plástico.
Além disso, o emprego de talheres provoca um distanciamento em relação à comida. Ter de cortar pequenas porções, picá-las com o garfo, ter o cuidado, ao levá-las à boca, que não se desprenda nada para evitar sujar a roupa ou a toalha, tudo isso adia e disciplina a toma de alimentos.

Também podemos reparar que aquilo que para nós é requintado, não será percebido do mesmo modo em outros continentes. Como se sabe, na Ásia é através de pauzinhos que se leva a comida à boca. O lugar de um instrumento agressivo como a faca é na cozinha. Do mesmo modo, ter de usar violência para picar, perfurar a comida com um instrumento metálivo, e depois levá-la à boca é considerado como um costume bárbaro.

Por fim, convém distinguir aquilo que releva da alimentação festiva ou ritual, regida por costumes ou proscrições mais ou menos constrangedoras, e a alimentação no seu dia-a-dia, onde o mais importante é encher a barriga sem perder demasiado tempo.

A sanduíche proposta por Lorde Sandwich no século XVIII teve inúmeros predecessores. Desde sempre se manifestaram infinitas variações desta melodia: pão ou bolacha, com carne ou peixe, e diversos aromas. Da pizza italiana até ao hamburguer americano, passando pelo pan bagnat meridional, a pita síria, o chiche keufte grego. Todos são ingeridos rapidamente sem grandes preparos: os fish'n chips britânicos, as tapas espanholas - tapar el hambre, literalmente "cobrir a fome" - as diferentes tortilhas ou omeletas, assim como todos os tipos de farturas e frituras.

Trata-se de alimentos que podem ser comidos rapidamente, sem remorsos, sem coacção social, na maioria dos casos com os dedos, e eventualmente de pé e solitariamente."

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A COR DOS ALIMENTOS


Uma alimentação protectora e preventiva de doenças degenerativas e cardiovasculares está intimamente associada à ingestão diária de quantidades significativas de alimentos ricos em fitonutrientes, i.é., nutrientes essenciais de origem vegetal.
As várias cores que compõem a banca das frutas e vegetais no mercado, além do quadro agradável que proporciona a quem passa, têm significado e muito interesse do ponto de vista nutricional:

ALIMENTOS VERDES: são normalmente ricos em vitaminas C e E, ácido fólico, carotenóides e selénio. Ajudam a aumentar as defesas do organismo, regulam o intestino e têm potencialmente acção anticancerígena: bróculos, alface, espinafres, ervilhas, feijão verde, couve-bruxelas, repolho, agriões, nabiças, grelos, salsa, coentros, pimentos verdes, kiwi...

ALIMENTOS VERMELHOS: contêm vitamina C e carotenóides (licopeno-responsável pela cor vermelha) de comprovada acção antioxidante e, potencialmente anticancerígena, ou ambas: tomates, morangos, melancias, cerejas, ginjas, pimentos vermelhos, framboesas, groselhas, ameixas vermelhas...

ALIMENTOS COR-DE-LARANJA E AMARELOS: ricos em beta-caroteno, pro-vitamina A, vitaminas C e E de reconhecidas propriedades antioxidantes, que fazem bem à pele, aos olhos e são importantes na fase de crescimento e no estímulo do sistema imunitário: cenouras, abóbora, laranjas, tangerinas, nectarinas, abacate, papaia, maracujá, alperces, manga, pêssegos, ananás, milho, batata doce, melão...

ALIMENTOS VIOLETA E AZUIS: têm na sua constituição importantes substâncias antioxidantes chamadas flavonóides, cujas propriedades protectoras e retardadoras do envelhecimento, foram já demonstradas. São ainda fornecedores de quantidades significativas de ferro e magnésio: mirtilos, uvas pretas, ameixas, beringelas com casca, couve-roxa, beterraba...

ALIMENTOS BRANCOS: neste grupo incluem-se os frutos cujo interior é branco. Contêm quantidades muito significativas de vitaminas e minerais de acção antioxidante e de outros constituintes bioactivos com potencial acção anticancerígena: maçãs, peras, bananas, alhos, cebolas, batatas, endívias, couve-flor, alho fancês, cogumelos, nabos, rabanetes...

Com base no interesse aqui demonstrado das diferentes cores, e a variedade disponível nesta época do ano, vale a pena introduzir cor todos os dias e em todas as refeições.

As saladas podem ser a base das refeições principais, constituindo uma dieta natural à base de alimentos crus, muito saudável e que, segundo alguns autores, constitui um processo de desintoxicação ("limpeza" de toxinas) do organismo.

Faça saladas mistas em que pode incluir alface, couve-roxa, feijão verde, tomate, pepino, cebola, cenoura, alho, milho, pimentos verdes, vermelhos ou amarelos, abobrinhas, salsa, coentros, maçã, ananás, kiwi, e frutos secos como pinhões, nozes, amêndoas, nozes, passas de uva... enfim um número ilimitado de alimentos vegetais que se podem conjugar ao gosto e imaginação de cada um, tornando a alimentação protectora porque mais rica, mais variada, mais atraente e, porque não, mais colorida!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

CRIANÇAS HIPERACTIVAS? ATENÇÃO AO QUE COMEM E BEBEM...


Uma investigação recente confirmou a suspeita de que existe ligação entre hiperactividade infantil e ingestão de alguns aditivos alimentares.
Um estudo publicado no jornal inglês "The Lancet" mostra que uma grande variedade de corantes alimentares e o conservante benzoato de sódio - ingrediente comum de refrigerantes, sumos de fruta e coberturas de bolos - causa, nalgumas crianças, maior excitabilidade e menor capacidade de concentração. A sensibilidade, e portanto a reacção à ingestão de sumos com estes aditivos, é diferente de criança para criança. Enquanto algumas delas não têm uma reacção evidente, outras ficam significativamente mais hiperactivas. As diferenças genéticas estão agora na mira dos cientistas para responder a estas diferentes reacções aos corantes e aditivos alimentares.

Já nos anos 70, para tratar as crianças hiperactivas, o Dr. Benjamin Finegold desenvolveu uma dieta que restringia salicilatos (substâncias similares à aspirina que se encontram numa grande variedade de alimentos), aditivos sintéticos, corantes e substâncias que se adicionam normalmente aos alimentos processados. A sua teoria baseava-se em que os salicilatos são um dos factores que provocam hiperactividade, mas este facto não se conseguiu provar nos estudos então realizados.De qualquer modo sabe-se que 10 a 25% das crianças são sensíveis aos salicilatos e outras tantas haverão sensíveis a outros aditivos alimentares. É também certo que nunca se falou tanto de hiperactividade infantil como agora e, coincidência ou não, a alimentação infantil nunca foi tão dependente da indústria que usa e abusa de corantes e aditivos para ser atractiva aos olhos deles.

Proponho a todos quantos convivem com o problema da hiperactividade infantil ou a quem tem crianças que lhes dêem apenas alimentos naturais. Sumos sim, mas feitos em casa e gomas, rebuçados, chupas ou outras goluseimas impregnadas de corantes, só em dias de festas de aniversário. Leiam os rótulos dos alimentos antes de os porem no carrinho das compras e lembrem-se do aviso que a maioria dos clínicos que acompanham crianças hiperactivas fazem aos pais: "Mantenha o seu filho afastado de corantes e conservantes!"

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

PREVENÇÃO CARDIOVASCULAR


As doenças cardiovasculares são hoje a primeira causa de morte nos países desenvolvidos. Os factores que fazem aumentar o risco de enfarte são bem conhecidos, mas ao mesmo tempo ignorados por todos: alcool, tabaco, hipertensão, sedentarismo, peso a mais, diabetes, colesterol, stress, menopausa, alimentação (sal, açúcar, gorduras)... Todos, ou quase todos, evitáveis. É por este motivo que cada um de nós pode ter um papel activo e preponderante na prevenção de doenças cardiovasculares. Basta para isso ter atenção ao que come, ao que bebe e ao lugar que dá à actividade física na sua vida.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

DIA MUNDIAL DO CORAÇÃO



Comemora-se no dia 30 de Setembro o DIA MUNDIAL DO CORAÇÃO. A Delegação Centro da Fundação Portuguesa de Cardiologia está a organizar algumas actividades para este dia em Coimbra, das quais se destacam a "MARCHA PELO CORAÇÃO" (partida da Praça da República ás 09H00) e o "FESTIVAL DA SOPA, DA MAÇÃ E DO PÃO" (no Parque Dr Manuel Braga às 13H00).

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

PREVENÇÃO DA OBESIDADE INFANTIL

Vejam como esta mãe evita que o filho leve alimentos nada recomendáveis para casa. Isto sim, é autêntica prevenção da obesidade infantil !

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

AS CORES DA BANDEIRA NACIONAL


Olhar as cores da nossa bandeira pode ser mais do que um acto de patriotismo.Como nutricionista, proponho-lhe que olhe cada cor como a representante de grupos de alimentos de origem vegetal (legumes e frutos). Assim, o verde representa todos os alimentos de cor verde, o vermelho representa os de cores vermelha e laranja, o branco representa os de cor branca, o amarelo os de cor amarela e o azul, os de cores azul e violeta.Agora experimente, todos os dias, consumir alimentos destas cores e nestas proporções. Estará a praticar a já famosa alimentação colorida, que é protectora e preventiva de doenças degenerativas e cardiovasculares.

Faça saladas mistas variadas ou legumes cozidos ou assados em que pode utilizar alface, couve coração, couve roxa, couve-flor, bróculos, feijão verde, tomate, beringela, pepino, cebola, milho, nabo, rabanetes, pimentos verdes, vermelhos ou amarelos, abobrinhas, rebentos de soja, salsa, coentros, maçã, ananás, kiwi, mirtilos e frutos secos como pinhões, amêndoas, nozes, passas de uva, avelãs... Um número ilimitado de alimentos que se podem conjugar ao gosto e imaginação de cada um tornando a alimentação mais rica, mais variada, mais atraente e... inspirada nas cores da bandeira nacional.

AÇAFRÃO DA ÍNDIA PREVINE ALZHEIMER


A doença de Alzheimer, temida por todos, encontra a sua menor taxa em países como a Índia. Pensa-se que o consumo diário de açafrão, especiaria amarela constituinte importante da mostarda e do caril, é o factor responsável por esta evidência.

O açafrão, da mesma família do gengibre, provém do caule subterrâneo de uma planta tropical cuja acção terapêutica está a ser cuidadosamente estudada, porque está provado ser um poderoso agente anti-inflamatório com propriedades anti-cancerígenas. Desta acção anti-inflamatóriada também beneficiam o coração, vasos sanguíneos e obviamente todos os restantes orgãos. Podemos dizer que um pouco de açafrão por dia, do médico nos alivia.

Sugestão: se não é apreciador de mostarda nem de caril, experimente arroz de açafrão. É óptimo para acompanhar peixe ou carne!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

OBESIDADE E MALNUTRIÇÃO - O PARADOXO GLOBAL


A Globalização abriu a porta a um mundo de mais de um bilião de supernutridos, mas...
800 milhões de pessoas não têm o suficiente para comer.
Duas imagens e... nem mais uma palavra!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

RESTRIÇÃO CALÓRICA: UM PASSAPORTE PARA A LONGEVIDADE


Acaba de sair um livro muito interessante sobre longevidade com o título "O Segredo de Okinawa - passaporte para a longevidade" (Sinais de Fogo). Transcrevo aqui um pequeníssimo excerto acerca da importância da restrição calórica.

"Em Okinawa ingerem-se menos calorias do que em qualquer outro lado, e isso ao longo de toda a vida. Mas, como poderá constatar neste livro, não se tratam, em caso algum, de dietas, de privações ou de cálculos complicados! Não, muito pelo contrário. Tratam-se de escolhas alimentares diferentes. No total, em Okinawa come-se bastante mais em quantidade, mas bastante menos em calorias. Pratica-se de um modo muito natural o que os especialistas anti-idade designam como "a restrição calórica"... Esta é a única maneira, real e cientificamente provada, de prolongar os efeitos do envelhecimento.
Mas atenção: a restrição calórica nada tem a ver com a subnutrição! Trata-se de facto, de consumir precisamente aquilo de que o corpo necessita, e nem uma caloria a mais. Não é fácil, mas vale a pena, pois salvo casos particulares, comemos demasiado, ou mesmo em excesso."


Como é fácil de concluir, a alimentação dos okinawanos é baseada na escolha de alimentos com poucas calorias, portanto com uma densidade energética baixa. Alimentos com estas características são fundamentalmente os de origem vegetal (cereais, legumes e frutos), mas a alimentação só fica completa e equilibrada com a presença também dos alimentos de origem animal. Peixe, carne, ovos e lacticínios têm uma densidade energética muito mais elevada, devido à presença de gordura, pelo que são consumidos com muita moderação. Se observarmos com atenção a pirâmide alimentar (ao lado), verificamos que os alimentos que estão no topo (e que por isso são os que se devem consumir em menor quantidade) são as gorduras de adição, carne, ovos e, mesmo no vértice, os doces.

Estas são regras básicas para a prática da alimentação que considero a mais saudável. As provas estão dadas. Cabe a cada um de nós decidir e, depois... o nosso peso é o melhor indicador de que tomamos o rumo certo. Obrigada Okinawa!

terça-feira, 4 de setembro de 2007

BERINGELAS CONTRA O COLESTEROL


A beringela é o fruto da planta Solanum melongena, originária da Índia, pertence à mesma família do pimento, da batata e do tomate.

Estudos recentes realizados no Instituto de Biociências da UNESP de Botucatu - São Paulo, revelou que a beringela pode reduzir até 30% as taxas do colesterol.

É um fruto rico em vitamina A, vitaminas do complexo B (B1,B2 e B5), vitamina C e é também particularmente bom fornecedor de alguns minerais como cálcio, potássio, fósforo, ferro e magnésio. Possui alcalóides, que actuam diminuindo a pressão arterial, o que faz dela um óptimo alimento a utilizar regularmente na alimentação para prevenção cardiovascular.

Pensa-se que são estes alcalóides, os princípios activos responsáveis pela redução do colesterol sanguíneo, o que, a ser verdade, reforça ainda mais a sua acção protectora cardíaca e vascular.

São várias as formas como se podem confeccionar, desde assadas no forno juntamente com outros legumes (abobrinhas, tomate, cenoura, bróculos...), estufadas do mesmo modo, até simplesmente grelhadas, depois de partidas com casca em fatias longitudinais ou oblíquas, e temperadas apenas com azeite, muito pouco sal (senão lá se vai a protecção cardiovascular) e alho.

sábado, 1 de setembro de 2007

ONDE SE VIVE MAIS TEMPO


Okinawa (Japão), Sardenha (Itália), Loma Linda (Califórnia) e Península de Nicoya (Costa Rica) têm em comum serem os quatro sítios do mundo com maior percentagem de centenários. Os habitantes destes quatro locais, apesar de terem culturas diferentes e de geograficamente estarem muito distantes uns dos outros possuem alguns hábitos idênticos:

A alimentação tem por base cereais, legumes, verduras e frutas;
Comem pouco de cada vez, mas várias vezes ao dia;
Mantêm-se fisicamente activos. Andam a pé, de bicicleta ou trabalham no jardim ou na horta;
Alimentam o convivio social e olham a vida de forma positiva.

Qualquer um destes quatro sítios tem baixa percentagem de pessoas obesas.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

RATATOUILLE



O último filme da Disney-Pixar, "Ratatouille", conta-nos a história de um ratinho, o Remy, que sonha em tornar-se um grande "chef" francês. Mas, ratatouille é o nome de um prato camponês, do século XVIII, típico da região de Provence. O nome significa «picar, triturar», mas refere-se habitualmente a ragôut de legumes ou prato de beringelas. Trata-se de uma receita simples, tipicamente mediterrânica, de legumes assados (beringelas, abobrinhas, tomates, entre outros)com azeite, ervas aromáticas e especiarias a gosto.
No original francês, "ratatouille" é um substantivo feminino, também chamado de "ragoût grosseiro". Sopa de carne ou peixe picados com legumes cozidos longamente, em azeite de oliveira.(Larousse)

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

OBESIDADE INFANTIL


Portugal está entre os países europeus com maior nº de crianças com excesso de peso e obesas (valores na ordem dos 30%)

Crianças de risco:
•Crianças entre os 7 e os 9 anos
•Vivem em meios urbanos
•Filhos únicos
•Passam + tempo em frente ao ecran (computador, consola, TV…)
•Dormem menos de 8 horas por noite
•Prestam mais atenção à publicidade
•Cujos pais têm nível de instrução + baixo

Erros alimentares mais frequentes:
•As crianças comem pouca fruta,poucas vezes sopa
e poucos vegetais
•Bebem muitos refrigerantes e sumos e poucos lacticínios
•Fazem lanches à base de produtos processados pela indústria cheios de gordura e/ou açúcar (batatas fritas, bolicaos, manhãzitos, bolachas, bolos, croissants, cereais…)
•Gostam e abusam de comidas rápidas
•Excesso de goluseimas
•Comem ao longo da tarde sem regra (quando chegam da escola)
•À hora do jantar recusam-se a comer

De tudo isto resulta a ingestão de mais 300 a 500 kcal por dia, superior às necessidades que aliada à inactividade física, resulta primeiro em sobrepeso e, mais tarde, à obesidade.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

ÓMEGA-3 CONTRA A DEPRESSÃO


Investigadores franceses demonstraram que um regime rico em ómega-3, como o dos esquimós, aumenta a longo prazo a produção dos neurotransmissores da energia e da boa disposição no cérebro emocional evitando a depressão. A explicação parece simples: o cérebro, como todos os outros órgãos, renova os seus constituintes em permanência e podemos dizer que o que comemos hoje vai fazer parte das células de amanhã. Os ácidos gordos, são constituintes de base das membranas celulares das células nervosas(invólucro através do qual se efectuam comunicações). Se consumirmos sobretudo gorduras saturadas, aquelas que como a manteiga ou a gordura da carne, são sólidas à temperatura ambiente, a sua rigidez reflecte-se nas células cerebrais. Se, pelo contrário, ingerirmos sobretudo gorduras polinsaturadas, que são líquidas à temperatura ambiente, os invólucros das células do cérebro são mais fluidos, mais flexíveis, e a comunicação entre elas faz-se de forma mais estável. Daí que tenha interesse o consumo regular de peixe gordo – sardinha, salmão, cavala, arenque, atum, truta do mar – por serem fonte de proteína saudável e porque a gordura que as envolve é rica em ácidos gordos essenciais do tipo ómega-3.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

ORQUESTRA VEGETAL DE VIENA

Costumamos olhar frutos e hortaliças como alimentos para o corpo. Vejam como podem ser música para o espírito.


A Orquestra Vegetal de Viena vem a Portugal em Setembro.

terça-feira, 31 de julho de 2007

HÁ SAL E SAL



O sal é um componente essencial na alimentação humana utilizado desde tempos imemoriais que nos transportam para o início da Idade do Ferro. Depois da água, o sal é o composto mais abundante à superfície da Terra.

O comércio do sal teve sempre grande importância económica, sendo causa de conflitos políticos e de guerras. Usado como objecto de troca, o nome sal (do latim sal, salis) deu origem ao termo salário, por ser utilizado para remuneração dos legionários romanos. Da passagem dos Gregos pela Península Ibérica (anterior aos romanos) ficaram os vocábulos hals, halos, donde veio o nome dado ao cloreto de sódio encontrado em depósitos naturais – halite (sal-gema).

Os termos sal e sódio são usados incorrectamente, como sinónimos. O sal é o cloreto de sódio (40% de sódio e 60% de cloro). O sódio é um nutriente essencial à vida e todas as células precisam dele para funcionarem adequadamente, desde que respeitados os limites próprios. O cloro é essencial a uma boa saúde, sendo parte indispensável no desempenho de funções vitais.

A ingestão excessiva de sal pode fazer subir a tensão arterial, aumentando os riscos de acidente vascular cerebral e doença cardíaca, provocar cancro de estômago, insuficiência renal, enxaqueca e outras cefaleias, inchaços, pernas entumescidas e turgescência de veias e capilares, além de que promove perdas de cálcio, agravando a osteoporose.

A questão que se coloca é: Quanto sal?
As necessidades de sódio variam com a idade, com o esforço e perdas através da transpiração, mas a quantidade mínima estimada para um adulto, segundo a National Academy of Sciences, é de cerca de 1,5 mg a que correspondem aproximadamente 4 g de sal por dia.

Mas há sal e sal… O simples cloreto de sódio, não se compara nem em qualidade nem em sabor, ao sal marinho tradicional extraído das salinas artesanais. Na sua constituição entram em valores médios aproximados, 77,7% de cloreto de sódio, 10,9% de cloreto de magnésio, 4,7% de sulfato de magnésio, 3,5% de sulfato de cálcio e 3,2% de diversos outros sais: sulfato de potássio, cloreto de potássio, carbonato de cálcio, brometo de magnésio, iodeto de potássio. O sal marinho tradicional é naturalmente húmido, e isto deve-se à presença do magnésio.

O sal processado industrialmente perde características interessantes, do ponto de vista nutricional, durante o processo de lavagem a que é sujeito. São eliminados componentes nomeadamente o plâncton, o krill (pequeno camarão invisível) e restos de esqueletos de pequenos animais marinhos, óptimas fontes de cálcio natural, iodo, magnésio, zinco, cobre, molibdénio… O sal refinado, porque lavado, é empobrecido e, posteriormente, “enriquecido” com aditivos químicos de compensação, em quantidades não fisiológicas, prejudiciais.

A Nutrição é importante para uma boa saúde. Uma alimentação saudável exige sal marinho artesanal, o mais velho aditivo do mundo que se conhece!

quinta-feira, 26 de julho de 2007

CUIDA BEM DE TI!


Pequeno clip sobre alimentaçao realizado por alguns alunos da Escola Secundaria Garcia de Orta, Porto! 04/2007

quarta-feira, 25 de julho de 2007

EM BREVE CHEGAREMOS AOS 120


Pílulas inteligentes, chips implantados sob a pele, órgãos que voltam a crescer…A revolução científica e médica da longevidade está apenas no início. Em breve viveremos ainda mais anos, e em melhor forma…”Avanços da Ciência, com as respectivas aplicações na Medicina, que vai debelando doenças consideradas incuráveis, modificações do estilo de vida e de alimentação, preocupações crescentes com a qualidade do ambiente têm conseguido prolongar substancialmente esperança de vida do Homem.

A longevidade é seguramente um dos grandes temas da investigação aplicada e tem já um impacte económico considerável. A indústria preocupa-se com a prevenção das doenças e investiga produtos que melhorem a qualidade de vida dos idosos, os ajudem a conservar a memória, a dar-lhes melhor aparência, mais força muscular e vigor sexual. Mas não se iluda o leitor que os novos produtos vêm resolver todos os problemas, porque no que toca a longevidade, cada um trata da sua. É fundamental um estilo de vida sem tabaco e com muito pouco álcool, factores que sabemos encurtam a vida, mas não podemos esquecer que a alimentação está na base da nossa saúde. Senão vejamos: os centenários são, felizmente, cada vez mais activos e numerosos. Existem comportamentos comuns entre eles, independentemente da região do planeta que habitem, nomeadamente em matéria de alimentação. Todos são frugais (o excesso de peso abrange apenas 1% deles). No Japão, ilha de Okinawa, encontra-se a maior percentagem de centenários do mundo e todos eles respeitam a velha filosofia “satisfaz a tua fome apenas em 80%”.

A restrição calórica moderada é factor de longevidade porque activa determinados genes que colocam o metabolismo das células no modo “economia”, o que faz com que os tecidos envelheçam mais lentamente. Já George Cheyne médico que viveu na Escócia há mais de duzentos anos (1671-1743), muito atento aos mais velhos e à preparação para um bom envelhecimento, publicou em 1724 num “Tratado da saúde e longa vida” que, depois dos 50 anos, se deve “diminuir a quantidade de alimentos”, “…em cada sete anos de existência reduzi-la sucessiva e sensivelmente... como meio mais breve e mais infalível para conservar vida, saúde e serenidade”.

Os centenários têm outros pontos comuns: praticam exercício regular do corpo e da mente. Em geral, são de natureza serena, fazem caminhadas regulares, praticam jogos, treinam a memória. Geralmente possuem uma rede de parentes, amigos e vizinhos com quem convivem socialmente e, a maior parte, tem também animais de companhia.

Terminamos com os seus hábitos alimentares que têm tudo a ver com as regras de alimentação saudável que defendo: mais peixe que carne, pouco açúcar e pouco sal, poucas gorduras, muitos frutos, legumes, cereais e alguns lacticínios.
A alimentação saudável é frugal e uma constante que se deve respeitar ao longo da vida, o que não impede, evidentemente, que façamos festas que são tradicionalmente dias de fartura…também à mesa!

terça-feira, 17 de julho de 2007

ALIMENTAÇÃO E FUTEBOL PROFISSIONAL


PREPARAÇÃO FÍSICA E ALIMENTAÇÃO: FUNDAMENTAIS PARA OS MELHORES RESULTADOS DESPORTIVOS
07-07-13 23:01

A equipa da Académica assistiu hoje a uma sessão de informação sobre ALIMENTAÇÃO E FUTEBOL PROFISSIONAL, promovida pelo departamento médico da Académica e que contou com a orientação da nutricionista da Briosa, Ana Carvalhas.

De acordo com Ana Carvalhas a “falta de nutricionistas deixa futebolistas entregues ao seu apetite”. E, referiu que a “educação alimentar” não tem sido uma prioridade na maioria dos clubes de futebol.

O que não é o caso da Académica, como comprova esta iniciativa.

Consulte aqui toda a informação, gentilmente cedida pela Dr.ª Ana Carvalhas, sobre bons hábitos alimentares (regras e dicas) a ter no desporto de alta competição…

quinta-feira, 12 de julho de 2007

ESPELHO MEU…


Depois da morte, no último ano, de duas modelos brasileiras por anorexia mental, Madrid e Milão tomaram a louvável atitude de banir dos seus desfiles de moda modelos supermagras, isto é, modelos com índice de massa corporal abaixo de 18 kg/m2 (segundo a Organização Mundial de Saúde, são considerados de baixo peso indivíduos com índice inferior a esse valor).

Comer deixou definitivamente de ser um acto inocente. Nunca como agora houve tanta consciência dos efeitos que a alimentação tem na nossa saúde física e mental (no nosso corpo e na nossa imagem corporal). Hoje em dia, comemos não apenas para nos alimentarmos, mas também para sermos mais: mais atraentes, mais jovens, mais saudáveis, mais inteligentes, mais longevos, etc, etc.

A busca da silhueta ideal imposta pelos média tem conduzido aos maiores disparates alimentares. A anorexia, a bulimia e a obesidade são consequências de maus comportamentos alimentares. As anorécticas e as bulímicas (uso o feminino plural porque são geralmente raparigas, as portadoras destes distúrbios - nove raparigas para um rapaz) são vítimas de medo excessivo de engordar. Os seus comportamentos vão da privação total de alimentos, forma adoptada pelas anorécticas, até à restrição alimentar alternada com hiperfagia (ingestão excessiva de alimentos), forma adoptada pelas bulímicas. Mas estes dois tipos de comportamento ocorrem igualmente com os obesos que podem experimentar os efeitos nefastos do jejum, quando tentam perder peso, e de hiperfagia descontrolada, quando desistem da sua dieta. Em qualquer dos casos, tais comportamentos geram angústia e infelicidade, que abrem caminho a novas crises, entrando em ciclos viciosos.

A obrigação de ter de parecer uma ninfa pode também ser responsável por distorções psicológicas com graves consequências na auto-estima. Mulheres clinicamente normais, quer dizer, com peso adequado à sua altura, sentem-se muitas vezes, gordas e feias devido à pressão social. Baseada neste fundamento, a Dove, conhecida marca de cosmética, pôs em marcha um inquérito à escala global, em que foram entrevistadas 3200 mulheres de dez países. O estudo revelou que apenas dois por cento das mulheres se achavam bonitas e que cerca de metade se julgavam demasiado gordas. Na sequência, a Dove decidiu lançar no ano passado uma campanha pela beleza real cujo “slogan” era “mulheres reais têm curvas reais”. A ideia era ajudar as mulheres que não têm um corpo de “top-model” (obviamente a esmagadora maioria) a realçar e a apreciar a sua própria beleza. Repare-se que cada cultura tem os seus padrões de beleza e cada um de nós herda dos progenitores ancas largas ou estreitas, pernas curtas ou longas, troncos curtos ou longilíneos, cinturas estreitas ou largas, enfim cada ser humano é único e irrepetível, com o seu encanto próprio pelo que não podem gerar-se sentimentos de inferioridade. Cada mulher deve achar-se bonita tal como é!

Nem gordura é formosura nem magreza é beleza. No meio é que está a virtude. E é esse meio que temos todos, mulheres e homens, de procurar para nos olharmos, felizes, diante de um espelho! Espelho meu...

terça-feira, 26 de junho de 2007

O PESO DAS ESTRELAS


Segundo o astrofísico Mário João Monteiro, professor da Universidade do Porto, “a vida das estrelas é uma sequência de tentativas (algumas com sucesso mas outras não) de impedir que o seu peso a destrua… porque, como gasta energia a estrela ‘envelhece’, logo todas as estrelas têm um início, uma juventude (intempestiva), uma idade adulta, uma velhice e um fim. Assim ao longo da sua vida o interior da estrela vai mudando (por vezes de uma forma drástica) adaptando-se como pode ao efeito da força inevitável que é o seu peso”.Devíamos aprender com as estrelas. De facto, tal como elas, temos de impedir que o peso nos destrua... O peso excessivo representa uma sobrecarga para o coração.

As doenças cardiovasculares têm liderado, ano após ano, as causas de morte em todo mundo. Os números não deixam margem para dúvidas: 16,6 milhões de mortes por ano, dos quais seis milhões na Europa. Destes seis milhões, 50 mil ocorrem em Portugal. É muita gente!

Diz-se que as vítimas são mais homens do que mulheres, mas, entre nós, é precisamente ao contrário. Morrem mais mulheres por doença cardiovascular do que homens porque elas são, em média, mais obesas do que eles. As mulheres estão realmente mais protegidas até à menopausa, mas, a partir dessa altura, o risco aumenta drasticamente.

A maior parte dos factores de risco são bem conhecidos: não só a obesidade, mas também a hipertensão arterial, a hipercolesterolemia (colesterol elevado), o tabagismo, o stress, a ausência de actividade física… só para referir alguns.

Quando se comparam as estatísticas de saúde de 1996 com as de 2006, até ficamos animados: o número de fumadores diminuiu, há maior controlo da hipertensão arterial e da hipercolesterolemia, em parte porque se desenvolveram fármacos adequados. Mas ficamos desanimados com o aumento acentuado do número de indivíduos obesos. Em particular, é indispensável lutar contra a obesidade que anda aliada à diabetes.

Obesos e diabéticos têm um risco acrescido de virem a sofrer um evento cardiovascular, um risco que só diminui com a prática de uma actividade física regular. Esta favorece a circulação e é um precioso auxiliar na perda de peso.

Estes e outros problemas foram debatidos em Coimbra nas VII Jornadas Científicas da Fundação Portuguesa de Cardiologia – Delegação do Centro, sob o lema “Previna Hoje…Viva Amanhã!”. Cabe a cada um de nós vigiar o seu peso! A nossa esperança de vida e a nossa qualidade de vida dependem desse cuidado. Tal como as estrelas, precisamos de nos livrar do excesso de peso para vivermos mais...