terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Classe social condiciona crescimento das crianças

Notícia do jornal da Universidade do Porto - notícias.up.pt:




As crianças pertencentes a classes socioeconómicas mais favorecidas são mais altas e mais pesadas, indica um estudo científico da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e da Universidade de Coimbra (UC), publicado na Economics and Human Biology.

Liderado por Hugo Cardoso (professor da FMUP e investigador do Museu Nacional de História Natural & Centro de Biologia Ambiental da Universidade de Lisboa), este estudo avaliou as diferenças na estatura de rapazes dos 10 aos 16 anos, do Colégio Militar e da Casa Pia de Lisboa, entre 1910 e 2000. A avaliação antropométrica foi utilizada como indicador do desenvolvimento da sociedade.

O Colégio Militar é tradicionalmente frequentado por crianças e jovens de classes sociais privilegiadas e possui registos antropométricos dos seus alunos desde o início do século XX. Por seu turno, a Casa Pia de Lisboa acolhe, desde 1755, crianças e jovens desfavorecidos. As medidas referentes aos jovens desta escola foram recolhidas por Madalena Caninas, co-autora deste trabalho.

Veja os resultados aqui.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

FISIOLOGIA DO GOSTO


É um gosto ler um clássico da literatura gastronómica que acaba de sair na Relógio d'Água: "Fisiologia do Gosto", de Brillat-Savarin, um gastrónomo francês dos séculos XVIII e XIX, que foi publicado em 1825, pouco antes da morte do autor. Brillat-Savarin é o autor de frases famosas como "Diz-me o que comes, dir-te-ei quem és" e "A descoberta de uma nova receita faz mais pela felicidade do género humano do que a descoberta de uma estrela".

Transcrevo um excerto do cap. XXII "Tratamento preventivo ou curativo da obesidade":
"Toda a cura da obesidade se deve basear na discrição em comer, na moderação no sono, e na prática do exercício a pé ou a cavalo, embora o método dietético seja o mais importante.

O regime alimentar é a primeira de todas as prescrições médicas, pois exerce uma acção contínua, de dia e de noite, quer o indivíduo esteja acordado ou a dormir. Este efeito, que se renova em todas as refeições, acaba por subjugar todas as partes do corpo. Ora bem, o regime anti-obesidade é indicado para a causa mais comum e mais activa desta enfermidade, uma vez que está demonstrado que é devido às farinhas às farinhas e às féculas que se formam as congestões gordurosas tanto os homens como nos animais (...) Daqui pode deduzir-se, como consequência exacta, que a abstinência mais ou menos rigorosa de tudo o que é farinhento ou feculento ajuda a diminuir a gordura.

- Oh meu Deus!, vão exclamar os leitores e leitoras. Oh meu Deus! Vejam como este professor é bárbaro! vejam como proíbe com uma única palavra, tudo aquilo de que gostamos, aqueles pãezinhos tão brancos do Limet, ou biscoitos do Achard, as bolachinhas do... e um ror de outras coisas boas que são feitas com farinha e manteiga, com farinha e açúcar, com farinha, açúcar e ovos! Ele não admite nem as batatas nem o macarrão! Poderíamos esperar uma coisas de um apreciador da boa mesa que parecia tão competente?

- O que é que eu estou a ouvir? - pergunto, fazendo uma cara séria, daquelas que só faço uma vez ao ano. Pois bem, comam, engordem, tornem-se feios, pesadões, asmáticos e morram de diarreia. Estarei lá para tomar nota disso e para os incluir na segunda edição do meu livro. Mas o que estou a ver? Bastou uma palavra para se darem por vencidos: têm medo e rezam (...) Tranquilizem-se, vou prescrever-vos um regime e provar que ainda há alguns prazeres nesta terra onde só se vive para comer.

Gostam de pão: pois bem, comam pão de centeio, cujas virtudes estão há muito enaltecidas pelo prestigiado Cadet de Vaux [químico francês]; é menos nutritivo e sobretudo menos agradável ao paladar, o que torna mais fácil cumprir o preceito. Para não pecarmos, temos de fugir às tentações. Não se esqueçam disso, que é a moral da história.

Gostam de sopa: então, comam sopa juliana, de vegetais verdes, de repolho, de raízes, mas as de pão, de massa e os purés estão proibidos.

No primeiro prato podem comer de tudo, com poucas excepções, como o arroz de frango e os empadões. Comam, mas sejam prudentes(...)

Com os outros pratos, vão precisar de filosofia. Evitem todo e qualquer tipo de farináceos: não vos basta o asssado, a salada e os legumes herbáceos? (...)

Chegam as sobremesas e com elas novos perigos: mas, se se tiverem portado bem até então, terão ainda de ser mais prudentes. (...) Comam frutas de todos os tipos, compotas, e muitas outras coisas que saberão escolher se adoptarem os meus princípios."

PRECIOUS



Chega a Portugal esta semana (dia 11) um filme que aguardo com espectativa. Trata-se de "Precious" , um filme sobre os problemas de uma jovem norte-americana com obesidade mórbida maltratada . Já conquistou um Globo de Ouro e é apontado como um dos candidatos mais fortes aos Oscares da Academia de Hollywood deste ano. Deixo o "trailer" do Youtube, legendado em português do Brasil, como o resumo do mesmo sítio.

"Precious é uma adolescente negra norte-americana que sofre com o preconceito e com o péssimo relacionamento com a mãe. No meio disso tudo, uma professora, tenta ajudar a garota a melhorar sua vida. Produção de Oprah Winfrey com participações de Mariah Carrey e Lenny Kravitz.
"

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Pectina de Maçã Beneficia Flora Intestinal


Um estudo realizado no âmbito do projecto europeu ISAFRUIT concluiu que a pectina das maçãs favorece o desenvolvimento de estirpes bacterianas presentes na flora intestinal produtoras de butirato. O butirato é um ácido gordo de cadeia curta, com propriedades anti-inflamatórias, cuja função está associada à motilidade intestinal e à protecção do epitélio intestinal pela produção de muco. Estas acções são muito vantajosas para a prevenção do cancro intestinal e de outras doenças inflamatórias do intestino.

Mais um bom motivo para continuar a comer maçãs!

Referência
Tine R Licht, Max Hansen, Anders Bergstrom, Morten Poulsen, Britta N Krath, Jaroslaw Markowski, Lars O Dragsted and Andrea Wilcks. Effects of apples and specific apple components on the cecal environment of conventional rats: role of apple pectin. BMC Microbiology, 2010. BMC Microbiology

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

COZINHA ARQUEOLÓGICA


No passado fim de semana comprei na feira de livro antigo no Mercado da Ribeira, em Lisboa, entre outras pechinchas, um curioso livrinho com o título que está em cima, da autoria de Eça de Queirós (Compendium, 1998). O saboroso (aqui a palavra é plenamente justificada!) texto queirosiano saiu nas Notas Contemporâneas (Lello, 1909). Não resisto a deixar aqui um excerto:
"Para mim, porém, que não me reclamo da erudição filológica, o que mais me prende, nas páginas de Ateneu, não são esses Arquéstratos, esses Dífilos, esses Baquílides, esses centenares de poetas que citou a tempo, antes que o fogo católico os devorasse, mas as noções e notícias de cozinha grega, romana e alexandrina, as três grandes escolas de cozinha da Antiguidade, que ele nos conservou com enternecido cuidado, prevendo talvez a chegada dos Bárbaros, e para que se não obliterasse entre os homens a arte superior de bem comer. O comer bem foi, com efeito, uma das grandes preocupações do homem antigo, tão grande talvez como servir o Estado - e assim têm podido assegurar alguns moralistas dispépticos que Roma pereceu pela barriga. Já a Grécia mesma, que era sóbria por temperamento e por educação, elevou a uma alta dignidade a arte da cozinha. Platão não duvidou de a equiparar à oratória: e num dos seus diálogos magníficos envolve nos mesmos louvores vos que guisam e apresentam bem as ideias e os alimentos. Tal era a cultura, o fino engenho, a influência social dos cozinheiros, que a Grécia, resumindo em símbolos compreensíveis e populares as glórias da sua civilização, celebrou ao lado dos seus sete sábios os seus sete cozinheiros. O maior eles foi Aegis, de Rodes, o único mortal que tem sabido assar sublimamente o peixe. Outro era Nereu, de Quio, cuja sopa de congro foi cantada por poetas, e recompensada em toda a África com coroas cívicas. Outro ainda, Aftonenes, de Atenas, levantou a tal perfeição a ciência dos molhos que, para o possuir como chefe de cozinha, os reis travaram entre si longas guerras... Para quê citar outros? São apenas nomes, nenhum vestígio resta do seu génio adorável. De Sófocles temos as Tragédias, de Teócrito as Éclogas. Mas onde estão os molhos de Aftonenes?

Se era assim entre os Gregos, simples e metafísicos, que dizer dos Romanos, que Salústio (bastante livre todavia nos seus costumes) acusa já de escravos do ventre, dediti ventri? A comezaina foi entre eles um poderoso factor social, quase uma razão de Estado. Catão fez decidir a última guerra púnica, mostrando, aos olhos gulosos do Senado, a beleza e o tamanho dos figos de Cartago.

À medida que se alargavam as fronteiras da República, cresciam em Roma as escolas de cozinha - mais numerosas, já no tempo de Cláudio, do que as de filosofia e de gramática. O ofício de cozinheiro tornou-se o mais rendoso e um dos mais previlegiados. Era quase um cargo público pelas honras que conferia - e chegou a existir uma corporação de cozinheiros do Estado. Sob Alexandre Severo, os governantes da províncias recebiam, ao partir, entre outras dotações de baixelas, de cavalos, de armas de luxo, um cozinheiro, um cozinheiro oficial, que deviam restituir ao Estado quando findava o seu período de governo.

Desses cozinheiros os mais ilustres foram os Apícios, que formaram uma verdadeira dinastia, desde Sila até Trajano. O último Apício, o mais célebre, redigiu enfim como código supremo da cozinha, no seu livro monumental Da arte culinária. Pouco a pouco, a vida identificava-se com a mesa; e a palavra convivium, já nos dias de Cícero, significava indiferentemente a sociabilidade moral, que liga os homens, e o banquete, que os reúne materialmente em torno do mesmo guisado.l

De resto, a mesa constituiu sempre um dos fortes, senão o mais forte alicerce das sociedades humanas. Já os Gregos diziam, na sua linguagem pitoresca e livre, que "a mesa é a alcoviteira da amizade!" Não só na vida íntima, mas na vida pública das nações, o jantar constitui a melhor e a mais solene cerimónia que os homens acharam para consagrar todos os seus grandes actos, imprimir-lhe um carácter de união e de comunhão social. Outrora não havia fundação de cidade, declaração de guerra, instalação de magistratura, que não fosse acompanhada e corroborada por um festim. Ainda hoje se não cria um grémio, ou um sindicato, sem que os seus sócios jantem, cimentando os estatutos com champanhe e túbaras. As próprias relações do homem com a divindade estabeleceram-se sempre através da comida. O sacrifício da rês, sobre a ara, era uma espécie de merenda espiritual, em que o Deus, atraído pelo cheiro da carne assada, descia e se tornava acessível ao crente, partilhando com ele das vitualhas santas. O cristianismo, neste ponto, concordou com o paganismo e a missa, pela consagração do pão e do vinho, é um verdadeiro banquete celebrado entre a Terra e o Céu".

Eça de Queirós

Dia Mundial Contra o Cancro

Hoje comemora-se o Dia Mundial contra o Cancro sob o lema "o cancro também pode ser prevenido". O objectivo é lembrar que os estilos de vida saudáveis e a prevenção podem evitar até quatro em cada dez casos.

O Coordenador Nacional para as Doenças Oncológicas e especialista em oncologia médica, Dr Fernando Leal da Costa, defende que se devem incentivar as crianças a adoptar hábitos alimentares e de vida saudáveis:

"O esforço empenhado na educação das crianças e adolescentes, para comportamentos saudáveis e prevenção do cancro, será sempre recompensado no futuro. É nas crianças que temos maior probabilidade de sucesso na prevenção do tabagismo, na criação de bons hábitos alimentares e outros comportamentos saudáveis. Até porque as crianças podem ser um excelente veículo de conhecimentos e de formação dos pais e mais uma fonte de motivação para que estes se comportem melhor”.

Fonte: Portal da Saúde

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Emagrecer é...

Não fazer dieta!

A palavra "dieta" não é normalmente utilizada na minha consulta. Muitas pessoas acreditam que fazer dieta, isto é, terem uma fórmula "mágica" de alimentação diária e repeti-la de um modo rotineiro e monótono, é a solução para emagrecer. De facto, poderá acontecer que percam alguns quilos, mas à custa normalmente de uma alimentação desequilibrada e de muito sacrifício. Ninguém aguenta uma alimentação deste tipo toda a vida. E os quilogramas voltam...

Hoje em dia, os nutricionistas fazem, nas suas consultas, autênticas sessões de educação alimentar. Prescrevem também planos alimentares que são personalizados porque têm que atender ao gosto, aos hábitos, às necessidades nutritivas especiais de algumas fases da vida (infância, adolescência, gravidez, aleitamento, terceira idade e desportistas) ou de doenças metabólicas individuais (diabetes, hipertensão, hipercolesterolémia, hipertrigliceridémia, hiperuricémia, entre muitas outras).

Aqui, na rubrica "Emagrecer é...", tenho dado semanalmente regras de alimentação para a saúde, fáceis de cumprir e que farão os leitores emagrecer naturalmente... sem fazerem dieta.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Verdade ou Mito?

Cereais de pequeno-almoço integrais não fazem engordar.

A crença generalizada de que os alimentos integrais são dietéticos tem sido muito bem aproveitada pela indústria alimentar para fomentar as vendas dos seus produtos. A menção colocada nas embalagens "com cereais integrais" é suficiente para fazer o consumidor menos informado pensar que pode comer aquele alimento à vontade sem engordar. Mas, não é bem assim. As farinhas feitas a partir de cereais integrais, isto é, teoricamente feitas com os grãos inteiros de cereais, são realmente melhores porque mais ricas em fibras, vitaminas e minerais. No entanto, os cereais de pequeno-almoço apesar de serem feitos com estas farinhas integrais continuam a ter demasiado açúcar. Uma mão cheia destes cereais tem aproximadamente o mesmo valor calórico do que um pão. E quem é que só põe uma mão cheia destes cereais no leite?
Se não quer engordar troque os cereais de pequeno-almoço açucarados por pão integral. Este sim, é o modo mais saudável de comer cereais.

sábado, 30 de janeiro de 2010

HUMOR: "DIET SHAKE"

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

"O CAOS NA ROTULAGEM ALIMENTAR"

A propósito da rotulagem dos alimentos: Saiu ontem no New York Times um artigo intitulado "Six Meaningless Claims on Food Labels" (Seis Frases Sem Sentido Nos Rótulos Alimentares) que, citando a coluna Consumer Ally” no AOL’s WalletPop site, alerta para a linguagem utilizada pelos fabricantes para levarem os consumidores a acreditar que os seus produtos são alimentos saudáveis. É cada vez mais comum encontrarmos rótulos com alegações sem sentido como "feito com boas matérias naturais" ou "aprovado pelas crianças". Por outro lado, algumas alegações regulamentadas como "saudável" ou "contém antioxidantes" têm sido de tal modo banalizadas que perderam a credibilidade.

O Centro para a Ciência no Interesse Público (Center for the Science in the Public Interest - CSIP) publicou recentemente um relatório disponível online, com 158 páginas, intitulado "O Caos na Rotulagem Alimentar", onde identifica as seis alegações enganosas mais comuns em alimentos consumidos pelos americanos, que não serão, certamente, muito diferentes dos nossos. Fica aqui, resumindo o que vem no "New York Times", o alerta para estarmos atentos e não nos deixarmos enganar:

1. "Ligeiramente adoçado". Os pacotes de cereais contêm muitas vezes a frase "levemente adoçado" para indicar ou sugerir que contêm menos açúcar. A Food and Drug Administration (FDA) dos EUA regulamentou a utilização dos termos "sem açúcar" e "sem adição de açúcares", mas não disse nada a respeito das afirmações "com pouco açúcar" ou "ligeiramente adoçado." Estas menções devem ser determinadas por regras nacionais e não pelo marketing, lembra o relatório do CSPI.

2. "Boa fonte de fibras". Cada vez mais alimentos têm escrito nos rótulos que são uma boa fonte de fibra, mas o CSPI observa que muitas vezes a fibra não provém de fontes tradicionais - grãos integrais, feijão, legumes ou frutas - reconhecidamente boas para a saúde. Em vez deste tipo de fibras, os fabricantes adicionam as chamadas "fibras isoladas" feitas de raiz de chicória ou de pós purificados de polidextrose e outras substâncias que ainda não demonstraram o seu efeito para fazer baixar a glicémia (o açúcar no sangue) ou o colesterol.

3. "Reforça o seu sistema imunitário". Este tipo de alegações leva o consumidor a pensar que ficam protegidos das doenças, o que está longe de ser verdade. É uma frase vaga e, por isso, sem muito sentido.

4. "Feito com fruta verdadeira". Muitas vezes a fruta está em baixíssima quantidade e não se trata, frequentemente, do mesmo tipo de fruta retratado na embalagem.

5. "Feito de cereais integrais". Muitos produtos têm no rótulo que provêm de grãos de cereais integrais embora, por vezes, eles contenham farinha refinada como primeiro ingrediente, sendo mínima a quantidade de cereais integrais.

6. "Só contém produtos naturais". O FDA já enviou cartas de advertência a várias empresas lembrando que este rótulo é enganador, mas não emitiu nenhuma regra formal sobre este termo.

Fonte: The New York Times.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Emagrecer é...

Saber ler os rótulos dos alimentos

A rotulagem dos alimentos é fonte de informação alimentar e nutricional que permite ao consumidor fazer escolhas de acordo com um padrão alimentar saudável. No entanto, os rótulos, para a maioria dos consumidores, são muitas vezes de difícil interpretação. Na rubrica "Emagrecer é..." de hoje espero contribuir para que todos fiquem mais bem esclarecidos.

Os alimentos pré-embalados obedecem a normas europeias de rotulagem. Deste modo, é obrigatório que o rótulo contenha:
  • Denominação de venda. É a designação do produto ou o seu nome, por exemplo, "iogurte natural", "manteiga", "farinha láctea". Este ítem deve ainda incluir o estado físico do produto e/ou tratamento a que tenha sido sujeito, por exemplo, "em pó", "liofilizado", "ultracongelado", "fumado", sempre que a sua omissão seja susceptível de gerar confusão.
  • Lista dos ingredientes. Deve ser apresentada por ordem decrescente de quantidades. Não é exigida a indicação dos ingredientes em produtos como frutas, produtos hortícolas frescos, águas gaseificadas, vinagres de fermentação, queijos, manteiga, leite, natas fermentadas e nos produtos constituídos por um único ingrediente.
  • Quantidade líquida. Deve figurar em unidades de volume no caso dos líquidos e em unidades de massa nos restantes produtos. Estão previstas disposições especiais para alimentos vendidos à unidade (por exemplo: os ovos).
  • Data de durabilidade mínima. A data consiste no dia, mês e ano salvo no caso de alimentos de durabilidade inferior a três meses (em que bastam o dia e o mês), dos alimentos com uma durabilidade máxima de 18 meses (bastam o mês e o ano) ou com uma durabilidade superior a 18 meses meses (basta o ano). A durabilidade não é exigida para alguns produtos, como a fruta, o sal, o vinho, etc.
Fonte da informação aqui.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A CONFUSÃO DAS CALORIAS


Tirando uma ou outra excepção, que só serve para confirmar a regra, os comentários dos leitores e leitoras têm sido sempre pertinentes e encorajadores. Um dos últimos que recebi chamava-me com toda a razão a atenção para destrinça que é preciso fazer entre calorias e quilocalorias.

A caloria é uma unidade histórica de energia: foi introduzida no século XIX para designar a energia que é necessária para aquecer um grama de água quando a sua temperatura aumenta de um grau Celsius, ou abreviadamente 1 ºC (ou 1 kelvin). Mas, como essa energia varia conforme a temperatura, foi necessário definir a temperatura de 15 graus (energia necessária para aquecer um grama de água de 14,5 ºC para 15,5 ºC) . Hoje em dia a unidade de energia no Sistema Internacional (SI) de unidades, que tem existência legal no nosso país tal como acontece em muitos outros, é o joule, unidade que tomou o nome do físico inglês James Joule, que realizou experiências sobre o aquecimento da água por processos mecânicos (a queda de um peso fazia girar um agitador dentro de um recipiente com água que a faz aquecer, sendo o trabalho mecânico equivalente a calor). A caloria de 15 graus, ou simplesmente caloria, vale 4,185 joules (foram definidas outras calorias, de valores parecidos, mas elas não interessam para aqui). O símbolo da caloria é cal e o do joule é J, pelo que se escreve

1 cal = 4,185 J

A utilização da caloria como unidade de energia é, em geral, desaconselhada, em favor do joule. Mas acontece que em nutrição o uso da unidade caloria tem uma longa tradição, que é difícil de terminar. A energia libertada pela combustão dos alimentos é, por isso, normalmente medida em calorias. Em vez de caloria, uma unidade mais adequada é a quilocaloria (escreve-se assim e não kilocaloria), que é igual a 1000 calorias, a energia necessária para elevar de 1 ºC a temperatura não de um grama mas de um quilograma de água (a 15 ºC, claro). O seu símbolo é kcal com k minúsculo e não maiúsculo (K maiúsculo é o símbolo do kelvin, o grau de temperatura absoluta que, como já disse, é igual ao grau Celsius):

1 kcal = 1000 cal

Por vezes chama-se a esta unidade "grande caloria" para a distinguir da outra, e escreve-se para ela o símbolo Cal em vez de cal (claro que, se se escrever o símbolo à mão, difícil será distinguir!). Há quem escreva Caloria e diga, em linguagem oral, "caloria" quando se está a referir à "grande caloria" e não à "pequena". Ora isto pode causar a maior das confusões... Há até rótulos de produtos alimentares que aproveitam esta confusão para enganar o consumidor. Cuidado com os rótulos! O melhor é falar de quilocalorias e não de grandes calorias e, muito menos, de Calorias.

Uma boa fonte sobre o Sistema Internacional de Unidades é:

- Guilherme de Almeida, Sistema Internacional de Unidades (SI), Grandezas e unidades físicas. Terminologia, símbolos e recomendações. 3.ª edição, Plátano, 2002.

Quem consultar este livro fica a saber que os nomes das unidades, por extenso, se escrevem sempre com minúsculas (excepto a palavra Celsius, em graus Celsius), que esses nomes admitem plural (joules, por exemplo), mas que os símbolos das unidades, que se devem escrever sempre em redondo e não em itálico, são em minúsculas, excepto se o nome derivar de um nome próprio, caso em que a primeira letra é maiúscula (assim o símbolo do joule é J). Os símbolos não admitem plural, devendo sempre ser separados do valor numérico por um espaço: por exemplo, 15 ºC e 1 J. Nunca se devem misturar nomes com símbolos.

Também se aprende aí que grama é substantivo masculino e não feminino (deve escrever-se e dizer-se o grama) e que o quilograma é a única unidade de base do Sistema Internacional que tem um prefixo (quilo). Tal acontece porque o grama é historicamente anterior ao quilograma, que veio a ser adoptado como unidade de base do Sistema Internacional para medir a massa (e não o peso, que se mede cientificamente em newtons).

Vou tentar ter mais cuidado na aplicação destas regras!

Imagem: Rótulo de pão de forma (clicar para ver melhor). O valor em calorias está bem indicado para a porção (duas fatias), mas as quantidades por fatia estão erradas, pois devia-se simplesmente ter dividido por dois.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Cozinha com Ciência

Informação do Centro de Ciência Viva de Vila do Conde
Sábado, dia 30 de Janeiro pelas 11h00, no Centro Ciência Viva de Vila do Conde, participe com os seus filhos na actividade "IC3 - Investigar . Cozinha com Ciência." O objectivo é desvendar a ciência dos pickles e alguns dos segredos culinários dos grandes chefes.

Inscrições através do telefone 252633383, ou pelo email: info@viladoconde.cienciaviva.pt

Centro Ciência Viva de Vila do Conde
Av. Bernardino Machado, 96
4480-657 Vila do Conde
Tel/Fax: +351 252 633 383
http://viladoconde.cienciaviva.pt
info@viladoconde.cienciaviva.pt

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Verdade ou Mito ?

Sopa sem batata é a melhor para emagrecer.

Tenho referido diversas vezes neste blogue a importância para emagrecer de comer um prato de sopa no início das duas refeições principais do dia. A sopa faz aumentar a saciedade e é um alimento com uma densidade energética muito baixa, isto é, tem poucas calorias para o seu volume. Mas surge frequentemente a dúvida se é preciso fazer uma sopa especial sem batata. A resposta é não! Quando comemos, por exemplo, uma sopa de legumes que levou batata, a porção desta em cada prato de sopa é reduzida. Por outro lado, substitui-se normalmente a batata por cenoura, ou outros alimentos igualmente ricos em hidratos de carbono. Então não há qualquer vantagem na troca.

Qualquer sopa de legumes, com a base de batata, de feijão ou de grão de bico (estes dois últimos são particularmente bons para promover a saciedade uma vez que contêm proteínas), servirá quando o objectivo é perder peso. O valor calórico de um prato de sopa varia, mas ronda normalmente as 80-100 kcal, podendo nalguns casos chegar a 150-200 kcal. Isso é pouco, muito pouco se o compararmos com o valor calórico do segundo prato que ultrapassa muitas vezes as 1000 kcal!

sábado, 23 de janeiro de 2010

INFARMED Suspende Autorização de Sibutramina

O INFARMED informa que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) completou a revisão de segurança iniciada em Dezembro último para os medicamentos com sibutramina. O Comité de Medicamentos para Uso Humano da EMA (CHMP) concluiu que os riscos destes medicamentos são mais elevados do que os benefícios e recomendou a suspensão das respectivas Autorizações de Introdução no Mercado (AIM) na União Europeia.

Os medicamentos com sibutramina estão autorizados na Europa desde 1999 e são utilizados no tratamento da obesidade como auxiliar na perda de peso. Juntamente com uma dieta controlada e exercício físico, estão indicados em doentes obesos ou com excesso de peso que apresentem simultaneamente outros factores de risco, como diabetes tipo 2 ou dislipidemia (níveis elevados de gordura no sangue). Os medicamentos com sibutramina com autorização de venda em Portugal são o Reductil, o Zelium entre outras versões genéricas.

Aos doentes que já estão a tomar sibutramina, o Infarmed aconselha que marquem uma consulta com o médico para escolher uma solução alternativa e explica que podem, se assim entenderem, suspender já a toma do medicamento.

Fonte

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

UM COZINHEIRO DE PESO


O chef austríaco Dieter Koschina, responsável pelo único restaurante com duas estrelas Michelin em Portugal, no Vila Joya (Algarve), deu uma entrevista ao semanário Outlook de sábado passado donde transcrevo este bocadinho, que tem a ver com gastronomia e ganho de peso:
O- Costuma fazer viagens gastronómicas?

DK- Claro. Muitas vezes: pego no carro, percorro o Norte, sigo para Espanha, França, Suíça, Alemanha, Áustria para provar comida e falar com outros cozinheiros. Faço muitas perguntas, ponho-me a par de novas técnicas, das novas tendências, dos novos sabores. É uma escola. O negativo disto é que um mês e meio depois e 30 ou 40 estrelas depois tenho mais uns 10, 12 kg. Almoçar todos os dias num três estrelas, com tudo a que temos direito, custa 1,5 kg a mais por dia.

O- Como recupera disso?

DK- Quando volto, faço uma cozinha simples, clássica, da terra. Não como fígado nem lavagante nem trufas. Quero comida simples e boa.

O- E o que é isso de uma cozinha simples e boa?

DK- Uma cozinha regional, batata e peixe fresco com salada. Quando tenho folga dou uma volta pela praia, procuro uma barraca com peixe fresco. Um robalo fresco grelhado."
Fala quem sabe. A sugestão do grande chef é de seguir: uma cozinha simples e boa!

UMA QUESTÃO DE TEMPO

Miguel Esteves Cardoso aborda a questão do "peso ideal" de um modo peculiar. E tem alguma razão... Transcrevo a sua crónica, publicada no jornal Público de ontem (21/01/2010), intitulada "Uma Questão de Tempo":

«Quando se fala no peso ideal, fixamo-nos no "peso", em vez de interpretarmos "ideal". Estamos todos gordos. Os que não estão também estão doentes. Nós somos obesos; eles são anorécticos; ninguém tem o peso ideal. Sofremos todos de dismorfia -até os narcisistas foram atingidos. Nos EUA dizer "you've lost weight" ou é entendido como um elogio insincero, feito por quem quer (ou tem de) dar graxa a alguém. Já em Portugal, qualquer desconhecido nos segreda que estamos mais gordos desde a última vez que nos viram. (No meu caso, há 15 anos, na "Noite da Má Língua" quando eu era um cocainómano, alcoólatra e nicotinófilo e uma única ostra me parecia um cabrito inteiro, frito em azeite, com chouriças fritas em vez de batatas.)

O ideal humano de hoje é o extraterrestre alto e magro que, no filme Avatar, vive no bolo Pandoro (não confundir com o planeta Panettone): o Na'vi, com aquela tão calmante apóstrofe na entremeada. Ser azul é apenas, como agora se diz, uma "mais-valia".

Proponho que se fale em tempo em vez de quilos. Em vez de dizermos que temos de perder 20 quilos, digamos antes que estamos 20 meses adiantados. Perder um quilo por mês é o máximo aconselhável. Quem tenha exagerado 2 quilos no Natal pode assim dizer que já chegou a Março e que faz questão de se sincronizar. Um quilo são 7700 calorias. Aguentamo-nos com 1200 calorias por dia. Mas comemos 2200 ou mais. Comendo menos 700, perdemos um quilo. E recuperamos uma semana. É mais elegante.»

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

MITOS DA MEDICINA QUE NOS PODEM MATAR

Acaba de sair mais um livro que pretende desfazer alguns mitos da medicina. Informação da Editorial Presença:

Título: Mitos da Medicina Que Nos Podem Matar
Autor: Nancy L. Snyderman
Título Original: Medical Myths that can kill you: and the thruths that will save, extend and improve your life
Tradução: Alice Rocha
Páginas: 252
Preço com IVA: 15, 90€

Sinopse
Actualmente temos acesso a todo o tipo de informações sobre sintomas, doenças e tratamentos, e, baseados nelas, muitas vezes acabamos por nos autodiagnosticar e automedicar. Mas alguma vez parou para reflectir sobre se essa informação é fidedigna e se não estará a comprometer a sua saúde em vez de o ajudar? Nancy L. Snyderman traz até si os factos que os médicos desejam mesmo que tenha sempre presentes, neste livro onde também pode encontrar um glossário de termos médicos, uma lista completa dos exames considerados indispensáveis e mais de 100 verdades que aumentarão a sua qualidade de vida e longevidade.

Sobre a autora
Nancy L. Snyderman exerce medicina há trinta anos. É editora-chefe na área da medicina para a NBC News e antes de ocupar esse cargo foi correspondente para a ABC News e trabalhou para a Johnson & Johnson. Recebeu vários prémios de televisão e bolsas da Associação Americana de Oncologia e da Fundação Kellogg.

Mulher com 145 kg!?

O peso de uma mulher não diz tudo acerca do seu aspecto físico. Uma mulher que pese 145 kg pode não sofrer de obesidade... mas quase.



É o caso da mulher que está nas imagens que, a serem verdadeiras as suas medidas, pesará 145 kg e medirá 2,23 m, tendo assim um IMC (índice de massa corporal) de 29 kg/m2. Não será obesa, embora tenha, seguramente, uns quilos a mais. De qualquer modo, é preciso algum cepticismo no que respeita a estas e outras imagens e informações que circulam na Net...

Fonte das Imagens
http://email-divertido.blogspot.com/2009/11/uma-mulher-de-145-kg-parece-se-com-que.html

Emagrecer é...

Comer devagar

As pessoas que comem muito depressa têm maior risco de sofrer de excesso de peso e obesidade. A rapidez com que se come é, talvez, um dos hábitos mais difíceis de mudar. No entanto, existem algumas técnicas fáceis de pôr em prática que podem contrariar esse hábito. Se iniciar a refeição com um prato de sopa, conforme tenho aqui recomendado, experimente fazer uma pausa de alguns minutos antes de começar o segundo prato. Aproveite essa pausa para conversar com os outros comensais... Neste intervalo haverá tempo para que chegue ao cérebro a informação de que o estômago está meio cheio. Verá que, a seguir, não só vai comer mais devagar como vai ingerir uma quantidade menor, pois comer depressa significa, normalmente, comer muito.

Uma outra técnica complementar consiste em pousar os talheres entre duas garfadas, mastigando bem os alimentos e, com isso, apreciando melhor o seu sabor. Pode continuar a conversar... No final da refeição verificará que comeu menos do que costumava e valorizou mais o sabor da comida. A refeição foi menos calórica e mais aprazível! Se fizer isto todos os dias, provavelmente vai emagrecer.